Quase uma em cada quatro mortes por infecções respiratórias com confirmação viral no Brasil foi causada pela Covid-19 nas últimas quatro semanas. O coronavírus respondeu por 24,1% dos óbitos registrados no período, segundo o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O percentual representa um aumento em relação à média registrada ao longo do ano, de 13,9%. Mesmo com um volume de infecções abaixo dos picos registrados em anos anteriores, a Covid-19 voltou a ganhar força entre as causas de morte por vírus respiratórios e aparece atrás apenas do rinovírus.
A participação do coronavírus nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) também mais que dobrou. A proporção passou de 3,9% na média do ano para 8,5% nas últimas quatro semanas.
Mas o que explica esse aumento? O avanço dos indicadores significa que o país enfrenta uma nova onda de Covid-19?
Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e secretário do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o comportamento é esperado e está relacionado à circulação do vírus.
"O Sars-CoV-2 é um dos três principais vírus que causam doença respiratória, que a gente chama de síndrome respiratória aguda grave no país. Influenza, vírus sincicial e Sars-CoV-2, sendo a Covid-19 o terceiro vírus de mais frequência em termos de hospitalização, casos e mortes também", explicou.
Diferentemente da influenza e do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o coronavírus não apresenta uma sazonalidade tão marcada. De acordo com o especialista, o surgimento de novas variantes, especialmente as mais transmissíveis, pode provocar períodos de maior circulação e, consequentemente, aumento de casos.
"Às vezes, ele circula com maior frequência quando aparece uma variante nova, quando tem um surgimento de uma variante mais transmissível. Isso acaba dando um aumento do número de casos", afirmou.
Kfouri ressalta que o aumento da circulação também pode provocar mais infecções graves, mas o perfil de quem corre maior risco mudou em relação ao início da pandemia. Atualmente, os casos mais preocupantes estão concentrados em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunocomprometidas.
O impacto mais grave da Covid-19 continua concentrado entre pessoas com 65 anos ou mais. Segundo o levantamento da Fiocruz, a taxa de mortalidade nessa faixa etária é significativamente maior do que nas demais.
Entre crianças de até dois anos, grupo que concentra o maior número de hospitalizações por problemas respiratórios no país, a participação da Covid-19 é residual. Nas últimas semanas, os principais responsáveis pelas internações e mortes nessa faixa etária foram o rinovírus e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Para o infectologista, a diferença está na resposta do sistema imunológico. Nos idosos, o envelhecimento reduz a capacidade de defesa do organismo. Já as crianças ainda estão desenvolvendo a imunidade. Gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunossupressão também apresentam maior vulnerabilidade.
Apesar do aumento dos indicadores, o infectologista ressalta que o cenário atual não aponta para uma nova epidemia como a registrada durante a pandemia. Segundo ele, o movimento está dentro do comportamento esperado de circulação do coronavírus, com períodos de maior e menor transmissão.
O boletim da Fiocruz aponta Mato Grosso como o estado que exige maior atenção no momento. A unidade da federação entrou em nível de alerta após registrar crescimento contínuo de casos graves nas últimas seis semanas, movimento associado principalmente à Covid-19.
Os pesquisadores também identificaram os primeiros sinais de aumento nas internações graves pela doença em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina. Nessas localidades, porém, a incidência da doença ainda permanece em níveis considerados muito baixos.
Covid: casos graves ameaçam idosos e estado do Centro-OesteUm em cada quatro óbitos por vírus respiratórios com confirmação viral foi causado pela Covid-19 nas últimas quatro semanas, segundo a Fiocruz.Saúde2026-11-08T18:36:09.712ZQuase uma em cada quatro mortes por infecções respiratórias com confirmação viral no Brasil foi causada pela Covid-19 nas últimas quatro semanas. O coronavírus respondeu por 24,1% dos óbitos registrados no período, segundo o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O percentual representa um aumento em relação à média registrada ao longo do ano, de 13,9%. Mesmo com um volume de infecções abaixo dos picos registrados em anos anteriores, a Covid-19 voltou a ganhar força entre as causas de morte por vírus respiratórios e aparece atrás apenas do rinovírus. A participação do coronavírus nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) também mais que dobrou. A proporção passou de 3,9% na média do ano para 8,5% nas últimas quatro semanas. Mas o que explica esse aumento? O avanço dos indicadores significa que o país enfrenta uma nova onda de Covid-19? Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e secretário do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o comportamento é esperado e está relacionado à circulação do vírus. "O Sars-CoV-2 é um dos três principais vírus que causam doença respiratória, que a gente chama de síndrome respiratória aguda grave no país. Influenza, vírus sincicial e Sars-CoV-2, sendo a Covid-19 o terceiro vírus de mais frequência em termos de hospitalização, casos e mortes também", explicou. Diferentemente da influenza e do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o coronavírus não apresenta uma sazonalidade tão marcada. De acordo com o especialista, o surgimento de novas variantes, especialmente as mais transmissíveis, pode provocar períodos de maior circulação e, consequentemente, aumento de casos. "Às vezes, ele circula com maior frequência quando aparece uma variante nova, quando tem um surgimento de uma variante mais transmissível. Isso acaba dando um aumento do número de casos", afirmou. Kfouri ressalta que o aumento da circulação também pode provocar mais infecções graves, mas o perfil de quem corre maior risco mudou em relação ao início da pandemia. Atualmente, os casos mais preocupantes estão concentrados em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunocomprometidas. O impacto mais grave da Covid-19 continua concentrado entre pessoas com 65 anos ou mais. Segundo o levantamento da Fiocruz, a taxa de mortalidade nessa faixa etária é significativamente maior do que nas demais. Entre crianças de até dois anos, grupo que concentra o maior número de hospitalizações por problemas respiratórios no país, a participação da Covid-19 é residual. Nas últimas semanas, os principais responsáveis pelas internações e mortes nessa faixa etária foram o rinovírus e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Para o infectologista, a diferença está na resposta do sistema imunológico. Nos idosos, o envelhecimento reduz a capacidade de defesa do organismo. Já as crianças ainda estão desenvolvendo a imunidade. Gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunossupressão também apresentam maior vulnerabilidade. Apesar do aumento dos indicadores, o infectologista ressalta que o cenário atual não aponta para uma nova epidemia como a registrada durante a pandemia. Segundo ele, o movimento está dentro do comportamento esperado de circulação do coronavírus, com períodos de maior e menor transmissão. O boletim da Fiocruz aponta Mato Grosso como o estado que exige maior atenção no momento. A unidade da federação entrou em nível de alerta após registrar crescimento contínuo de casos graves nas últimas seis semanas, movimento associado principalmente à Covid-19. Os pesquisadores também identificaram os primeiros sinais de aumento nas internações graves pela doença em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina. Nessas localidades, porém, a incidência da doença ainda permanece em níveis considerados muito baixos.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/covid-19-nao-ha-nova-epidemia-diz-infectologista
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