Caso Flordelis: relembre trama envolvendo a morte de Anderson do Carmo
Pastor foi morto a tiros na garagem de casa em junho de 2019
SBT News
A trama que levou à cassação do mandato da ex-deputada federal Flordelis e agora está em julgamento teve origem em 2019, quando seu marido, o pastor Anderson do Carmo, de 42 anos, foi morto a tiros na garagem da casa onde a família morava, em Pendotiba, no Rio de Janeiro. Acusada de ser mandante do assassinato, Flordelis será julgada em maio, mas a apuração sobre o crime está na Justiça. Até o momento, seis pessoas foram condenadas pelo Tribunal do Júri de Niterói, incluindo filhos biológicos e afetivos.
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Inicialmente, a ex-deputada chegou a alegar uma suposta tentativa de assalto, hipótese que aos poucos foi afastada pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, responsável pelas investigações. Com a revelação de novos fatos e laços familiares, os agentes foram descobrindo eventos complexos, envolvendo brigas por dinheiros, traições e tentativas de envenamento.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio, alguns depoentes alegaram que o casal estava enfrentando desavenças por motivos financeiros, o que estava deteriorando a relação de ambos. Durante julgamento no ano passado, por exemplo, Wagner Andrade Pimenta (filho de Flordelis) afirmou que a mãe foi a mandante do assassinato de Anderson e ainda revelou que ela teria dito que "aqui não tem luto" ao se referir a uma possível tristeza pela perda do marido.
A ex-deputada, no entanto, admitiu saber de um plano para assassinar o marido, mas afirmou que não estava agregada na ameaça. Em sessão no Conselho de Ética da Câmara, ela chorou ao dizer que duas de suas filhas estavam à frente do assassinato do pastor. "Eu ainda não tive coragem de ouvir a confissão toda da minha filha, mas eu fiquei sabendo que ela falou que mandou matar meu marido. Isso não está certo, não era esse o caminho que ela tinha que tomar. Eu sou a favor da vida", declarou.
A fala foi confirmada por Simone dos Santos Rodrigues, que afirmou ter entregado R$ 5 mil à irmã Marzy Teixeira para que Anderson fosse assassinado, mesma versão que havia dado à Justiça. No depoimento, ela também alegou que decidiu matar o pai devido a casos de assédio e supostas "investidas" por parte do pastor. Simone afirmou ainda que Flordelis não teve envolvimento na ordem da execução.
No decorrer da investigação, a polícia também descobriu que, por pelo menos seis vezes, alguns dos 55 filhos de Flordelis tentaram envenenar Anderson com arsênico. Investigadores comprovaram que os jovens fizeram pesquisas na internet sobre venenos que teriam sido colocados em sucos e pratos servidos ao pastor - misturados a porções de feijão, a molho de macarrão e a sobremesas. No total, ele foi internado cinco vezes com problemas digestivos.
Segundo os agentes, a família ainda tentou forjar dois latrocínios (roubo seguido de execução). O último resultou na morte de Anderson. Como autor dos disparos, o Tribunal do Júri de Niterói condenou Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis, após a arma do crime ser encontrada durante um mandado de busca e apreensão na casa da família.
O julgamento do caso Flordelis
Após mais de 22h desde o início do julgamento, novas quatro pessoas foram condenadas por envolvimento na morte de Anderson. Em decisão divulgada nesta 4ª feira (13.abr), três dos réus responderão a crimes como falsidade ideológica e associação criminosa. Nenhum deles foi culpado diretamente pelo assassinato do pastor.
O Tribunal do Júri de Niterói definiu que o filho biológico de Flordelis, Adriano dos Santos Rodrigues, vai ficar preso por quatro anos e seis meses por uso de documento falso e falsidade ideológica. Ele teria ajudado Flordelis a criar uma carta falsa, na qual um outro filho da ex-deputada, Lucas César dos Santos de Souza, assumiu a autoria do assassinato do pastor.
Já Carlos Ubiraci Francisco da Silva, filho adotivo de Flordelis, foi absolvido do crime de homicídio triplamente qualificado, pois, segundo a promotoria, não há provas de que ele colocava veneno na comida de Anderson. No entanto, vai responder por dois anos, dois meses e 20 dias em regime semiaberto por associação criminosa.
O ex-policial militar Marcos Siqueira Costa e a esposa Andrea Santos Maia foram condenados por associação criminosa e uso de documento falso. Marcos vai ficar preso por cinco anos e 20 dias e ainda vai pagar multa. Já sua esposa vai ficar por quatro anos e três meses na prisão, além do pagamento da multa. Segundo a Justiça, tanto ela como o marido ajudaram a ex-deputada no episódio da carta falsa.
Na segunda fase do julgamento, marcada para maio, serão analisadas as acusações apresentadas contra Flordelis, a neta, Rayane dos Santos Oliveira, assim como as filhas Marzy Teixeira e Simone dos Santos.
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