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Harvard decide processar governo Trump depois de proibição a estrangeiros

Instituição reiterou compromisso em continuar recebendo estudantes e pesquisadores de mais de 140 países

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Camila Stucaluc
23/05/2025, 08:49 • Atualizado em 23/05/2025, 14:20
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Universidade de Harvard | Reprodução

Universidade de Harvard | Reprodução

A Universidade de Harvard decidiu processar o governo de Donald Trump que impede a instituição de matricular alunos estrangeiros. Em ação movida em um tribunal federal de Boston, a universidade disse que a ação do governo viola a Primeira Emenda e terá um "efeito imediato e devastador para Harvard e mais de 7 mil portadores de visto".

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Disse ainda que planeja entrar com um pedido de ordem de restrição temporária para impedir o Departamento de Segurança interna de realizar a mudança.

Antes, a universidade já havia criticado a decisão do presidente dos EUA. Em comunicado divulgado na noite de quinta-feira (22), o porta-voz da faculdade, Jason Newton, alegou que a medida é ilegal.

“A ação do governo é ilegal. Nós estamos completamente comprometidos a manter a habilidade de Harvard de receber estudantes e professores que vêm de mais de 140 países e enriquecem a universidade – e essa nação– imensuravelmente. Nós estamos trabalhando rapidamente para oferecer orientação e apoio para os membros da nossa comunidade”, disse Newton.

O porta-voz ainda reforçou que a ação ameaça “seriamente” o quadro da instituição, uma vez que 9.970 pessoas que estudam ou trabalham na universidade são estrangeiros. Apenas do ano letivo 2024/25, 6.793 alunos são internacionais (27,2% do total). “Essa ação de retaliação ameaça seriamente ferir a comunidade de Harvard e o nosso país, e prejudica a nossa missão acadêmica”, frisou.

A Universidade de Harvard vem sendo alvo do governo Trump desde abril, quando se recusou a acatar as exigências do presidente. Justificando o combate ao antissemitismo, o republicano pediu a eliminação de programas de diversidade, equidade e inclusão, reformas na contratação e admissão, redução do poder de professores e denúncia de estudantes estrangeiros "hostis aos valores americanos".

A reação da instituição foi condenada pelo Departamento de Educação, que anunciou o congelamento de US$ 2,2 bilhões em subsídios federais destinados à universidade. Um processo na Justiça foi aberto pela faculdade, que alegou que o corte irá prejudicar centenas de pesquisas científicas em andamento.

Ao anunciar a nova medida, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse que a universidade teve “muitas oportunidades de fazer a coisa certa”, mas que continuou “fomentando a violência, o antissemitismo e a coordenação com o Partido Comunista Chinês em seu campus”. Ressaltou, ainda, que a situação deve servir de “alerta para todas as instituições acadêmicas do país”.

“É um privilégio, não um direito, que as universidades matriculem estudantes estrangeiros e se beneficiem de seus pagamentos de mensalidades mais altos para ajudar a aumentar suas dotações multibilionárias. Harvard teve muitas oportunidades de fazer a coisa certa. Mas recusou. Eles perderam a certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio por não cumprirem a lei”, disse.

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