Cotado para presidência do São Paulo desiste de candidatura
Após questionamentos do SBT News, Adilson Alves Martins diz que não será candidato devido a suas atividades profissionais
Marcos Guedes
Adilson Alves Martins, que estava cotado para disputar presidência do SPFC Rubens Chiri/spfc.net
O empresário Adilson Alves Martins, que foi apontado como possível candidato à sucessão de Harry Massis Junior na presidência do São Paulo Futebol Clube, em meio à maior crise da história recente do clube, informou que não irá concorrer ao cargo na eleição prevista para dezembro deste ano.
A confirmação foi dada ao SBT News, após uma série de questionamentos sobre a atuação empresarial do grupo gerido pelo cartola tricolor.
“Em razão do exercício de suas atividades profissionais, informa que não é, e não será, candidato”, segundo nota (abaixo, o posicionamento completo).
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Os questionamentos partiram de um levantamento do SBT News com base em documentos públicos que detalham os negócios do cartola, que é conselheiro vitalício, foi diretor financeiro do clube durante gestões anteriores e fez parte do conselho de administração durante a gestão do ex-presidente Júlio Casares, que renunciou em janeiro sob processo de impeachment.
Ele é presidente de uma empresa de coleta de lixo, que chegou a ser condenada em segunda instância, pela Justiça do Distrito Federal, em 2023, a devolver mais de R$ 42 milhões aos cofres públicos.
Segundo o Ministério Público, a empresa recebeu pagamentos indevidos em um contrato de limpeza urbana iniciado em 2012, já sob o comando de Martins.
Após recursos apresentados pela defesa, o caso, segundo a Sustentare, teve um desdobramento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou a decisão e enviou o processo de volta à primeira instância, para a produção de provas.
Empresas anteriores e dívidas com a União
O empresário também atuou como diretor da Qualix Serviços Ambientais, que, após sucessivas trocas no comando, passou a se chamar Sustentare Serviços Ambientais, com ele na presidência.
Essa empresa entrou em recuperação judicial em 2011. Pouco mais de um ano depois, a empresa foi dividida, e parte dela deu origem a uma nova empresa, também presidida por Martins: a Sustentare Saneamento.
As dívidas ficaram na empresa antiga.
Documentos do Tribunal de Justiça de São Paulo mostram que a recuperação judicial da Qualix/Sustentare Serviços Ambientais se encerrou em 2019.
Ao todo, R$ 151,7 milhões em dívidas, em 2012, ficaram fora do processo.
Atualmente, a empresa, que voltou a se chamar Qualix, consta na lista dos devedores da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somando débitos que ultrapassam R$ 223 milhões.
No entanto, a Sustentare Saneamento, que ficou com os contratos, não tem débitos inscritos na dívida ativa da União.
Segundo o Portal Nacional de Contratações Públicas, a empresa tem hoje mais de R$ 1,6 bilhão em contratos públicos em vigor.
Desde a cisão, também distribuiu ao menos R$ 22,1 milhões em dividendos a seus acionistas, de acordo com a Junta Comercial.
Empresa multada
Há cerca de duas décadas, o mesmo grupo empresarial atua em Feira de Santana, na Bahia, e presta serviços de limpeza urbana ao município.
Em junho deste ano, a prefeitura assinou com a Sustentare Saneamento um novo contrato de R$ 732,5 milhões por cinco anos, o segundo maior da empresa, segundo o Portal Nacional de Contratações Públicas.
O histórico da operação na cidade, no entanto, inclui problemas ambientais.
Em 2013, com Martins já na presidência, o órgão ambiental da Bahia multou a Sustentare Serviços Ambientais, empresa de origem da Sustentare Saneamento, em R$ 75 mil por vazamento de chorume que atingia a rede de drenagem de águas pluviais.
A infração foi classificada como grave, e o Ministério Público da Bahia levou o caso à Justiça de Feira de Santana.
Outro lado
Em nota, a Sustentare Saneamento afirmou que foi criada a partir da cisão parcial da Sustentare Serviços Ambientais, hoje Qualix Serviços Ambientais, então em recuperação judicial, com autorização da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Segundo a empresa, a divisão foi aprovada pelo Ministério Público e pelo administrador judicial e fazia parte do plano de recuperação, com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços públicos prestados.
Hoje, de acordo com a nota, as duas empresas têm estruturas independentes.
A empresa confirmou que Adilson Alves Martins é acionista da Sustentare Saneamento e confirmou os cargos ocupados por ele na Qualix e na Sustentare Saneamento.
Sobre a recuperação judicial, a Sustentare afirmou que o plano vem sendo cumprido rigorosamente, o que motivou o encerramento do processo.
Segundo a nota, os débitos da Qualix com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional foram objeto de transação individual, que está em vigor e em regular cumprimento.
A empresa não informou se a Sustentare Saneamento considera ter responsabilidade por essas dívidas.
Em relação ao processo no Distrito Federal, a empresa afirmou que o Superior Tribunal de Justiça acolheu o recurso, anulou a condenação e determinou o retorno do caso à primeira instância para a produção de provas.
Segundo a nota, as decisões judiciais não trouxeram restrição aos contratos públicos da empresa.
Sobre Feira de Santana, a Sustentare disse que o aterro sanitário opera normalmente, com todas as licenças ambientais válidas, e que eventuais autuações foram pagas ou contestadas.
A empresa não detalhou a situação da multa de 2013.
Também em nota, Adilson Alves Martins informou que, em razão de suas atividades profissionais, não é e não será candidato à presidência do São Paulo Futebol Clube na eleição de dezembro.
