Justiça determina prisão de suspeito de incendiar estátua do Borba Gato
Conhecido como Paulo Galo, homem disse que praticou o ato para "abrir o debate"
Jacques Gomes
A Justiça de São Paulo determinou nesta 4ª feira (28.jul) a prisão de um homem suspeito de incendiar a estátua do bandeirante Borba Gato, na capital paulista. Ao chegar na delegacia, Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Paulo Galo, confirmou ter participado do ato no último sábado (24.jul). A esposa dele, Gessica de Paula da Silva Barbosa, também teve a prisão decretada hoje.
Refletindo sobre o dano à estátua, Paulo pontuou: "a gente buscou fazer isso. Abrir o debate para que esse debate ocorra e que as pessoas possam decidir se elas querem uma estátua de 13 metros de altura que homenageia um genocida e um abusador de mulheres". Além dele, um outro homem, Danilo Oliveira, compareceu à polícia de forma espontãnea e também assumiu envolvimento no incêndio. Mas ainda não há pedido de prisão contra ele.
Nas palavras de Danilo, "favelado nunca teve voz, nunca teve uma voz ativa e desse modo a gente quer abrir um debate, que já foi feito através de caveiras, de tintas, e o debate volta à tona". "Enfim, ver quem for o torturador, o estuprador e o genocida que foi o Borba Gato", completou. A advogada de Gessica Barbosa disse que a decisão a favor da prisão foi abirtrária. "Essa prisão é um absurdo enorme. Eu queria esclarecer aqui que a Gessica é esposa do Galo, ela veio aqui unicamente porque o telefone tava no nome dela, ela veio espontaneamente pra prestar declarações e foi decretada a prisão dela", afirmou.
Na ocasião do incêndio na estátua, que fica e Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, um grupo autointitulado Revolução Periférica ateou o fogo. Segundo a polícia, homens teriam chegado ao local de caminhão e provocado o incêndio. De acordo com a Defesa Civil, a estrutura da estátua foi preservada e não há risco de desabamento. Borba Gato, segundo alguns historiadores, era ligado à escravidão e perseguição de povos indígenas e africanos no período colonial.
Veja reportagem do SBT Brasil: