Ataque a navio comercial iraniano em Ormuz deixa um morto
Embarcação foi atingida próximo à Ilha de Qeshm, no sul do Irã; não há confirmação sobre a origem do disparo

Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer
Ao menos uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas após um navio comercial iraniano ser atacado próximo à Ilha de Qeshm, no sul do Irã, neste domingo (13). A informação foi divulgada pela mídia estatal iraniana, que citou o governador do distrito de Qeshm, Amir Teymouri.
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O incidente também foi reportado pela Autoridade Britânica de Operações Marítimas, ligada à Marinha do Reino Unido. Segundo a agência, houve uma notificação de que um projétil atingiu um navio em trânsito pela passagem marítima.
Ainda não há confirmação sobre a origem do disparo. O incidente ocorreu, contudo, em meio à escalada dos ataques dos Estados Unidos a embarcações iranianas no Estreito de Ormuz, rota de 20% do petróleo mundial. Os bombardeios são uma consequência de um bloqueio aos portos iranianos, que visa pressionar Teerã a negociar.
No sábado (12), o Comando Central norte-americano (Centcom) afirmou que desviou a rota de 100 navios comerciais que tentavam furar o bloqueio nos últimos 60 dias. “Zero navios atravessaram o bloqueio sem que as forças americanas permitissem. Os militares americanos permanecem focados nessa missão”, disse.
A crise na região vem elevando os temores de interrupções no fornecimento global de energia. Na última semana, o preço do petróleo tipo Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril, aumentando a preocupação dos mercados sobre a produção e o transporte de petróleo na região.
Entenda
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vem pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um memorando de entendimento foi firmado entre os países em junho, ampliando a trégua para 60 dias, visando chegar a um acordo nuclear definitivo para interromper as hostilidades. O prazo, no entanto, terminou no fim de agosto sem uma solução entre os países.
Na última semana, um encontro entre representantes iranianos e países árabes do Golfo foi marcado para segunda-feira (14), em Omã, visando discutir o futuro da navegação no Estreito de Ormuz. Autoridades iranianas, porém, minimizaram as chances de um acordo imediato, segundo a agência Tasnim.















