'Bafo que te cozinha': a onda de calor extremo na Europa
Brasileiras que vivem na Espanha e na Inglaterra relatam como as temperaturas recordes transformaram a rotina no continente que mais aquece no planeta
Sofia Pilagallo
19/07/2026, 13:00 • Atualizado em 19/07/2026, 13:00
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Mulher enche garrafa em um bebedouro em Londres, Grã-Bretanha | Foto: EFE/EPA/ANDY RAIN - 08.07.2026
A Europa, o continente que aquece mais rapidamente no planeta, enfrenta mais uma onda de calor extremo. O mês de junho entrou para a história como o mais quente já registrado na Europa Ocidental, com temperaturas muito acima da média, seca e grandes incêndios florestais em diferentes países.
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Mais de 10 mil pessoas morreram, acima do esperado, devido à onda de calor no continiente. Os números foram divulgados pela EuroMOMO, rede de monitoramento de mortalidade apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ao SBT News, brasileiros que vivem no continente relatam como têm enfrentado os impactos desse cenário.
Natural do Rio Grande do Sul, a médica Raquel Pissardo, de 32 anos, mora em Almería, no sul da Espanha, há quatro meses. Durante os incêndios que atingiram a província, ela e a família passaram cinco dias em um hotel por precaução. Embora não tenham recebido ordem de evacuação nem estivessem em risco imediato, a proximidade das chamas e a fumaça intensa os levaram a deixar a casa.
Na manhã de 10 de julho, conta Raquel, o cheiro de fumaça era tão forte que parecia haver algo pegando fogo dentro de casa. Os filhos começaram a tossir e, ao buscar informações com vizinhos e acompanhar as notícias, a família descobriu a dimensão do incêndio, que atingiu principalmente os municípios de Los Gallardos, Bédar, Lubrín e Antas.
O fogo começou em 9 de julho e levou cerca de uma semana para ser completamente extinto. Considerado o incêndio mais letal já registrado na Andaluzia, deixou 13 mortos, queimou mais de 65 mil hectares, obrigou mais de 1.400 pessoas a deixarem suas casas e causou danos a residências e à infraestrutura da província das cidades.
Os incêndios, porém, não se limitaram à Espanha. Nas últimas semanas, Portugal, França, Grécia e Turquia também registraram grandes focos de fogo, impulsionados pela combinação de calor extremo, baixa umidade e ventos fortes. Milhares de hectares foram queimados e autoridades mobilizaram bombeiros e emitiram alertas para a população.
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Além dos incêndios, o calor extremo também transformou a rotina de quem vive na região. Acostumada às altas temperaturas no Brasil, Raquel afirma que a sensação na Espanha é completamente diferente por causa do clima seco. Segundo ela, o ar parece "cozinhar" quem está na rua, o asfalto irradia calor e nem mesmo durante a noite há alívio.
"O calor aqui é realmente muito intenso. Antes de morar na Espanha, eu via as notícias sobre as ondas de calor na Europa e pensava: 'No Brasil também faz calor todo ano'. Mas, na prática, é muito diferente. Aqui tem um bafo que te cozinha. A gente vê pessoas sofrendo golpe de calor na rua e, em alguns casos, morrendo. É uma realidade muito diferente da que eu vivia no Brasil."
Nos dias mais quentes, a rotina da população se adapta ao clima. Segundo Raquel, entre duas e cinco da tarde, quando as temperaturas costumam atingir os níveis mais elevados, o comércio fecha e as pessoas evitam sair de casa. Ela explica que a tradicional siesta espanhola não é apenas um hábito cultural, mas também uma forma de adaptação às condições climáticas.
Em compensação, a vida se estende pela noite. Com o pôr do sol mais tardio durante o verão e temperaturas um pouco mais amenas no fim da tarde, bares, restaurantes e outros estabelecimentos permanecem movimentados até altas horas, e o jantar costuma acontecer por volta das dez da noite.
'Não fazia sentido continuar no escritório'
Os efeitos da onda de calor também chegaram ao Reino Unido. Natural de Belo Horizonte, a gerente de comunicação Ana Clara Rodrigues, de 31 anos, mora em Londres e conta que foi dispensada mais cedo do trabalho em duas ocasiões neste verão — uma no fim de maio e outra em meados de julho — porque o calor tornou o ambiente do escritório insuportável.
Assim como a maioria das casas e muitos prédios britânicos, o edifício onde trabalha não tem ar-condicionado. Como o clima historicamente foi mais ameno, as construções foram projetadas para reter calor durante o inverno, e não para dissipá-lo no verão. Com a intensificação das ondas de calor, porém, esses imóveis passaram a enfrentar dificuldades para manter temperaturas confortáveis.
