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Concacaf se une à Uefa e rejeita projeto da Fifa

Entidade que reúne 41 associações das Américas criticou falta de transparência e pediu que proposta siga as regras de governança da Fifa

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Antonio Souza
Concacaf se une à Uefa e rejeita projeto da Fifa

A Concacaf anunciou nesta quinta-feira (30) que rejeitou o plano da Fifa de criar uma empresa para administrar os direitos comerciais de torneios e vender participações minoritárias a investidores privados.

A decisão foi tomada no mesmo dia em que a Uefa informou que suas 55 associações-membro poderiam boicotar competições organizadas pela Fifa caso o projeto fosse mantido.

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A proposta prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), que ficaria responsável pela negociação das receitas de competições como a Copa do Mundo. A Fifa continuaria no controle da empresa, mas abriria espaço para a participação de investidores.

A Concacaf afirmou que tomou conhecimento do projeto por meio da imprensa. A entidade criticou a falta de transparência, o prazo considerado curto para a análise e a ausência de discussão prévia com as organizações responsáveis pela governança do futebol.

As 41 associações filiadas à Concacaf decidiram rejeitar a proposta e encarregaram seus representantes no Conselho da Fifa de discutir alternativas para ampliar o financiamento do programa Fifa Forward.

O programa distribui recursos para projetos de desenvolvimento do futebol nos países-membros da entidade.

A Concacaf também pediu que qualquer decisão sobre o futuro comercial das competições seja analisada pelos órgãos de governança da Fifa, conforme os estatutos da organização.

“A Concacaf e suas associações-membro reafirmam que o futuro do futebol e seu maior patrimônio devem permanecer nas mãos da família do futebol”, afirmou a entidade.

Contrariando a Concacaf, a Federação Mexicana afirmou que concluirá o processo de estudo e análise antes de definir sua posição. Segundo a FMF, a decisão será tomada com base no que for mais conveniente para o desenvolvimento do futebol mexicano.

Uefa ameaça boicotar Copas do Mundo

Em declaração conjunta nesta quinta-feira, a Uefa declarou que a Copa do Mundo “não está à venda” e criticou a transformação dos direitos comerciais das competições em um produto de investimento.

A entidade poderá boicotar a Copa do Mundo e todas as competições organizadas pela Fifa caso a entidade mantenha o plano.

“Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada”, diz um trecho do comunicado divulgado nesta quinta-feira.

O que diz a Fifa?

Em resposta às críticas, a Fifa afirmou que reconhece e respeita as preocupações manifestadas publicamente. A entidade também reafirmou o compromisso com uma consulta aberta e democrática.

Segundo a Fifa, o processo de consulta foi interrompido por causa da divulgação de informações consideradas incorretas pela imprensa. A entidade afirmou que dará continuidade às discussões para garantir que cada associação-membro tenha a oportunidade de analisar a proposta e votar com base em informações corretas.

A Fifa declarou ainda que a FFE foi concebida para permitir que as 211 associações-membro assumam maior responsabilidade pelas oportunidades comerciais do futebol em seus respectivos países, sem alterar a estrutura de governança da entidade.

Pela proposta, a FFE transferiria as atividades comerciais e operacionais relacionadas à realização de eventos da Fifa para uma organização subsidiária, que permaneceria sob propriedade e controle da entidade.

O valor gerado pelas atividades comerciais seria compartilhado entre as 211 associações. Cada uma poderia receber US$ 20 milhões em financiamento do programa Fifa Forward Development entre 2027 e 2030, independentemente do apoio individual recebido anteriormente.

A entidade afirmou que o aumento seria financiado por receitas adicionais obtidas com uma gestão mais eficiente das operações comerciais. Também declarou que a participação seria voluntária e que a proposta não cederia o controle nem alteraria a estrutura de governança da Fifa.

Sem o apoio da maioria das federações nacionais, as atividades comerciais permaneceriam inalteradas, e a Fifa Forward Enterprise não seria criada.

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