Justiça de SP suspende PM investigada por disparo que matou mulher na zona leste
Policial Yasmin Cursino Ferreira enfrentará restrições, como proibição de portar arma, enquanto se apura possível excesso de força

Agência SBT
A Justiça de São Paulo determinou nesta quinta-feira (23) a suspensão da policial militar Yasmin Cursino Ferreira, investigada pelo disparo que matou Thawanna da Silva Salmázio durante uma intervenção na zona leste da capital paulista. O caso ocorreu na madrugada de 3 de abril.
A decisão foi tomada no âmbito das investigações que apuram a conduta da agente, especialmente para verificar se houve excesso no uso da força e eventual responsabilidade criminal.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a policial deverá cumprir uma série de restrições enquanto o caso é investigado. Entre as medidas estão a proibição de portar arma de fogo, de manter contato com testemunhas ou familiares da vítima e de deixar a comarca sem autorização judicial.
Além disso, Yasmin deverá cumprir recolhimento domiciliar entre 22h e 5h. As medidas foram solicitadas pela polícia e tiveram concordância do Ministério Público.
Promoção recente chama atenção
A suspensão da policial militar Yasmin Cursino Ferreira ocorreu cerca de uma semana após a publicação no Diário Oficial que indicava sua mudança para soldado do 28º Batalhão da Polícia Militar, o que chamou atenção no andamento do caso.
Até então, Yasmin atuava como aluno-soldada, função considerada uma espécie de estágio probatório, mas já com características de vínculo público.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) esclareceu que não houve promoção. Segundo o órgão, a alteração decorre de uma nova legislação que mudou a estrutura da carreira.
De acordo com a SSP, a Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026, extinguiu a divisão entre soldados de 1ª e 2ª classe, unificando a graduação na nomenclatura única de “Soldado PM”. Com isso, policiais que estavam na antiga 2ª classe passaram automaticamente a ter equiparação salarial e mudança de classificação.
“A Polícia Militar esclarece que não houve qualquer promoção da policial citada, que permanece afastada de suas funções. A recente publicação reflete apenas o cumprimento da Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026”, afirmou a secretaria em nota.
Relembre o caso
A tragédia ocorreu na madrugada de 3 de abril, no bairro Cidade Tiradentes. Segundo testemunhas, duas viaturas da Polícia Militar perseguiram dois homens em uma moto perto de um baile funk quando os agentes se desentenderam com Thawanna e o marido, Luciano, que estavam em um grupo de pessoas.
Os policiais teriam provocado o grupo e chegado a "jogar o veículo para cima da mulher e o do marido dela", de acordo com uma testemunha. Após Thawanna questionar a ação, a confusão escalonou para uma discussão com troca de ofensas e tapas. Então, em dado momento, Yasmin sacou uma arma e atirou.
Testemunhas denunciaram que os policiais não deixaram Thawanna ser socorrida em um primeiro momento. Luciano contou que pedia para chegar perto da esposa, mas que os policiais não permitiram e o mantiveram afastado enquanto ele pedia ajuda. Baleada na barriga, a vítima ficou caída no meio da rua por cerca de 40 minutos.
Thawanna foi levada ao hospital e passou por cirurgia, mas não resistiu. Luciano relatou que só soube da morte depois de prestar depoimento na delegacia. O caso foi registrado como resistência à prisão contra Thawanna e a morte foi citada como "comunicação de óbito"; Yasmin foi liberada.
O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.
Os órgãos apuram as circunstâncias da morte e se houve irregularidades na atuação da policial. No momento da ocorrência, a agente não utilizava câmera corporal, o que também é analisado pelos investigadores.
As investigações seguem em andamento e podem resultar em novas medidas judiciais.









