Moraes marca interrogatório de Eduardo Tagliaferro para 28 de abril
Ex-assessor terá defesa feita pela Defensoria Pública da União após falha de advogados; audiência anterior foi anulada


Jessica Cardoso
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para o dia 28 de abril, às 14h, o interrogatório de Eduardo Tagliaferro no processo em que ele é acusado de vazar mensagens do gabinete. A oitiva será realizada por videoconferência, segundo despacho assinado na segunda-feira (13).
A audiência faz parte da fase de instrução do processo, etapa em que são colhidos depoimentos e esclarecimentos antes do julgamento. Além do interrogatório de Tagliaferro, também serão ouvidas cinco testemunhas indicadas pela acusação.
Tagliaferro mora atualmente na Itália e não é obrigado a comparecer ou responder às perguntas.
Defesa e anulação de audiência
A nova data foi definida após Moraes anular uma audiência anterior, realizada em 17 de março. Na ocasião, nem o réu nem seus advogados compareceram.
A Defensoria Pública da União (DPU), chamada de última hora para atuar no caso, apontou problemas que poderiam prejudicar a defesa, como o curto prazo para se preparar e a falta de intimação prévia para que o réu indicasse novos advogados.
Diante disso, Moraes considerou que houve prejuízo ao direito de defesa e anulou todos os atos daquela audiência, incluindo os depoimentos já colhidos.
O ministro também determinou que Tagliaferro regularizasse sua representação no processo, ou seja, confirmasse quem faria sua defesa. Como os advogados não cumpriram essa exigência dentro do prazo, a DPU foi oficialmente designada para assumir o caso.
Acusações
Tagliaferro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto de 2025. Ele é acusado de divulgar informações sigilosas obtidas quando atuava como assessor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no STF.
A denúncia inclui crimes como violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O ex-assessor se tornou réu em novembro de 2025 por decisão da Primeira Turma do STF.








