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60% da riqueza de bilionários vêm de herança, favoritismo, corrupção ou monopólios, diz relatório da Oxfam

Estudo revela disparidades econômicas e prevê cinco trilionários em uma década, enquanto pobreza global permanece estagnada desde 1990

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SBT News
24/01/2025, 13:41 • Atualizado em 24/01/2025, 13:50
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60% da riqueza de bilionários vêm de herança, favoritismo, corrupção ou monopólios, diz relatório da Oxfam

A riqueza acumulada pelos bilionários cresceu três vezes mais rápido em 2024 do que no ano anterior, segundo um relatório da organização não-governamental Oxfam. O documento, lançado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, alerta para a concentração de riqueza e as disparidades econômicas que impactam o Sul Global.

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Em 2024, a fortuna total dos bilionários aumentou em US$ 2 trilhões, com a criação de 204 novos bilionários – quase quatro por semana. Para os dez mais ricos, a fortuna individual subiu cerca de US$ 100 milhões por dia. Se as tendências atuais continuarem, estima-se que haverá cinco trilionários em uma década.

“A captura da nossa economia global por um seleto grupo privilegiado atingiu níveis antes inimagináveis. A falha em deter os bilionários agora está gerando futuros trilionários. Não apenas a taxa de acumulação de riqueza dos bilionários acelerou – três vezes – mas também seu poder”, disse Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.

O relatório da Oxfam destacou também dados que ilustram a concentração de riqueza dos dez homens mais ricos do mundo. Segundo a organização, alcançar esse nível de riqueza é impossível para o cidadão comum. A Oxfam fez um cálculo que mostra que mesmo que os primeiros seres humanos do mundo, nascidos há 315.000 anos, guardassem US$ 1.000 por dia, ainda assim não conseguiriam ter a mesma fortuna que um dos dez bilionários mais ricos.

O relatório mostra ainda que, se qualquer um dos 10 bilionários mais ricos perdesse 99% de sua riqueza, ainda seria bilionário.

Enquanto isso, os dados do Banco Mundial mostram que o número de pessoas vivendo na pobreza permanece próximo ao registrado em 1990, com 3,6 bilhões de pessoas sobrevivendo com menos de US$ 6,85 por dia. Em contraste, o 1% mais rico detém 45% de toda a riqueza mundial.

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O relatório também aponta que 60% da riqueza dos bilionários é proveniente de herança, favoritismo, corrupção ou monopólios. Em 2023, pela primeira vez, mais bilionários foram criados por herança do que por empreendedorismo.

Citando uma pesquisa da Forbes, o relatório revela que todos os bilionários com menos de 30 anos herdaram sua riqueza, enquanto estima que mais de 1.000 dos bilionários atuais passarão mais de US$ 5,2 trilhões para seus herdeiros nas próximas duas a três décadas.

Muitos dos super-ricos, particularmente na Europa, devem parte de sua riqueza ao colonialismo histórico e à exploração de países mais pobres, afirma a Oxfam.

“Os super-ricos gostam de nos dizer que ficar rico exige habilidade, determinação e trabalho árduo. Mas a verdade é que a maioria da riqueza é tomada, não criada. Muitos dos chamados 'autodidatas', na verdade, são herdeiros de vastas fortunas, passadas por gerações de privilégio imerecido. Bilhões de dólares não tributados em heranças são uma afronta à justiça, perpetuando uma nova aristocracia onde a riqueza e o poder permanecem nas mãos de poucos”, afirma Amitabh Behar.

Outro destaque do estudo é a desigualdade nos sistemas globais: cidadãos belgas têm 180 vezes mais poder de voto no Banco Mundial do que cidadãos etíopes, por exemplo. Além disso, o Sul Global transfere cerca de US$ 30 milhões por hora para o 1% mais rico do Norte Global.

Enquanto o 1% mais rico do mundo recebe 20 centavos de cada dólar de renda global, os 50% mais pobres ficam com apenas 8 centavos. Essa disparidade é apontada pela Oxfam como um grande obstáculo para o progresso econômico e social global.

O Banco Mundial estima que, se a desigualdade persistir, será necessário mais de um século para eliminar a pobreza. Entretanto, se a desigualdade de renda fosse reduzida em apenas 2% ao ano, o tempo necessário para eliminar a pobreza extrema cairia de 60 para 20 anos.

Um mundo mais igualitário é essencial para acabar com a pobreza, oferecer qualidade de vida a todos e preservar o planeta, afirma o relatório da Oxfam, que sugere ações para combater desigualdades. Como:

  • Estabelecer metas para reduzir a desigualdade global;
  • Reparar os impactos do colonialismo histórico;
  • Tributar grandes fortunas para frear o crescimento da riqueza extrema;
  • Promover cooperação entre países do Sul Global.

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