Saída de Toffoli vira esperança de liberdade para defesa de Vorcaro
Ministro era visto como voto a favor da manutenção da prisão, até como forma de negar qualquer envolvimento com o banqueiro


Amanda Klein
A declaração de suspeição do ministro do STF, Dias Toffoli - tirando o magistrado do julgamento que decidirá se o dono do Master, Daniel Vorcaro, continuará ou não preso - é um fio de esperança para aliados do banqueiro. Toffoli era visto como voto a favor da manutenção da prisão, até como forma de negar qualquer envolvimento com o banqueiro.
A ordem de prisão preventiva de Vorcaro será julgada pela Segunda Turma do STF em plenário virtual, desta sexta-feira (13) até sexta que vem (20). Segundo aliados do dono do Master, com Toffoli fora da jogada, sobram quatro ministros para convencer. Os advogados já estiveram nos gabinetes de todos eles. Mas o que cada magistrado pensa é uma incógnita.
Segundo esses aliados, a dissidência em favor da soltura do banqueiro teria que vir de alguém de peso, como o decano Gilmar Mendes, possivelmente seguido por Kassio Nunes Marques. Nesse cenário hipotético, o relator do caso Master, André Mendonça, manteria a prisão e seria acompanhado por Luiz Fux. O empate beneficia o réu, que seria solto.
É um exercício de raciocínio. Um tiro no escuro. Todos estão cientes do clima político que pesa contra o banqueiro e o Supremo Tribunal Federal, imerso em uma crise de credibilidade e preocupado com a própria sobrevivência.
O mais urgente, para esse entorno, é tirar Vorcaro da Penitenciária da Papuda. A defesa negou publicamente a discussão sobre delação premiada. Até porque ainda é um estágio muito embrionário. Os advogados não sabem sequer as acusações que pesarão contra o cliente em eventual denúncia, se somente fraude ou também corrupção e organização criminosa.
A investigação por fraude poderia eventualmente ser devolvida à primeira instância. Até chegar aos tribunais superiores, o clima político no país seria outro. Eles ganham tempo.
Outro enigma é o que vai surgir dos celulares do entorno de Vorcaro, inclusive do cunhado, Fabiano Zettel. Por isso, a delação não é completamente descartada, mas tampouco é a tática principal dos advogados que, por enquanto, insistem na defesa clássica.