"Minha chefe disse que não fazia sentido continuar no escritório daquele jeito, já que, em casa, poderíamos usar roupas mais leves e trabalhar com mais conforto", lembra. "Nesse dia, eu fui direto para a piscina, porque era o único jeito de me refrescar. Quando contei que tinha conseguido uma vaga, ela até me incentivou a sair mais cedo."
Ana Clara Rodrigues posa com uma bebida gelada e um ventilador portátil em meio à onda de calor em Londres | Foto: Arquivo pessoal
Segundo Ana Clara, a onda de calor também alterou a rotina fora do trabalho. Ela desembarcou em Londres depois de passar férias no Brasil justamente durante o período mais intenso das altas temperaturas e diz que o país ainda não está preparado para enfrentar um calor dessa magnitude.
Ana Clara relata que algumas linhas do metrô chegaram a ser interrompidas por causa das temperaturas elevadas e que muitos trens e ônibus circulam sem ar-condicionado ou com ventilação insuficiente. Para enfrentar os deslocamentos, tornou-se comum ver passageiros usando ventiladores portáteis.
"A sensação é como se você estivesse dentro de uma sauna. Não tem brisa nenhuma, o ar fica parado", descreve. "Você sente que não existe um lugar realmente confortável para ficar. Eu brinco que, perto do meu escritório, a gente costuma comprar o almoço em um supermercado. A única parte agradável é perto das geladeiras, porque é o único lugar onde a temperatura parece confortável."
Moradora de Londres há sete anos, Ana Clara afirma que nunca havia vivido um verão como o de 2026. Segundo ela, antes as ondas de calor eram episódios pontuais, concentrados em poucos dias. Neste ano, porém, o calor começou ainda na primavera e tem persistido por semanas, sem as quedas de temperatura que costumavam ocorrer entre um episódio e outro.
A onda de calor atingiu diversos países do continente. Além de Espanha e Reino Unido, Portugal, França, Itália e Grécia registraram temperaturas excepcionalmente altas, enquanto alguns locais bateram recordes históricos para o mês de junho. Em várias regiões, o calor extremo levou autoridades de saúde a emitir alertas à população, provocou interrupções no transporte e aumentou a pressão sobre os sistemas de saúde.
'Cenário já era previsto'
Segundo o doutor em meteorologia Ricardo de Camargo, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), a onda de calor que atinge a Europa é resultado da combinação de diferentes fatores. Um deles é a atuação persistente de sistemas de alta pressão, que reduzem a formação de nuvens e a circulação de ventos, permitindo maior incidência de radiação solar sobre a superfície.
Outro fator é a temperatura acima da média registrada no Mar Mediterrâneo e no Atlântico Norte. De acordo com Camargo, com os oceanos mais quentes, a atmosfera recebe mais calor, favorecendo a persistência das altas temperaturas e aumentando a probabilidade de ondas de calor mais intensas e duradouras.
Embora não seja possível atribuir esse episódio exclusivamente às mudanças climáticas, Camargo afirma que oaquecimento global intensifica esse tipo de evento. Segundo ele, as evidências acumuladas nas últimas décadas mostram que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana já estão em curso.
"É difícil dizer quanto dessa onda de calor pode ser atribuída diretamente às mudanças climáticas. O que a gente sabe é que o aquecimento global faz o sistema climático reter mais calor, alterando o comportamento dos sistemas atmosféricos. É por isso que ondas de calor, secas e chuvas intensas têm se tornado mais frequentes, mais intensas e mais duradouras", afirma.
Camargo explica que as altas latitudes do Hemisfério Norte estão entre as regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas. Esse processo não ocorre apenas na Europa, mas também em áreas do Canadá, da Sibéria e do norte da Rússia, onde os sinais de aumento da temperatura são bastante intensos.
A diferença é que a Europa tem uma população maior e uma alta densidade demográfica. No Canadá e no norte da Ásia, muitas das áreas mais frias são menos ocupadas e têm menos cidades. Por isso, embora o aquecimento também seja forte nessas regiões, na Europa há um número maior de pessoas expostas às mudanças de temperatura provocadas pelo aquecimento global.
Para Ana Clara, os efeitos das mudanças climáticas já são evidentes. Depois de sete verões em Londres, ela diz que o calor se tornou muito mais intenso do que quando chegou à cidade, em 2019. Raquel compartilha da mesma preocupação e defende que o tema deixe de ser tratado apenas como uma questão ambiental e passe a ocupar um espaço central nas discussões da sociedade.
"A gente vê muitos estudos voltados para explorar Marte, como se fosse uma alternativa. Mas Marte é pior do que qualquer deserto da Terra. Outro dia li uma frase que comparava a situação ao Titanic: em vez de evitar o desastre, a gente estaria dizendo que a festa continua no bote salva-vidas", diz Raquel. "Tem que ser uma preocupação de todos nós. É uma pauta da qual não dá para escapar."
