Economia

Dólar sobe com aversão ao risco na abertura após novas ameaças de Trump

Mercados demonstravam pessimismo após presidente dos EUA anunciar que vai impor taxas de 30% sobre México e União Europeia a partir de 1º de agosto

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SBT News, com informações da Reuters
14/07/2025, 13:42 • Atualizado em 14/07/2025, 13:43
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Notas de dólar | 26/01/2023/REUTERS/Athit Perawongmetha

Notas de dólar | 26/01/2023/REUTERS/Athit Perawongmetha

O dólar à vista subiu ante o real nesta segunda-feira (14), conforme os investidores reagiam às mais recentes ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos seus principais parceiros, com dados econômicos do Brasil também no radar.

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Às 9h43, o dólar à vista subia 0,45%, a R$5,5733 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,30%, a R$5,575 na venda.

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo uma modesta aversão ao risco nos mercados globais, o que afetava a moeda brasileira, uma vez que os mercados demonstravam pessimismo após Trump anunciar que vai impor tarifas de 30% sobre o México e a União Europeia a partir de 1º de agosto.

O anúncio ocorreu em meio a outras ameaças feitas pelo presidente norte-americano ao longo da semana passada, que incluiu uma taxa tarifária de 50% sobre produtos brasileiros, afastando as perspectivas otimistas que investidores tinham sobre o fechamento de acordos comerciais.

A expectativa anterior era de que Trump divulgasse pactos comerciais com uma série de parceiros ao longo da última semana, conforme se aproximava o prazo de 9 de julho que ele havia determinado para negociações. O presidente, entretanto, avançou com ainda mais ameaças.

Por outro lado, apesar do pessimismo, os mercados permaneciam cautelosos, sem realizar grandes apostas, já que a Presidência de Trump tem sido marcada por adiamentos e recuos frequentes.

"Nós acreditamos que o governo está usando sua última rodada de escalada nas tarifas para maximizar sua posição de negociação e vai, por fim, reduzir as tensões, especialmente se houver uma nova amostra de volatilidade nos mercados", disseram analistas do banco UBS em nota.

O índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – subia 0,03%, a 97,920.

A divisa dos EUA também avançava ante pares do real, como o peso mexicano e o peso chileno.

Na cena doméstica, o mercado aguarda mais detalhes sobre o posicionamento do governo brasileiro diante da ameaça tarifária de Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse na quinta-feira (10) que vai negociar com os EUA, mas alertou que adotará a reciprocidade caso essas conversas não deem frutos.

Já Trump disse na última sexta (11) que pode conversar com Lula em algum momento, mas "agora não".

Bolsa e índices brasileiros em queda

O Ibovespa operava em queda nos primeiros negócios desta segunda (14), em linha com o movimento negativo dos futuros acionários norte-americanos.

Às 10h09, o Ibovespa perdia 0,31%, a 135.767,9 pontos. O contrato futuro do índice com vencimento mais curto, em 13 de agosto, caía 0,32%.

Na frente de dados, o Banco Central (BC) informou mais cedo, ao divulgar seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que a atividade econômica brasileira interrompeu quatro meses seguidos de expansão e registrou em maio a primeira contração no ano, em resultado bem pior do que o esperado.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), retraiu 0,7% em maio na comparação com o mês anterior, em dado dessazonalizado informado pelo BC.

As atenções também devem se voltar nesta semana para o impasse em torno da tentativa do governo de elevar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O Supremo Tribunal Federal (STF) programou audiência de conciliação para terça (15) entre Executivo e Legislativo.

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