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Governo Trump derruba certificação que permite Harvard aceitar alunos imigrantes

Universidade tem 72 horas para fornecer dados de alunos internacionais para recuperar certificado; Casa Branca acusa instituição de antissemitismo e violência

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Vicklin Moraes
22/05/2025, 20:16 • Atualizado em 23/05/2025, 01:10
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O governo Trump revogou nesta quinta-feira (22) a certificação federal que permite à Universidade de Harvard, em Massachusetts, matricular estudantes estrangeiros. A decisão foi anunciada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e afeta diretamente a autorização concedida pelo Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (SEVP), que permite que universidades patrocinem vistos de estudo para alunos internacionais. Os estudantes que estejam matriculados em Harvard devem se transferir para outras universidades ou deixar o país, pois terão o visto revogado.

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A medida ocorre em meio a uma crescente tensão entre a Casa Branca e Harvard. No último dia 16, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, exigiu que a universidade entregasse registros de estudantes estrangeiros que, segundo ela, poderiam estar envolvidos em atos de violência ou protestos. Harvard se recusou a cumprir a solicitação.

Em sua conta na rede social X (antigo Twitter), Noem acusou a universidade de fomentar antissemitismo e violência, além de ter vínculos com o Partido Comunista Chinês.

“É um privilégio, não um direito, que as universidades matriculem estudantes estrangeiros e se beneficiem de seus pagamentos de mensalidades mais altos para ajudar a aumentar suas dotações multibilionárias. Harvard teve muitas oportunidades de fazer a coisa certa. Mas recusou. Eles perderam a certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio por não cumprirem a lei. Que isso sirva de alerta para todas as universidades e instituições acadêmicas do país”, escreveu.
Publicação de Krist Noem em sua rede social no X | Foto: reprodução: X
Publicação de Krist Noem em sua rede social no X | Foto: reprodução: X

Noem também divulgou a carta enviada à universidade, na qual exige que, para reaver a certificação, Harvard envie, no prazo de 72 horas, todos os registros — incluindo gravações de áudio e vídeo — de estudantes estrangeiros que tenham participado de protestos ou "atividades perigosas" no campus.

Em entrevista à CNN Internacional, Harvard classificou a medida como “ilegal e retaliatória”, e reafirmou seu compromisso com a presença de estudantes e acadêmicos internacionais no campus. Atualmente, Harvard abriga cerca de 6.800 estudantes estrangeiros, o que representa mais de 25% do corpo discente.

"Estamos totalmente comprometidos em manter a capacidade de Harvard de receber estudantes de mais de 140 países, que enriquecem imensamente a universidade e esta nação [..] Essa ação ameaça causar sérios danos à comunidade de Harvard e ao nosso país, além de minar nossa missão acadêmica e de pesquisa”, afirmou a instituição.

O Secretário Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, que estudou em Harvard criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, a educação "não pode ser usada como arma política. E não pode jamais punir aqueles que lutam por um futuro melhor."

"Essa decisão não atinge apenas uma universidade — ela fecha portas para milhares de jovens sonhadores ao redor do mundo. Jovens que, como eu um dia, acreditam que estudar pode mudar uma vida”,disse o secretário.

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