Campanha para recrutar agentes do ICE tem apelo para base de Trump
Em um ano, governo Trump contratou mais 12 mil agentes


Renato Machado
A campanha nas redes sociais para recrutar novos agentes do ICE, a temida e notória polícia migratória dos Estados Unidos, contém elementos xenófobos e também apelos direcionados para a base do presidente Donald Trump.
Em apenas um ano de mandato, o governo Trump mais do que dobrou a quantidade de agentes do ICE. Foram contratados 12 mil novos agentes, elevando o efetivo total do órgão para 22 mil.
O site do Departamento de Segurança Interna, ao qual o ICE é subordinado, afirma que recebeu um total de 220 mil candidaturas de "patriotas".
"Com esses novos patriotas no time, estaremos aptos para atingir o que muitos diziam ser impossível e cumprir a promessa do presidente Trump de tornar os Estados Unidos seguro novamente", afirma texto do departamento.
O Departamento de Segurança Interna lançou uma campanha de recrutamento, com postagens nas redes sociais do órgão. Um deles faz referência ao jogo online Halo, com uma metralhadora em cima de uma caminhonete e os dizeres "parem a inundação [de imigrantes]". E na sequência aparece o chamado para se juntar ao ICE.
Em outro anúncio, o histórico personagem Tio Sam — usado para recrutar jovens para a primeira e Segunda Guerra Mundial — aparece novamente dizendo que "A América precisa de você"
Um terceiro anúncio mostra um homem vestido com roupas das cores da bandeira americana, perdido no meio do caminho, indeciso. As placas na estrada apontam em diferentes direções, que levam para "invasão", "declínio cultural" e "lei e ordem". E a mensagem questiona: "qual o caminho, homem americano?".
Alguns especialistas apontam ainda que o título pode ser uma referência ao texto "Qual o caminho, homem ocidental?", de William Gayley Simpson, de caráter nacionalista e supremacista.
O ICE iniciou durante o mandato de Trump uma série de ações nas grandes cidades, para prender imigrantes ilegais. A atuação, com muitos agentes mascarados, tem provocado medo nas comunidades e a reação da oposição, pela truculência das abordagens e prisões.
Nas duas últimas semanas, os agentes do ICE mataram dois cidadãos americanos no estado de Minnesota, Renee Good e Alex Pretti, provocando uma onda de protestos na região. Autoridades locais pedem a retirada dos 3 mil agentes que atuam no estado.









