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Laringe, olho inteiro, coração de porco: há uma "revolução" nos transplantes?

Médico ouvido pelo SBT News responde dúvidas sobre novas modalidades que pretendem dar mais qualidade de vida para pacientes

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Emanuelle Menezes
25/11/2023, 23:20 • Atualizado em 02/12/2023, 20:59
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equipe cirurgica do NYU Langone Health

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Novas modalidades de transplantes têm revolucionado a medicina nos últimos tempos. Já imaginou conseguir recuperar a sua voz após um transplante de laringe, ou ter a possibilidade de voltar a enxergar depois de receber um olho inteiro novinho? Os médicos não só imaginaram como conseguiram.

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Em 2023, notícias sobre um homem norte-americano, de 58 anos, que recebeu um coração de porco geneticamente modificado, foram muito comemoradas pelos cientistas de todo mundo. Nos últimos meses, se somaram a essa "revolução dos transplantes" uma francesa, de 49 anos, que voltou a falar depois de um transplante de laringe, e um operário, de 46 anos, que recebeu o primeiro transplante de olho inteiro feito em um ser humano.

Para Wellington Andraus, médico coordenador do Serviço de Transplante de Fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, essas novidades estão todas relacionadas a um novo olhar dos médicos, que passaram a não só tentar salvar ou manter a vida do paciente, mas também prezar pela qualidade de vida dele.

"O que adianta a pessoa às vezes estar vivendo se a qualidade de vida for muito ruim? Isso passou a ser questionável e, com a melhora dos resultados, o transplante tem essa aplicabilidade, com essas novas modalidades", diz o professor da USP.

O SBT News fez 4 perguntas para o médico, com curiosidades sobre o assunto. Confira abaixo:

1. Esses transplantes diferentões vão se tornar mais comuns?

Wellington Andraus acredita que sim. Para ele, esses transplantes que visam a melhora de pacientes que estão com uma péssima qualidade de vida vão ser mais comuns, graças à melhora da tecnologia e também a medicamentos mais avançados.

2. Eles são mais passíveis de rejeição?

O médico, que coordena o Serviço de Transplante de Fígado do Hospital das Clínicas de São Paulo, faz uma comparação entre esses transplantes inovadores e outros já mais consolidados. Enquanto o fígado tem menos possibilidade de rejeição, um transplante de intestino ou multivisceral já tem um risco muito maior.

As novas modalidades de transplante estariam, segundo ele, em um nível intermediário. Para aumentar a chance de sucesso, medicamentos (tanto os mais novos como os de longa data), exames diagnósticos e o uso da tecnologia, como uma plataforma robótica que torna a cirurgia menos invasiva, são os aliados tanto dos médicos quanto dos pacientes.

"A tecnologia, alguns medicamentos e até o melhor entendimento de que a gente tem que não só salvar vida, mas melhorar muito a qualidade de vida de pacientes, têm grande impacto", afirma Wellington Andraus.

3. Essa revolução vai chegar no Brasil?

O Brasil tem essa perspectiva, diz o professor da USP. "Somos um país forte nos transplantes, de uma maneira geral. Em números absolutos, a gente é um dos maiores do mundo e temos avançado bastante nos transplantes", diz.

O país foi pioneiro no transplante uterino, por exemplo. Foi aqui que, pela primeira vez na história, uma mulher recebeu um útero de uma doadora falecida. O procedimento foi bem-sucedido.

Entre os transplantes que o doutor Andraus acredita que devem começar a ser feitos no Brasil, além da ampliação dos transplantes de útero, estão os de face, mão e bexiga.

4. É possível receber o órgão de um animal?

O xenotransplante, como é chamado o transplante de órgãos de animais para seres humanos, tem sido alvo de pesquisas médicas já há muitos anos. Porcos geneticamente modificados, com órgãos como rins e coração mais compatíveis com o sistema imunológico de humanos, são a esperança da comunidade científica para acabar com as filas de espera de transplantes.

O doutor Andraus acredita que o avanço já é grande. David Bennett, de 57 anos, primeiro paciente a receber um coração de porco, sobreviveu cerca de dois meses com o órgão modificado geneticamente batendo em seu peito. Lawrence Faucette, de 58 anos, foi o segundo a passar pelo xenotransplante e morreu após seis semanas.

"Já houve um avanço grande. A gente está mais perto, talvez ainda tenham algumas barreiras, algumas dificuldades, mas a gente está bem perto de ter uma grande disponibilidade de órgãos provenientes de animais modificados geneticamente", diz o médico ouvido pelo SBT News.

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