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Conheça a história do Talibã e o que esperar do governo no Afeganistão

Formado em 1994, grupo extremista volta ao poder após quase 20 anos de guerra com os Estados Unidos

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SBT News
17/08/2021, 13:30 • Atualizado em 30/10/2023, 23:21
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Grupo tomou o poder do país no último dia 15, após a fuga do presidente afegão

Grupo tomou o poder do país no último dia 15, após a fuga do presidente afegão

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Países do mundo inteiro entraram em estado de alerta após o grupo extremista Talibã voltar a controlar o governo do Afeganistão no último domingo (15.ago), após 20 anos longe do poder. Os confrontos ocorreram principalmente devido à retirada gradual das tropas militares norte-americanas do país, que invadiram o território em 2001 depois dos ataques de 11 de setembro com o intuito de evitar futuras atividades terroristas.

Apenas em pouco mais de uma semana, o grupo fundamentalista islâmico conquistou diversas cidades pelo país até chegarem na capital, Cabul, e ocuparem o palácio presidencial -- oficializando, assim, a volta ao poder.

+ Aeroporto de Cabul registra tumulto de afegãos para deixar o país 

História do Talibã

A organização foi formada em 1994 por ex-combatentes da resistência afegã que lutaram contra as forças invasoras soviéticas na década de 1980. O grupo, que é considerado extremista da religião islâmica, tomou o poder do Afeganistão em 1996, após conquistarem a capital, Cabul, e permaneceram no comando até 2001.

Mesmo com o antigo governo sendo islâmico, os integrantes do grupo viam as leis de maneira diferente da grande maioria dos mulçumanos e estabeleceram um regime mais rígido. Muitas das regras se voltavam às mulheres, que não tinham o direito de frequentar escolas e não podiam trabalhar, além de serem obrigadas a usar burcas -- vestimenta que cobre o corpo inteiro incluindo os olhos. Televisão, música e feriados não islâmicos também foram proibidos e o sistema judicial era realizado através de execuções públicas, apedrejamento e chicotadas. Na época, o governo Talibã foi reconhecido como legítimo por apenas três nações: Emirados Árabes, Arábia Saudita e Paquistão.

Tudo mudou após os ataques terrorista de 11 de setembro de 2001, quando 19 homens sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos e lançaram dois nas torres de World Trade Center (Torres Gêmeas), em Nova York, um no Pentágono, em Washington, e outro na Pensilvânia, matando cerca de 2.700 pessoas.

O atentado foi orquestrado pelo líder do grupo radical islâmico Al-Qaeda, Osama bin Laden, que operava de dentro do Afeganistão. Poucas semanas depois dos ataques, as tropas militares dos Estados Unidos e as forças aliadas invadiram o território afegão, com objetivo de capturar os responsáveis pelos atentados e impedir o Talibã de fornecer um porto seguro para integrantes da AI-Qaeda, além de evitar futuras ações terroristas. Mesmo assim, o Talibã continuou a reunir membros e a planejar combates contra as forças aliadas e o governo afegão.

Em fevereiro de 2020, o então presidente dos Estados Unidos Donald Trump firmou um acordo com o Talebã para a retirada das tropas militares norte-americanas do Afeganistão com a premissa de o grupo extremista não atacar os integrantes das forças internacionais. A saída das tropas foi adiada, mas, quando tomou posse em janeiro deste ano, Joe Biden declarou que daria continuidade e cumpriria o acordo já estabelecido.

+ Biden afirma que não se arrepende de ter tirado tropas do Afeganistão 

O que pode acontecer com o Afeganistão?

A única referência que temos do governo Talibã foi o da época de 1996, quando a Sharia (lei religiosa) em suas formas mais estritas estava em vigor no país. No entanto, com apenas dois dias de comando, os cidadãos locais já sentem as mudanças e sofrem com a incerteza de uma vida livre e segura.

Mulheres voltaram a usar as burcas, cobrindo até os olhos, professores se despediram de suas alunas e muitas funcionárias se demitiram de seus empregos. No domingo (15.ago), homens cobriram com tinta as imagens de mulheres pintadas em um muro na capital.

A ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, expressou sua preocupação com as mulheres afegãs. Pelas redes sociais, a ativista pediu ajuda humanitária para o país ressaltando que "as potências globais, regionais e locais devem exigir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis".

Em declaração à BBC, o porta-voz do grupo extremista, Suhail Shaheen, afirmou que o Talibã não se vingará dos residentes e pretende manter os direitos das mulheres, apesar dos relatos registrados. Segundo ele, as propriedades e a vida da população estão asseguradas, principalmente no que tange aos residentes de Cabul. Shaheen afirma ainda que a liberdade para os profissionais de mídia e diplomatas também será mantida.

Para os próximos dias, os líderes do G7 devem realizar uma reunião virtual para discutir a situação no Afeganistão. Segundo comunicado de Downing Street, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o presidente francês Emmanuel Macron concordaram que as nações devem trabalhar juntas com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para garantir "uma abordagem unificada" e "resolução conjunta" para a situação.

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