Arqueólogos apresentam os menores pássaros da Era do Gelo
Como esculturas do tamanho de uma unha, esculpidas há 40 mil anos na Alemanha, revolucionam o que sabemos sobre a origem e a delicadeza da arte pré-histórica
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Guilherme Latorre
Os menores pássaros da Era do Gelo | Foto: Divulgação
Arqueólogos da Universidade de Tübingen descobriram duas esculturas que cabem na ponta de um polegar ao escavar a Caverna de Hohle Fels, um sítio no sudoeste da Alemanha considerado Patrimônio Mundial da Unesco.
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O local fica na região do Jura Suábio, uma cadeia de montanhas entre a Alemanha e a França. A equipe recuperou, na mesma camada de terra, duas representações de pássaros esculpidas em marfim de mamute há cerca de 40 mil anos, período que coincide com a chegada dos primeiros humanos modernos à região do Alto Danúbio.
Elas estavam a apenas 1,5 metro de distância uma da outra e têm a mesma idade, o que levantou a suspeita de que tenham sido feitas pela mesma pessoa. O que mais impressiona os cientistas é o tamanho milimétrico das obras: elas medem meros 2 x 1 x 0,5 centímetros e pesam inacreditáveis 1,3 e 0,7 grama. São as menores e mais finas representações figurativas já descobertas desse período.
Enquanto a maior parte das esculturas dessa época costuma medir entre 3 e 9 centímetros, essas miniaturas rompem com os padrões e provam que os primeiros artistas humanos já dominavam técnicas de precisão cirúrgica no manejo do marfim.
O diretor das escavações, professor Nicholas Conard, ressalta que as estatuetas não são figuras altamente estilizadas ou genéricas. Pelo contrário, elas registram observações biológicas extremamente detalhadas. Uma das peças, que está totalmente completa, retrata um pássaro com olhos proeminentes, deitado no chão em uma postura típica de quem está chocando ovos.
Os traços sugerem que se trata de uma perdiz-branca. A espécie é muito comum entre os fósseis descobertos na mesma caverna. O segundo pássaro, que está incompleto, exibe asas estendidas, bico definido e marcas muito claras representando penas, capturando o animal de forma dinâmica em pleno voo, pouso ou em um ritual de acasalamento.
A delicadeza em registrar poses ativas é uma grande quebra de paradigma, já que a maioria das esculturas de marfim da Era do Gelo costuma retratar os animais em posições estáticas e rígidas. Além disso, o achado joga luz sobre os mistérios culturais da época, pois Hohle Fels é o único sítio arqueológico de toda a região onde estatuetas de pássaros foram descobertas.
Em todas as outras cavernas vizinhas, os artistas pré-históricos preferiam esculpir mamutes e leões — que são os mais frequentes —, além de ursos, cavalos, peixes e bisões. Os cientistas se perguntam qual seria o real significado dessas pequenas aves para os antigos moradores da caverna. Elas podem ter funcionado como talismãs de proteção pessoal ou como símbolos de identidade carregados por quem as esculpiu.
O que fica claro é que, há 400 séculos, nossos ancestrais já possuíam uma sensibilidade artística extraordinária, provando que a grandiosidade da mente humana já cabia perfeitamente na palma da mão.
Região
A região das montanhas baixas e planícies de calcário é um verdadeiro tesouro da história humana. Ela abriga cavernas com representações artísticas e também é o local onde foram encontrados os instrumentos musicais mais antigos do mundo. Além disso, a região deu nome a talvez uma das eras mais famosas da história do planeta, pelo menos por causa do cinema. Foi nessa região que o naturalista alemão Alexander von Humboldt cunhou o termo "Jurássico", uma derivação de Jura.
Foi o segundo período da Era Mesozóica, marcado pelo aumento da separação dos continentes e o surgimento dos grandes dinossauros há cerca de 200 milhões de anos.
Arqueólogos apresentam os menores pássaros da Era do GeloComo esculturas do tamanho de uma unha, esculpidas há 40 mil anos na Alemanha, revolucionam o que sabemos sobre a origem e a delicadeza da arte pré-históricaMundo2026-07-31T09:00:00.000ZArqueólogos da Universidade de Tübingen descobriram duas esculturas que cabem na ponta de um polegar ao escavar a Caverna de Hohle Fels, um sítio no sudoeste da Alemanha considerado Patrimônio Mundial da Unesco. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. O local fica na região do Jura Suábio, uma cadeia de montanhas entre a Alemanha e a França. A equipe recuperou, na mesma camada de terra, duas representações de pássaros esculpidas em marfim de mamute há cerca de 40 mil anos, período que coincide com a chegada dos primeiros humanos modernos à região do Alto Danúbio. + Elas estavam a apenas 1,5 metro de distância uma da outra e têm a mesma idade, o que levantou a suspeita de que tenham sido feitas pela mesma pessoa. O que mais impressiona os cientistas é o tamanho milimétrico das obras: elas medem meros 2 x 1 x 0,5 centímetros e pesam inacreditáveis 1,3 e 0,7 grama. São as menores e mais finas representações figurativas já descobertas desse período. Enquanto a maior parte das esculturas dessa época costuma medir entre 3 e 9 centímetros, essas miniaturas rompem com os padrões e provam que os primeiros artistas humanos já dominavam técnicas de precisão cirúrgica no manejo do marfim. O diretor das escavações, professor Nicholas Conard, ressalta que as estatuetas não são figuras altamente estilizadas ou genéricas. Pelo contrário, elas registram observações biológicas extremamente detalhadas. Uma das peças, que está totalmente completa, retrata um pássaro com olhos proeminentes, deitado no chão em uma postura típica de quem está chocando ovos. + Os traços sugerem que se trata de uma perdiz-branca. A espécie é muito comum entre os fósseis descobertos na mesma caverna. O segundo pássaro, que está incompleto, exibe asas estendidas, bico definido e marcas muito claras representando penas, capturando o animal de forma dinâmica em pleno voo, pouso ou em um ritual de acasalamento. A delicadeza em registrar poses ativas é uma grande quebra de paradigma, já que a maioria das esculturas de marfim da Era do Gelo costuma retratar os animais em posições estáticas e rígidas. Além disso, o achado joga luz sobre os mistérios culturais da época, pois Hohle Fels é o único sítio arqueológico de toda a região onde estatuetas de pássaros foram descobertas. Em todas as outras cavernas vizinhas, os artistas pré-históricos preferiam esculpir mamutes e leões — que são os mais frequentes —, além de ursos, cavalos, peixes e bisões. Os cientistas se perguntam qual seria o real significado dessas pequenas aves para os antigos moradores da caverna. Elas podem ter funcionado como talismãs de proteção pessoal ou como símbolos de identidade carregados por quem as esculpiu. O que fica claro é que, há 400 séculos, nossos ancestrais já possuíam uma sensibilidade artística extraordinária, provando que a grandiosidade da mente humana já cabia perfeitamente na palma da mão. Região A região das montanhas baixas e planícies de calcário é um verdadeiro tesouro da história humana. Ela abriga cavernas com representações artísticas e também é o local onde foram encontrados os instrumentos musicais mais antigos do mundo. Além disso, a região deu nome a talvez uma das eras mais famosas da história do planeta, pelo menos por causa do cinema. Foi nessa região que o naturalista alemão Alexander von Humboldt cunhou o termo "Jurássico", uma derivação de Jura. Foi o segundo período da Era Mesozóica, marcado pelo aumento da separação dos continentes e o surgimento dos grandes dinossauros há cerca de 200 milhões de anos. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/arqueologos-apresentam-os-menores-passaros-da-era-do-gelo
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