Cotado para presidência do São Paulo desiste de candidaturaApós questionamentos do SBT News, Adilson Alves Martins diz que não será candidato devido a suas atividades profissionaisEsportes2026-09-24T21:07:06.488ZO empresário Adilson Alves Martins, que foi apontado como possível candidato à sucessão de Harry Massis Junior na presidência do São Paulo Futebol Clube, em meio à maior crise da história recente do clube, informou que não irá concorrer ao cargo na eleição prevista para dezembro deste ano. A confirmação foi dada ao SBT News, após uma série de questionamentos sobre a atuação empresarial do grupo gerido pelo cartola tricolor. “Em razão do exercício de suas atividades profissionais, informa que não é, e não será, candidato”, segundo nota (abaixo, o posicionamento completo). Os questionamentos partiram de um levantamento do SBT News com base em documentos públicos que detalham os negócios do cartola, que é conselheiro vitalício, foi diretor financeiro do clube durante gestões anteriores e fez parte do conselho de administração durante a gestão do ex-presidente Júlio Casares, que renunciou em janeiro sob processo de impeachment. Ele é presidente de uma empresa de coleta de lixo, que chegou a ser condenada em segunda instância, pela Justiça do Distrito Federal, em 2023, a devolver mais de R$ 42 milhões aos cofres públicos. Segundo o Ministério Público, a empresa recebeu pagamentos indevidos em um contrato de limpeza urbana iniciado em 2012, já sob o comando de Martins. Após recursos apresentados pela defesa, o caso, segundo a Sustentare, teve um desdobramento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou a decisão e enviou o processo de volta à primeira instância, para a produção de provas. Empresas anteriores e dívidas com a União O empresário também atuou como diretor da Qualix Serviços Ambientais, que, após sucessivas trocas no comando, passou a se chamar Sustentare Serviços Ambientais, com ele na presidência. Essa empresa entrou em recuperação judicial em 2011. Pouco mais de um ano depois, a empresa foi dividida, e parte dela deu origem a uma nova empresa, também presidida por Martins: a Sustentare Saneamento. As dívidas ficaram na empresa antiga. Documentos do Tribunal de Justiça de São Paulo mostram que a recuperação judicial da Qualix/Sustentare Serviços Ambientais se encerrou em 2019. Ao todo, R$ 151,7 milhões em dívidas, em 2012, ficaram fora do processo. Atualmente, a empresa, que voltou a se chamar Qualix, consta na lista dos devedores da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somando débitos que ultrapassam R$ 223 milhões. No entanto, a Sustentare Saneamento, que ficou com os contratos, não tem débitos inscritos na dívida ativa da União. Segundo o Portal Nacional de Contratações Públicas, a empresa tem hoje mais de R$ 1,6 bilhão em contratos públicos em vigor. Desde a cisão, também distribuiu ao menos R$ 22,1 milhões em dividendos a seus acionistas, de acordo com a Junta Comercial. Empresa multada Há cerca de duas décadas, o mesmo grupo empresarial atua em Feira de Santana, na Bahia, e presta serviços de limpeza urbana ao município. Em junho deste ano, a prefeitura assinou com a Sustentare Saneamento um novo contrato de R$ 732,5 milhões por cinco anos, o segundo maior da empresa, segundo o Portal Nacional de Contratações Públicas. O histórico da operação na cidade, no entanto, inclui problemas ambientais. Em 2013, com Martins já na presidência, o órgão ambiental da Bahia multou a Sustentare Serviços Ambientais, empresa de origem da Sustentare Saneamento, em R$ 75 mil por vazamento de chorume que atingia a rede de drenagem de águas pluviais. A infração foi classificada como grave, e o Ministério Público da Bahia levou o caso à Justiça de Feira de Santana. Outro lado Em nota, a Sustentare Saneamento afirmou que foi criada a partir da cisão parcial da Sustentare Serviços Ambientais, hoje Qualix Serviços Ambientais, então em recuperação judicial, com autorização da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Segundo a empresa, a divisão foi aprovada pelo Ministério Público e pelo administrador judicial e fazia parte do plano de recuperação, com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços públicos prestados. Hoje, de acordo com a nota, as duas empresas têm estruturas independentes. A empresa confirmou que Adilson Alves Martins é acionista da Sustentare Saneamento e confirmou os cargos ocupados por ele na Qualix e na Sustentare Saneamento. Sobre a recuperação judicial, a Sustentare afirmou que o plano vem sendo cumprido rigorosamente, o que motivou o encerramento do processo. Segundo a nota, os débitos da Qualix com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional foram objeto de transação individual, que está em vigor e em regular cumprimento. A empresa não informou se a Sustentare Saneamento considera ter responsabilidade por essas dívidas. Em relação ao processo no Distrito Federal, a empresa afirmou que o Superior Tribunal de Justiça acolheu o recurso, anulou a condenação e determinou o retorno do caso à primeira instância para a produção de provas. Segundo a nota, as decisões judiciais não trouxeram restrição aos contratos públicos da empresa. Sobre Feira de Santana, a Sustentare disse que o aterro sanitário opera normalmente, com todas as licenças ambientais válidas, e que eventuais autuações foram pagas ou contestadas. A empresa não detalhou a situação da multa de 2013. Também em nota, Adilson Alves Martins informou que, em razão de suas atividades profissionais, não é e não será candidato à presidência do São Paulo Futebol Clube na eleição de dezembro.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/esportes/cotado-para-presidencia-do-sao-paulo-desiste-de-candidatura
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