Cão Orelha: MPSC pode pedir exumação do animal por falta de imagens da agressão
Medida busca esclarecer lacunas na investigação sobre a morte do cachorro comunitário em Florianópolis

Clayton Ramos
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) avalia pedir à Justiça a exumação do corpo do cão Orelha para a realização de novos exames periciais. A iniciativa é considerada diante da ausência de imagens que mostrem, de forma direta, o momento das agressões.
O cachorro comunitário morreu após sofrer agressões em Florianópolis, e, segundo o MP, a medida pode ajudar a esclarecer pontos ainda sem resposta na investigação.
De acordo com o Ministério Público, a retirada dos restos mortais permitiria análises técnicas mais detalhadas para identificar a causa da morte e possíveis sinais de maus-tratos.
Na semana passada, o inquérito policial indicou um adolescente como suspeito de agredir o animal. Além disso, três adultos da família dele foram indiciados por suposta coação contra um porteiro que teria testemunhado o crime.
As gravações analisadas até agora não registram o momento em que o cachorro foi maltratado. Por isso, o Ministério Público busca alternativas para aprofundar a apuração e reconstruir, com maior precisão, os acontecimentos que teriam levado à morte do cachorro.
A eventual solicitação de exumação ainda será analisada no âmbito judicial. O MP afirma que seguirá adotando todas as medidas legais necessárias para esclarecer o caso e responsabilizar os envolvidos, caso as agressões sejam confirmadas.
Sobre a morte do cão Orelha
Orelha viveu por cerca de 10 anos nos arredores da Praia Brava e era cuidado de forma coletiva pela comunidade. Moradores se revezavam na alimentação, na limpeza das casinhas improvisadas, na troca de cobertores e no acompanhamento do dia a dia do animal, que se tornou parte da rotina do bairro.
No início do mês, após desaparecer por dois dias, o cão comunitário reapareceu gravemente ferido. Ele foi resgatado e levado para atendimento veterinário, mas, diante da gravidade das lesões e do sofrimento, precisou ser sacrificado. Exames e avaliações descartaram atropelamento e apontaram que os ferimentos foram causados por agressões.
Segundo a investigação inicial, o cão foi vítima de violência cometida por quatro adolescentes. Dois deles estavam em Santa Catarina e os outros dois nos Estados Unidos (EUA), em uma “viagem programada”, sendo apreendidos no dia 29 de janeiro.
A polícia realizou buscas nas casas dos adolescentes envolvidos na agressão. Em uma das residências, foi encontrada uma porção de droga. Além disso, foram apreendidos celulares e telefones.
A investigação segue em sigilo.









