Veja como era um campo de concentração nazista na Polônia
SBT visitou o campo de Majdanek, que chegou a ter 13 mil homens e quase 11 mil mulheres.

SBT News
O SBT foi ver de perto os estragos que a Alemanha nazista fez na Polônia. Na reportagem desta 3ª feira (26.set), você vai conhecer o campo de Majdanek, a poucos metros da cidade de Lublin.
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A contagem dos mortos nunca foi feita com precisão. Na pior época, seis mil pessoas chegaram a ser assassinadas por dia. O campo é um dos mais intactos da Segunda Guerra Mundial.
A cerca de arame farpado separa até hoje a cidade de Lublin do campo de Majdanek. O local, feito para abrigar prisioneiros soviéticos, virou um campo de trabalho forçado e de extermínio durante a Segunda Guerra Mundial, e chegou a ter 13 mil homens e quase 11 mil mulheres.
Os prisioneiros eram levados para um barraco, onde deixavam tudo o que tinham. De lá, judeus, poloneses, ucranianos e bielorrussos iam para outro galpão, onde primeiro tinham os cabelos cortados e depois iam para uma sala, passavam por tanques e depois pelos chuveiros - de onde saia ou água muito quente, ou água muito fria.
Com frio e com fome, homens e mulheres passavam os dias como escravos. Alguns saíam para trabalhar em fábricas na cidade, outros encaravam o trabalho pesado na agricultura. E ainda tinha quem trabalhasse para a ampliação dos próprios barracões. Os nazistas queriam dobrar a capacidade do campo de 25 mil para 50 mil pessoas./
Os presos tomavam um chá de ervas de manhã, comiam uma sopa rala no almoço e, à noite, recebiam um pãozinho, conta a guia.
Por pouco, Jorge Weisef, hoje com 90 anos, não foi parar em um desses campos. Judeu, nascido em Budapeste, na Hungria, ele ainda era criança quando começou a guerra: "a minha mãe mandou alguém me tirar. Quem veio foi um nazista, vestido de nazista húngaro, mas era um rapaz judeu que me tirou e me levou de volta no prédio onde eu morava".
De esconderijo em esconderijo, ele foi sobrevivendo: "o tiroteio era cada vez mais perto, porque a frente estava cada vez mais perto e, um dia, entrou um tiro de canhão. Aí, parede caiu em cima da gente, fiquei lá por 3 dias".
Dias enfrentando o nazismo, depois, o comunismo. Com todas as dificuldades, Jorge formou-se em física e escolheu fugir para o Brasil. A guerra deixou marcas: 'eu tenho medo de não poder comer, então toda vez que vou ao supermercado, eu não compro uma unidade, eu compro dois. Porque quando um acaba, não me falta outro".
Vida difícil fora dos campos, vida impossível dentro deles. Em Majdanek, os galpões, em que cabiam 250 pessoas, chegaram a abrigar quase mil. Cobertores finos eram usados como colchões. Nessas condições, muitos adoeciam. 1uem não dava conta do trabalho ia para as câmaras de gás.
O monóxido de carbono era só uma das formas de matar. As manchas azuis mostram que os nazistas também usavam pesticida nos assassinatos em massa. A guia conta que chegavam a ligar um caminhão do lado de fora para que o barulho não deixasse que os gritos chegassem aos ouvidos de quem ainda estava vivo.
A crueldade não parava por aí: a mulher de um dos comandantes de lá transformava vítimas em objetos de decoração, ela colecionava tatuagens dos prisioneiros para fazer cúpulas de abajur e capas de livro.
Ilse Koch ficou conhecida como a bruxa de Bruchenwald, campo pelo qual passou antes de chegar a Majdanek. Foi presa duas vezes e acabou se suicidando aos 60 anos. Teve quase nenhuma ou pouca participação em Majdanek, mas a ausência dela não impediu mais atrocidades.
Por um buraco, os guardas checavam se o assassinato tinha dado certo. Até 110 presos se espremiam em uma sala de apenas 17 metros quadrados. Os corpos eram transportados até o crematório em carroças. Nenhum deles chegava ao forno para ser incinerado sem antes passar por uma cama de concreto. Os nazistas avaliavam se ainda havia algum ouro nos dentes. Cinco fornos trabalhavam sem parar.