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Ativistas anti-ICE são condenados a até 100 anos de prisão

Réus foram condenados por acusações ligadas a terrorismo após participarem de um protesto que terminou com um policial baleado

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Sofia Pilagallo
24/06/2026, 02:13 • Atualizado em 24/06/2026, 02:35
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Fachada do centro de detenção de imigrantes Prairieland, em Alvarado, no Texas, EUA | Foto: Wikimedia Commons - 01.04.2017

Fachada do centro de detenção de imigrantes Prairieland, em Alvarado, no Texas, EUA | Foto: Wikimedia Commons - 01.04.2017

Oito ativistas do Texas foram sentenciados nesta terça-feira (23) a penas de até 100 anos de prisão por crimes classificados como terrorismo. Os réus foram condenados após participarem de um protesto em frente a um centro de detenção de imigrantes que terminou com um policial federal baleado, em 4 de julho de 2025.

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Segundo a acusação, os oito réus, com ligações com o movimento antifascista, foram ao centro de detenção de imigrantes Prairieland, em Alvarado, durante a noite, portando fogos de artifício para uma manifestação em solidariedade aos detidos. Parte dos participantes se afastou do grupo principal e vandalizou veículos, uma guarita e uma câmera de segurança, além de furar os pneus de uma van oficial.

Durante a ação, um policial foi baleado no pescoço após um dos manifestantes disparar um fuzil AR-15 de uma área de mata. Ele sobreviveu. As autoridades não divulgaram publicamente o nome do agente, identificado apenas como policial ou tenente do Departamento de Polícia de Alvarado.

Benjamin Song, apontado como autor do disparo, foi condenado a 100 anos de prisão por tentativa de homicídio contra um agente federal, além de outros crimes, entre eles posse ilegal de armas, uso de explosivos, participação em tumulto e apoio material ao terrorismo. A pena prevista para a acusação principal variava de 20 anos de prisão à prisão perpétua.

Outros cinco réus — Zachary Evetts, Autumn Hill, Savanna Batten, Elizabeth Soto e Meagan Morris — receberam penas de 50 anos, enquanto Maricela Rueda foi condenada a 70 anos. Todos foram considerados culpados por acusações como tumulto, apoio material ao terrorismo e posse de explosivos. Parte deles, no entanto, foi absolvida de acusações mais graves, como tentativa de homicídio.

As sentenças chamaram atenção pela severidade, superando inclusive as penas mais longas aplicadas em casos ligados aos ataques de 6 de janeiro ao Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos. A ex-procuradora federal Barbara McQuade avaliou que, em geral, esperava punições entre 15 e 25 anos.

O governo Trump comemorou as decisões. Em comunicado, autoridades classificaram os condenados como "terroristas da Antifa" e afirmaram que eles enfrentariam uma resposta "rápida e implacável". Os réus e seus advogados contestam a narrativa da acusação. Benjamin Song alegou ter atirado por acreditar que o policial estava prestes a abrir fogo contra manifestantes.

Outros réus também negaram a intenção de praticar violência. A defesa de Zachary Evetts sustenta que os fogos de artifício tinham apenas o objetivo de chamar atenção para a situação dos detidos. Familiares de alguns dos condenados consideraram as sentenças "absurdas" e argumentaram que o processo se baseou em "desinformação".

O caso passou a ser interpretado como um teste dos esforços do governo Trump para ampliar a repressão a protestos e à dissidência política. O episódio se soma a outros processos recentes contra ativistas nos EUA e reacende o debate sobre o enquadramento de movimentos ideológicos em acusações de terrorismo.

Em setembro do ano passado, Trump assinou uma ordem executiva que classificou a Antifa como uma "organização terrorista doméstica". O documento descreve o grupo como uma iniciativa "militarista e anarquista que clama explicitamente pela derrubada do governo dos EUA, das autoridades policiais e do sistema jurídico".

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