STJ mantém prisão de ex-presidente do Rioprevidência alvo de operação da PF
Decisão aponta risco de obstrução das investigações, cita movimentações suspeitas e transferências de bens; autarquia investiu quase R$ 1 bilhão no Banco Master


Anita Prado
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência investigado por suspeitas de fraudes em investimentos do fundo previdenciário estadual no Banco Master. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (19) e nega um recurso da defesa que pedia a liberdade do investigado.
Deivis é um dos principais alvos da operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar irregularidades em aplicações financeiras feitas pelo Rioprevidência. Segundo as investigações, cerca de R$ 1 bilhão foram investidos no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024 — operações consideradas de alto risco e sem garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A operação teve como base um relatório da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência, que apontou possíveis falhas graves na gestão dos recursos. Segundo a PF, Deivis é suspeito de crimes como gestão fraudulenta, desvio de dinheiro, fraude à fiscalização e corrupção.
As investigações também indicam que, durante a gestão de Deivis e outros diretores, foram realizadas ao menos nove aplicações no banco, colocando em risco recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores do estado do Rio.
Deivis foi preso no dia 3 de fevereiro durante a segunda fase da operação, logo após retornar dos Estados Unidos. Ele foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal em Itatiaia, no Sul Fluminense, enquanto seguia de carro de São Paulo para o Rio.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o ex-presidente tentou obstruir as investigações. Imagens de câmeras de segurança mostram a retirada de documentos e objetos de um apartamento ligado a ele, antes do cumprimento de mandados de busca e apreensão. Esses elementos foram determinantes para a decisão do STJ. O ministro relator entendeu que há risco concreto de interferência na apuração, o que justifica a manutenção da prisão.
Na decisão, o tribunal também destaca que houve apagamento de imagens de câmeras de segurança, movimentação considerada suspeita de malas e caixas entre imóveis e indícios de reorganização patrimonial, como a transferência de bens de alto valor. Deivis deixou o comando do Rioprevidência no dia 23 de janeiro, após a primeira fase da operação.
A defesa de Deivis Marcon Antunes foi procurada, mas até o momento não se pronunciou.









