Eleições

Conselho da Meta vê falha na moderação de conteúdo eleitoral

Órgão independente cita bloqueio em contas de Lula na plataforma e cobra transparência, clareza e coerência da empresa no controle de conteúdos políticos

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Antonio Souza
Conselho da Meta vê falha na moderação de conteúdo eleitoral

O Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente que analisa conteúdos distribuídos para melhorar ações da empresa, afirmou nesta terça-feira (20) que há falhas frequentes na aplicação das normas eleitorais da plataforma. A entidade cobrou mais clareza, coerência e transparência da empresa na moderação de conteúdos políticos.

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O posicionamento ocorre no momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa denúncias de tratamento desigual entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República em 2026.

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Em comunicado, o Conselho destacou que restrições técnicas atingiram indevidamente contas de anúncios do presidente Lula e perfis de ativistas nos Estados Unidos.

Bloqueios em anúncios e falha de checagem

De acordo com o conselho, os sistemas da Meta aplicaram de forma exagerada as chamadas regras antifraude contra as páginas de campanha de Lula. Trata-se de travas automáticas do sistema para barrar conteúdos suspeitos, mas que, segundo a avaliação do órgão, deveriam ter sido enviadas imediatamente para análise manual de especialistas humanos.

"A aplicação excessiva das políticas antifraude da Meta contra as contas de anúncios do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas", afirmou a nota.

O documento também citou a suspensão irregular da conta do grupo ativista No Kings, nos Estados Unidos. Segundo o conselho, o erro deveria ter sido identificado pelos próprios filtros de prevenção da empresa.

"O erro de aplicação das regras em relação à conta No Kings deveria ter sido detectado pelos sistemas de prevenção de erros da Meta. Permanece incerto por que os esforços da Meta para garantir a integridade das eleições não levaram a uma resolução muito mais rápida, ou por que as contas da No Kings não foram incluídas no programa de verificação cruzada da Meta – que permite à empresa designar entidades cívicas importantes para garantir a revisão humana antes que uma decisão seja tomada, uma decisão que poderia comprometer seriamente a participação em um evento político significativo". diz trecho da nota

Acusações no TSE e prazo de 24 horas

A atuação da Meta virou alvo de contestação jurídica após a equipe de campanha de Lula acusar a dona do WhatsApp e do Instagram de prejudicar o alcance de suas postagens e de travar a criação de artes pela ferramenta de inteligência artificial Meta AI.

A representação sustenta que houve uma "seletividade algorítmica", ou seja, que a programação dos aplicativos teria beneficiado publicações favoráveis a Flávio Bolsonaro.

A denúncia foi acolhida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou um prazo de 24 horas para que a Meta comprove a adoção de medidas práticas que garantam a igualdade na entrega de conteúdos e propagandas eleitorais durante o segundo turno.

O que diz a Meta

Em manifestação formal enviada ao TSE na segunda-feira (19), a Meta rebateu as acusações. A companhia negou qualquer tipo de interferência no processo eleitoral brasileiro e sustentou que não oferece tratamento privilegiado ou desigual a nenhum dos candidatos envolvidos na disputa presidencial.

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