Etanol compensa mais que gasolina em pelo menos 12 estados
Levantamento com base em dados da ANP mostra que combustível é vantajoso em 12 unidades da Federação pela regra dos 70%; número sobe para 24 com limite de 75%

Combustível | Freepik
Abastecer com etanol é mais vantajoso do que com gasolina em 12 estados, considerando a regra tradicional de que o biocombustível compensa quando custa até 70% do preço da gasolina.
O número sobe para 24 estados e o Distrito Federal quando adotado o limite de 75%, que pode ser mais adequado para veículos flex mais modernos.
🔎A regra dos 70% existe porque o etanol rende cerca de 30% menos do que a gasolina. Isso significa que, se um carro percorre 10 quilômetros com um litro de gasolina, poderá percorrer aproximadamente 7 quilômetros com a mesma quantidade de etanol. Por isso, o biocombustível precisa custar até 70% do preço da gasolina para compensar. Em veículos que aproveitam melhor o etanol, esse limite pode chegar a 75%
O levantamento do SBT News foi feito com base nos dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes à semana de 25 a 31 de outubro de 2026.
Mato Grosso tem a maior vantagem
Mato Grosso apresenta a maior vantagem para o consumidor, com o litro do etanol a R$ 4,09, em média, enquanto o da gasolina é vendido a R$ 6,74. Isso significa que o biocombustível custa 60,7% do preço da gasolina, a menor proporção do país.
Estados onde o etanol custa até 70% do preço da gasolina
- Mato Grosso: 60,7%
- Goiás: 61,5%
- São Paulo: 61,7%
- Mato Grosso do Sul: 62,8%
- Paraná: 64,6%
- Acre: 66,1%
- Bahia: 67,3%
- Distrito Federal: 67,9%
- Minas Gerais: 68,5%
- Rondônia: 68,7%
- Pará: 69,1%
- Amazonas: 69,7%
Em algumas desaa regiões, os resultados refletem, entre outros fatores, a proximidade com importantes polos produtores de etanol, o que tende a reduzir os custos de transporte e distribuição.
Outros estados onde o etanol custa entre 70% e 75% do preço da gasolina
- Santa Catarina: 70,3%
- Pernambuco: 71,0%
- Roraima: 71,1%
- Ceará: 71,7%
- Paraíba: 72,0%
- Piauí: 72,1%
- Tocantins: 72,3%
- Rio de Janeiro: 72,7%
- Espírito Santo: 74,1%
- Rio Grande do Sul: 74,3%
- Alagoas: 74,5%
- Sergipe: 74,9%
Onde o tanol perde competitividade
O cenário é diferente no Maranhão, no Rio Grande do Norte e no Amapá, únicos estados em que o etanol supera o limite de 75% do preço da gasolina.
O Amapá registra a maior diferença desfavorável ao biocombustível. O litro do etanol custa R$ 5,49, equivalente a 86,3% do preço médio da gasolina, de R$ 6,36. No Rio Grande do Norte, a proporção chega a 77,5%, enquanto no Maranhão fica em 75,5%.
Sergipe, que também apresentava relação superior a 75% na semana anterior, passou a registrar 74,9% no levantamento mais recente, voltando a integrar o grupo em que o etanol pode ser competitivo para veículos com melhor aproveitamento energético.
Regra dos 70% não vale para todos os veículos
A regra dos 70% é uma referência, mas não funciona da mesma forma para todos os carros. Isso porque alguns motores conseguem aproveitar melhor o etanol, permitindo que o combustível compense mesmo quando custa mais de 70% do preço da gasolina.
É o caso do Hyundai HB20 Sense 1.0, em que o etanol pode compensar até 74,4% do preço da gasolina no uso urbano. Já no Volkswagen Polo MPI 1.0, o limite fica em aproximadamente 68,9%, segundo dados de consumo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para 2026.
Para saber qual combustível é mais vantajoso em seu automóvel, o motorista pode consultar a tabela de consumo do Inmetro (dados atualizados em agosto), que informa quantos quilômetros cada modelo percorre com um litro de etanol e de gasolina, tanto na cidade quanto na estrada.
A conta é simples:
- divida o consumo com etanol pelo consumo com gasolina
- multiplique o resultado por 100
Por exemplo, se um carro percorre 10 quilômetros com um litro de etanol e 14 quilômetros com gasolina, o limite é de 71,4%. Nesse caso, o etanol compensa quando custa até 71,4% do preço da gasolina.
Os números do Inmetro servem como referência, mas o consumo real pode variar conforme o trânsito, a maneira de dirigir e as condições do veículo. Por isso, acompanhar quantos quilômetros o carro percorre a cada abastecimento permite uma comparação mais próxima da realidade.















