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Onda de calor deixa mais de 10 mil mortos na Europa

Levantamento reúne dados de 27 países europeus entre 22 e 28 de junho; mais de 9 mil mortes ocorreram entre idosos

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Naiara Ribeiro
13/07/2026, 14:50 • Atualizado em 13/07/2026, 14:50
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Placa indica temperatura de 37°C em Paris, em19 de junho de 2026 | Reprodução Reuters/Alice Sacco

Placa indica temperatura de 37°C em Paris, em19 de junho de 2026 | Reprodução Reuters/Alice Sacco

A onda de calor que atingiu o oeste da Europa no fim de junho provocou mais de 10 mil mortes acima do esperado, segundo dados divulgados pela EuroMOMO, rede de monitoramento de mortalidade apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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O levantamento reúne informações de 27 países europeus e considera todas as mortes registradas entre 22 e 28 de junho, e não apenas aquelas oficialmente atribuídas ao calor.

Ao todo, foram registradas 10.650 no período em que as temperaturas chegaram ao pico em países como França, Espanha e Reino Unido. Mais de 9 mil dessas mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.

Para Lasse Vestergaard, médico-chefe do Statens Serum Institut, da Dinamarca, instituição que coordena a EuroMOMO, esse aumento é incomum para esta época do ano e dificilmente pode ser explicado por outro fator além do calor extremo. "O excesso de mortes registrado neste período é realmente muito alto. É difícil explicar esse aumento por qualquer outro motivo que não seja o calor extremo", afirmou à Reuters.

Segundo o médico, temperaturas muito elevadas podem causar insolação e agravar problemas cardíacos e respiratórios, aumentando o risco de morte, principalmente entre idosos.

A onda de calor também provocou recordes de temperatura, interrupções no fornecimento de energia e fechamento de escolas em diferentes regiões da França, da Espanha e do Reino Unido.

Nas oito semanas anteriores, esses mesmos países registraram, em média, cerca de 500 mortes por semana abaixo do esperado. Segundo os pesquisadores, também não houve outros fatores relevantes, como surtos de Covid-19, que pudessem explicar o aumento da mortalidade observado entre 22 e 28 de junho.

França e Bélgica foram os países mais afetados

A França e a Bélgica foram os únicos países a alcançar o nível classificado como “muito alto” de mortes acima do esperado na última semana de junho, segundo a EuroMOMO. A rede não divulga os números separados por país, mas a classificação indica que o total registrado ficou bem acima do padrão normalmente observado para o período.

Na Bélgica, o instituto de saúde pública Sciensano informou que o excesso de mortalidade foi o maior já registrado no país durante uma onda de calor desde o início da série histórica, em 2000.

Mudanças climáticas aumentaram a intensidade da onda de calor

Os pesquisadores também afirmam que a onda de calor registrada no fim de junho teria sido praticamente impossível sem o aquecimento global provocado pela atividade humana, que tem tornado esses episódios mais frequentes e intensos.

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (13), conduzido pelo Imperial College London, pelo Met Office do Reino Unido e pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, estimou que cerca de 2.700 pessoas morreram por causas relacionadas ao calor apenas na Inglaterra e no País de Gales durante as ondas de calor de maio e junho.

O estudo concluiu que 42% dessas mortes estão associadas ao aumento das temperaturas provocado pelas mudanças climáticas.

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