'Bafo que te cozinha': a onda de calor extremo na EuropaBrasileiras que vivem na Espanha e na Inglaterra relatam como as temperaturas recordes transformaram a rotina no continente que mais aquece no planetaMundo2026-07-19T13:00:00.000ZA Europa, o continente que aquece mais rapidamente no planeta, enfrenta mais uma onda de calor extremo. O mês de junho entrou para a história como o mais quente já registrado na Europa Ocidental, com temperaturas muito acima da média, seca e grandes incêndios florestais em diferentes países. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Mais de 10 mil pessoas morreram, acima do esperado, devido à onda de calor no continiente. Os números foram divulgados pela EuroMOMO, rede de monitoramento de mortalidade apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao SBT News, brasileiros que vivem no continente relatam como têm enfrentado os impactos desse cenário. Natural do Rio Grande do Sul, a médica Raquel Pissardo, de 32 anos, mora em Almería, no sul da Espanha, há quatro meses. Durante os incêndios que atingiram a província, ela e a família passaram cinco dias em um hotel por precaução. Embora não tenham recebido ordem de evacuação nem estivessem em risco imediato, a proximidade das chamas e a fumaça intensa os levaram a deixar a casa. Na manhã de 10 de julho, conta Raquel, o cheiro de fumaça era tão forte que parecia haver algo pegando fogo dentro de casa. Os filhos começaram a tossir e, ao buscar informações com vizinhos e acompanhar as notícias, a família descobriu a dimensão do incêndio, que atingiu principalmente os municípios de Los Gallardos, Bédar, Lubrín e Antas. O fogo começou em 9 de julho e levou cerca de uma semana para ser completamente extinto. Considerado o incêndio mais letal já registrado na Andaluzia, deixou 13 mortos, queimou mais de 65 mil hectares, obrigou mais de 1.400 pessoas a deixarem suas casas e causou danos a residências e à infraestrutura da província das cidades. Os incêndios, porém, não se limitaram à Espanha. Nas últimas semanas, Portugal, França, Grécia e Turquia também registraram grandes focos de fogo, impulsionados pela combinação de calor extremo, baixa umidade e ventos fortes. Milhares de hectares foram queimados e autoridades mobilizaram bombeiros e emitiram alertas para a população. Além dos incêndios, o calor extremo também transformou a rotina de quem vive na região. Acostumada às altas temperaturas no Brasil, Raquel afirma que a sensação na Espanha é completamente diferente por causa do clima seco. Segundo ela, o ar parece "cozinhar" quem está na rua, o asfalto irradia calor e nem mesmo durante a noite há alívio. "O calor aqui é realmente muito intenso. Antes de morar na Espanha, eu via as notícias sobre as ondas de calor na Europa e pensava: 'No Brasil também faz calor todo ano'. Mas, na prática, é muito diferente. Aqui tem um bafo que te cozinha. A gente vê pessoas sofrendo golpe de calor na rua e, em alguns casos, morrendo. É uma realidade muito diferente da que eu vivia no Brasil." Nos dias mais quentes, a rotina da população se adapta ao clima. Segundo Raquel, entre duas e cinco da tarde, quando as temperaturas costumam atingir os níveis mais elevados, o comércio fecha e as pessoas evitam sair de casa. Ela explica que a tradicional siesta espanhola não é apenas um hábito cultural, mas também uma forma de adaptação às condições climáticas. Em compensação, a vida se estende pela noite. Com o pôr do sol mais tardio durante o verão e temperaturas um pouco mais amenas no fim da tarde, bares, restaurantes e outros estabelecimentos permanecem movimentados até altas horas, e o jantar costuma acontecer por volta das dez da noite. 'Não fazia sentido continuar no escritório' Os efeitos da onda de calor também chegaram ao Reino Unido. Natural de Belo Horizonte, a gerente de comunicação Ana Clara Rodrigues, de 31 anos, mora em Londres e conta que foi dispensada mais cedo do trabalho em duas ocasiões neste verão — uma no fim de maio e outra em meados de julho — porque o calor tornou o ambiente do escritório insuportável. Assim como a maioria das casas e muitos prédios britânicos, o edifício onde trabalha não tem ar-condicionado. Como o clima historicamente foi mais ameno, as construções foram projetadas para reter calor durante o inverno, e não para dissipá-lo no verão. Com a intensificação das ondas de calor, porém, esses imóveis passaram a enfrentar dificuldades para manter temperaturas confortáveis. "Minha chefe disse que não fazia sentido continuar no escritório daquele jeito, já que, em casa, poderíamos usar roupas mais leves e trabalhar com mais conforto", lembra. "Nesse dia, eu fui direto para a piscina, porque era o único jeito de me refrescar. Quando contei que tinha conseguido uma vaga, ela até me incentivou a sair mais cedo." Segundo Ana Clara, a onda de calor também alterou a rotina fora do trabalho. Ela desembarcou em Londres depois de passar férias no Brasil justamente durante o período mais intenso das altas temperaturas e diz que o país ainda não está preparado para enfrentar um calor dessa magnitude. Ana Clara relata que algumas linhas do metrô chegaram a ser interrompidas por causa das temperaturas elevadas e que muitos trens e ônibus circulam sem ar-condicionado ou com ventilação insuficiente. Para enfrentar os deslocamentos, tornou-se comum ver passageiros usando ventiladores portáteis. "A sensação é como se você estivesse dentro de uma sauna. Não tem brisa nenhuma, o ar fica parado", descreve. "Você sente que não existe um lugar realmente confortável para ficar. Eu brinco que, perto do meu escritório, a gente costuma comprar o almoço em um supermercado. A única parte agradável é perto das geladeiras, porque é o único lugar onde a temperatura parece confortável." Moradora de Londres há sete anos, Ana Clara afirma que nunca havia vivido um verão como o de 2026. Segundo ela, antes as ondas de calor eram episódios pontuais, concentrados em poucos dias. Neste ano, porém, o calor começou ainda na primavera e tem persistido por semanas, sem as quedas de temperatura que costumavam ocorrer entre um episódio e outro. A onda de calor atingiu diversos países do continente. Além de Espanha e Reino Unido, Portugal, França, Itália e Grécia registraram temperaturas excepcionalmente altas, enquanto alguns locais bateram recordes históricos para o mês de junho. Em várias regiões, o calor extremo levou autoridades de saúde a emitir alertas à população, provocou interrupções no transporte e aumentou a pressão sobre os sistemas de saúde. 'Cenário já era previsto' Segundo o doutor em meteorologia Ricardo de Camargo, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), a onda de calor que atinge a Europa é resultado da combinação de diferentes fatores. Um deles é a atuação persistente de sistemas de alta pressão, que reduzem a formação de nuvens e a circulação de ventos, permitindo maior incidência de radiação solar sobre a superfície. Outro fator é a temperatura acima da média registrada no Mar Mediterrâneo e no Atlântico Norte. De acordo com Camargo, com os oceanos mais quentes, a atmosfera recebe mais calor, favorecendo a persistência das altas temperaturas e aumentando a probabilidade de ondas de calor mais intensas e duradouras. Embora não seja possível atribuir esse episódio exclusivamente às mudanças climáticas, Camargo afirma que o aquecimento global intensifica esse tipo de evento. Segundo ele, as evidências acumuladas nas últimas décadas mostram que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana já estão em curso. "É difícil dizer quanto dessa onda de calor pode ser atribuída diretamente às mudanças climáticas. O que a gente sabe é que o aquecimento global faz o sistema climático reter mais calor, alterando o comportamento dos sistemas atmosféricos. É por isso que ondas de calor, secas e chuvas intensas têm se tornado mais frequentes, mais intensas e mais duradouras", afirma. Camargo explica que as altas latitudes do Hemisfério Norte estão entre as regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas. Esse processo não ocorre apenas na Europa, mas também em áreas do Canadá, da Sibéria e do norte da Rússia, onde os sinais de aumento da temperatura são bastante intensos. A diferença é que a Europa tem uma população maior e uma alta densidade demográfica. No Canadá e no norte da Ásia, muitas das áreas mais frias são menos ocupadas e têm menos cidades. Por isso, embora o aquecimento também seja forte nessas regiões, na Europa há um número maior de pessoas expostas às mudanças de temperatura provocadas pelo aquecimento global. Para Ana Clara, os efeitos das mudanças climáticas já são evidentes. Depois de sete verões em Londres, ela diz que o calor se tornou muito mais intenso do que quando chegou à cidade, em 2019. Raquel compartilha da mesma preocupação e defende que o tema deixe de ser tratado apenas como uma questão ambiental e passe a ocupar um espaço central nas discussões da sociedade. "A gente vê muitos estudos voltados para explorar Marte, como se fosse uma alternativa. Mas Marte é pior do que qualquer deserto da Terra. Outro dia li uma frase que comparava a situação ao Titanic: em vez de evitar o desastre, a gente estaria dizendo que a festa continua no bote salva-vidas", diz Raquel. "Tem que ser uma preocupação de todos nós. É uma pauta da qual não dá para escapar."São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/bafo-que-te-cozinha-a-onda-de-calor-extremo-na-europa