Justiça

Em audiência de custódia, Jefferson fala em "milícia judicial"

Preso após jogar granadas e disparar mais de 50 vezes contra PF, ex-deputado volta a atacar ministros do STF

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Ricardo Brandt
25/10/2022, 19:50 • Atualizado em 31/10/2023, 11:13
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O ex-deputado Roberto Jefferson voltou a atacar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao ser ouvido em audiência de custódia, após sua prisão. Alvo de processo e preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) neste domingo (23.out), após jogar três granadas e disparar mais de 50 tiros de fuzil contra os policiais.

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"Ele (Alexandre de Moraes) diz que eu faço parte de uma milícia digital, mas eu acho que ele faz parte de uma milícia judicial no STF, por isso nós temos problemas. Ele mandou a Polícia Federal na minha casa 4 vezes", afirmou Jefferson na audiência de custódia, realizada nesta 2ª feira (24.out), às 16h. 

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Roberto Jefferson foi ouvido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Ele foi preso no domingo (23.out) por ordem do STF, no processo que apura as milícias digitais. Após resistir à prisão, jogando granadas e disparando tiros de fuzil contra a Polícia Federal (PF), em sua residência em Comendador Levy Gasparian (RJ), ele foi detido em flagrante e indiciado nesta 2ª feira (24.out) por quatro tentativas de homicíoio. Um delegado e uma agente da PF ficaram feridos com estilhaços.

No depoimento, o ex-deputado disse que Moraes tem um "problema pessoal" com ele e que sua relação com o ministro "não é uma coisa de juiz jurisdicionado, virou de homem para homem".

"O ministro Alexandre (de Moraes) montou uma delegacia de polícia e uma Gestapo no seu gabinete", Roberto Jefferson.

A nova ordem de prisão de Jefferson, que estava preso em regime domiciliar devido ao seu quadro de saúde, dada por Moraes decorre do descumprimento de ordens do STF. Além de se reunir com políticos, dar entrevistas e determinar ações políticas - o que estava proibido -, ele voltou a atacar ministros, em especial a ministra Cármen Lúcia. Em vídeo publicado nas redes sociais de internet, o ex-deputado chamou a ministra de "prostituta" e "arrombada". 

Nesta 2ª, ao ser ouvido, ele voltou a falar sobre o assunto e, mais uma vez, voltou a atacar. "Fiz um comentário mais duro contra o voto escandaloso da ministra Cármen Lúcia. Quero pedir desculpas às prostitutas pela má comparação, porque o papel dela (Cármen Lúcia) foi muito pior, porque ela fez muito pior, com objetivos ideológicos, políticos. As outras fazem por necessidade."

O advogado João Pedro Coutinho Barreto, que defendeu Jefferson, afirmou que o ex-deputado "é um preso político". "Preso preventivamente pela autoridade judicial supostamente competente, sem nunca ter prestado qualquer tipo de esclarecimento."

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Mortos

Jefferson detalhou no seu depoimento ao STF como reagiu com disparos e granadas à ação da PF, que cumpria ordem judicial. 

"Tive três oportunidades para matá-lo, pois ele esteve na minha mira. Dei 50 tiros no para-brisa do carro, na tampa do capô e no pneu. Fiz isso conscientemente. Não atirei em nenhum policial para ferir ou matar. Se eu assim desejasse, estariam todos mortos."

O ex-deputado filmou a chegada da PF e a viatura alvejada, nas imagens das câmeras de segurança de sua residência. Ao STF, ele afirmou ser um "hábil atirador". "Atiro há 50 anos, tenho curso de especialização, com o pessoal da SWAT e da SEAL. (..) Eu faço 500 disparos por semana e sei atirar. Eu teria atirado nos quatro policiais se eu tivesse a intenção de feri-los."

Na avaliação de especialistas, o ex-deputado não poderia ter armas em casa. Elas estavam registradas como de posse de CAC, sigla usada para: colecionador, atirador desportivo e caçador. Na casa de Roberto Jefferson, a PF encontrou um arsenal. 

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