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Possível ida de Ciro Nogueira para a Casa Civil é ação política inédita

Bolsonaro deve indicar o presidente do PP para liderar uma das principais pastas do governo

Possível ida de Ciro Nogueira para a Casa Civil é ação política inédita
Ciro Nogueira
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Pela primeira vez, desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso, um presidente da República pode indicar ao Ministério da Casa Civil um político com relações mais periféricas na base do governo. A tradição palaciana de manter pessoas de confiança em uma das principais pastas da Esplanada, assim, deve ser quebrada, caso Jair Bolsonaro (sem partido) confirme a indicação de Ciro Nogueira (PP-PI), líder do Centrão.

Sem partido, Bolsonaro se cercou de militares e de parlamentares com quem manteve relação direta durante os 26 anos na Câmara e o apoiaram desde o primeiro dia de campanha eleitoral, como é o caso do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Nos dois cenários, o presidente do PP não se enquadraria. Caso aceite a proposta, Ciro Nogueira será o quarto ministro da Casa Civil de Bolsonaro. Como pano de fundo, a eventual indicação pode significar a força do PP, cotado para abrigar Bolsonaro na campanha de 2022.

Até para integrantes do Executivo, a avaliação é de que o presidente esticou a corda com a indicação de Nogueira ao cargo. Atualmente, ele é um dos líderes governistas no Senado. Mas nem sempre foi assim. Em 2017, por exemplo, disse que Bolsonaro tinha um caráter "fascista" e "preconceituoso". Na mesma entrevista, fez elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ministro da Casa Civil é responsável pelas negociações diretas entre o Executivo e Legislativo. A pasta também coordena a publicação de atos oficiais e monitora a gestão dos órgãos da administração pública. Além disso, é responsável pela formulação de projetos e de políticas públicas.

Além do senador do PP na Casa Civil, Bolsonaro entregou também o PL à Secretaria de Governo, com a deputada Flávia Arruda (DF). A mudança nas cadeiras não serve apenas para ganhar fôlego político em meio a denúncias de supostos casos de propina em seu governo. Mas também para tentar a reeleição em 2022.  

Segundo o analista político Thiago Vidal, o papel desempenhado pelos líderes do Centrão já era o esperado. Tradicionalmente, o bloco, composto pelos partidos Republicanos, PP, PL, Avante, PRB, PATRIOTA, PSC,PTB, PSD e PROS, tende a apoiar o presidente eleito. "Mesmo se der errado, o Centrão, e particularmente esses dois partidos, terão feito o necessário para aumentar suas bancadas com ou sem Bolsonaro", completou Vidal.

Atual titular da pasta, Luiz Eduardo Ramos ficou menos de quatro meses no cargo. Antes dele, passaram pelo ministério o general Walter Souza Braga Netto - primeiro militar a comandar um ministério com as atribuições da Casa Civil desde 1981 - e o deputado Onyx Lorenzoni. Amigo pessoal do presidente, o parlamentar ocupou o cargo por pouco mais de um ano, assim como Braga Netto, que agora é ministro da Defesa. 

Governos anteriores

Na curta gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), apenas Eliseu Padilha comandou a Casa Civil. Antes dele, durante os dois governos da petista Dilma Rousseff, foram indicados seis ministros, todos petistas. Entre os nomeados, estavam Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, Aloizio Mercadante, Jaques Wagner, Eva Chiavon e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

No governo do petista, além de Dilma, foram titulares da pasta: José Dirceu, Erenice Guerra e Carlos Eduardo Esteve Lima. Já nos oito anos do Fernando Henrique Cardoso, foram apenas dois ministros para cada um de seus mandatos: Clovis Carvalho, um dos fundadores do PSDB e Pedro Parente.

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