Ataque inaugural dos EUA deve ser forte para evitar retaliação do Irã, afirma especialista
Maior porta-aviões do mundo deve chegar perto do Irã no fim de semana


Renato Machado
GENEBRA - Um eventual primeiro ataque das forças americanas contra o território do Irã provavelmente será massivo e forte o suficiente para evitar uma resposta dos militares iranianos, contra bases dos Estados Unidos no Oriente Médio ou mesmo contra seus aliados na região.
A avaliação é de Luciano Zaccara, analista de política do Oriente Médio e dos países do Conselho de Cooperação do Golfo, baseado no Qatar.
Zaccara afirma que os Estados Unidos têm consciência que a situação atual é diferente do ano passado, quando os Estados Unidos fizeram ataques mais cirúrgicos contra instalações nucleares, fechando a guerra de 12 dias entre Israel e Irã.
Na ocasião, o Irã respondeu com um ataque telegrafado contra uma base americana no Qatar, que não provocou desgastes e tampouco resultou em vítimas.
"Nós precisamos levar em conta que não parece que o Irã retaliaria de uma maneira contida para evitar uma nova retaliação [americana], mas sim vai tentar ferir os Estados Unidos o máximo que puderem", afirmou ao SBT News.
"Portanto, os Estados Unidos serão forçados a garantir que o primeiro ataque seja forte o suficiente para destruir os meios iniciais para uma retaliação iraniana contra Israel ou contra bases americanas nos países do Conselho de Cooperação do Golfo. É por isso que uma possível incursão tem sido retardada para a chegada perto da região do terceiro grupo de ataque de porta-aviões", acrescenta.
A tensão no Oriente Médio vem aumentando ao longo da semana, com os Estados Unidos aumentando o seu poderio militar na região. Um grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln já se encontra perto da costa iraniana, assim como outros navios de combate. Caças e sistema de defesa com mísseis também foram levados para bases americanas.
O porta-aviões USS Gerald Ford, o maior e mais moderno do mundo, tem previsão de chegar à região no fim de semana.
Do lado iraniano, o aiatolá Ali Khamenei chegou a afirmar que esses porta-aviões poderiam ser afundados pelas forças do regime. O Irã também vem realizando exercícios militares, inclusive com russos. No entanto, não é possível fazer uma análise precisa do arsenal iraniano, após perder um terço dos seus mísseis durante a guerra e os ataques israelenses do ano passado.
"A grande questão aqui é que, até o momento, desde junho de 2025, não houve uma avaliação precisa do potencial iraniano que restou, em termos de mísseis e lançadores, e em termos de recuperação daqueles que foram destruídos ou danificados por Estados Unidos e Israel", afirma Zaccara.
Esse aumento das forças militares acontece poucos dias após uma nova rodada de negociações entre americanos e iranianos, que aconteceu em Genebra, na terça-feira (17). O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou após o encontro que houve entendimento sobre princípios norteadores e que haveria troca de textos nas próximas reuniões.
Nesta quinta-feira (19), Donald Trump afirmou que todos saberiam em 10 dias se um acordo foi atingido e acrescentou que "coisas ruins aconteceriam" se houvesse recusa de Teerã.








