TCU aponta falhas em 82% das emendas Pix auditadas
Amostra de R$ 198,1 milhões teve potencial prejuízo de R$ 49,1 milhões; resultados serão enviados ao ministro Flávio Dino
Caio Barcellos
Decisão do TCU alivia a necessidade de cortes imediatos no orçamento de 2025 - TCU/Divulgação
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades em 82 das 100 amostras de emendas Pix analisadas em uma auditoria sobre recursos repassados de 2020 a 2024. O relatório foi aprovado por unanimidade nesta quarta-feira (29).
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As transferências fiscalizadas somaram R$ 198,11 milhões, com prejuízo potencial de R$ 49,07 milhões, o que corresponde a cerca de 25% de todo o volume de recursos auditado.
Principais irregularidades
Os problemas identificados foram divididos em quatro grupos. O primeiro envolve falhas de transparência e rastreabilidade, como o uso de "contas de passagem" (contas não específicas que misturavam recursos de diferentes origens) e falta de inserção de relatórios de gestão no sistema Transferegov.br. O prejuízo estimado nesta área é de R$ 26,3 milhões.
Também foi identificado dano estimado em R$ 14,96 milhões em pagamentos sem documentos fiscais ou jurídicos considerados adequados, despesas sem relação com a finalidade da emenda e pagamentos sem comprovação da quantidade ou do serviço realizado.
Na execução dos contratos, o TCU encontrou casos de obras, compras ou serviços que não foram entregues integralmente, além de superfaturamento. O prejuízo calculado foi de R$ 14,11 milhões.
Em Acará (PA), por exemplo, a auditoria apontou a inexecução total de uma transferência de R$ 980 mil destinada à aquisição de equipamentos para a saúde pública.
A soma desses três grupos supera os R$ 49,1 milhões informados como resultado final porque algumas irregularidades recaíram sobre os mesmos recursos. O valor consolidado desconsidera as duplicidades.
As auditorias também identificaram indícios de licitações forjadas, restrição da concorrência, contratações diretas irregulares, sobrepreço e contratação de empresas declaradas inidôneas. Para parte desses casos, não foi possível calcular o prejuízo.
“Em linhas gerais, a Auditoria identificou elevado número de irregularidades na aplicação dos recursos, baixo índice de transparência e rastreabilidade e pluralização plena dos recursos, reforçando a necessidade de atuação”, declarou o ministro-relator Walton Alencar Rodrigues.
Mudanças no Transferegov
O plenário determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) atualize, em até 120 dias, o módulo de transferências especiais do Transferegov.
A alteração deverá impedir que estados e municípios modifiquem informações dos planos de trabalho das emendas de 2020 a 2024 depois que os dados forem inseridos no sistema.
Segundo o TCU, a possibilidade de alterar de forma sucessiva os objetos, valores e metas das transferências prejudica a transparência, o controle social e a fiscalização. A restrição já é aplicada às emendas liberadas a partir de 2025.
Casos de fraude em licitação e contratação de empresas inidôneas podem configurar crimes previstos no Código Penal. Como o TCU não tem competência criminal, o acórdão e o relatório completo serão enviados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator da ADPF 854, processo que trata da transparência e da rastreabilidade das emendas parlamentares.
A análise do TCU foi divulgada no mesmo dia em que Dino deu prazo de 10 dias para que o governo federal, a Câmara e o Senado apresentem uma proposta de divisão das responsabilidades na execução das emendas.
A medida deverá identificar os agentes envolvidos em cada etapa e prever a responsabilização dos congressistas que indicam os recursos quando sua atuação ou omissão contribuir para prejuízos ou irregularidades.
A emenda Pix, cujo nome técnico é transferência especial, foi criada em 2019 e permite que recursos indicados por congressistas sejam enviados diretamente a estados e municípios, sem a necessidade de convênio com o governo federal.
Segundo o relatório, mais de R$ 26,5 bilhões foram efetivamente transferidos por essa modalidade de 2020 a 2025. O valor previsto para 2026 é de aproximadamente R$ 7 bilhões.
TCU aponta falhas em 82% das emendas Pix auditadasAmostra de R$ 198,1 milhões teve potencial prejuízo de R$ 49,1 milhões; resultados serão enviados ao ministro Flávio DinoEconomia2026-07-29T21:28:36.328ZO Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades em 82 das 100 amostras de emendas Pix analisadas em uma auditoria sobre recursos repassados de 2020 a 2024. O relatório foi aprovado por unanimidade nesta quarta-feira (29). As transferências fiscalizadas somaram R$ 198,11 milhões, com prejuízo potencial de R$ 49,07 milhões, o que corresponde a cerca de 25% de todo o volume de recursos auditado. Principais irregularidades Os problemas identificados foram divididos em quatro grupos. O primeiro envolve falhas de transparência e rastreabilidade, como o uso de "contas de passagem" (contas não específicas que misturavam recursos de diferentes origens) e falta de inserção de relatórios de gestão no sistema Transferegov.br. O prejuízo estimado nesta área é de R$ 26,3 milhões. Também foi identificado dano estimado em R$ 14,96 milhões em pagamentos sem documentos fiscais ou jurídicos considerados adequados, despesas sem relação com a finalidade da emenda e pagamentos sem comprovação da quantidade ou do serviço realizado. Na execução dos contratos, o TCU encontrou casos de obras, compras ou serviços que não foram entregues integralmente, além de superfaturamento. O prejuízo calculado foi de R$ 14,11 milhões. Em Acará (PA), por exemplo, a auditoria apontou a inexecução total de uma transferência de R$ 980 mil destinada à aquisição de equipamentos para a saúde pública. A soma desses três grupos supera os R$ 49,1 milhões informados como resultado final porque algumas irregularidades recaíram sobre os mesmos recursos. O valor consolidado desconsidera as duplicidades. As auditorias também identificaram indícios de licitações forjadas, restrição da concorrência, contratações diretas irregulares, sobrepreço e contratação de empresas declaradas inidôneas. Para parte desses casos, não foi possível calcular o prejuízo. “Em linhas gerais, a Auditoria identificou elevado número de irregularidades na aplicação dos recursos, baixo índice de transparência e rastreabilidade e pluralização plena dos recursos, reforçando a necessidade de atuação”, declarou o ministro-relator Walton Alencar Rodrigues. Mudanças no Transferegov O plenário determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) atualize, em até 120 dias, o módulo de transferências especiais do Transferegov. A alteração deverá impedir que estados e municípios modifiquem informações dos planos de trabalho das emendas de 2020 a 2024 depois que os dados forem inseridos no sistema. Segundo o TCU, a possibilidade de alterar de forma sucessiva os objetos, valores e metas das transferências prejudica a transparência, o controle social e a fiscalização. A restrição já é aplicada às emendas liberadas a partir de 2025. Casos de fraude em licitação e contratação de empresas inidôneas podem configurar crimes previstos no Código Penal. Como o TCU não tem competência criminal, o acórdão e o relatório completo serão enviados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator da ADPF 854, processo que trata da transparência e da rastreabilidade das emendas parlamentares. A análise do TCU foi divulgada no mesmo dia em que Dino deu prazo de 10 dias para que o governo federal, a Câmara e o Senado apresentem uma proposta de divisão das responsabilidades na execução das emendas. A medida deverá identificar os agentes envolvidos em cada etapa e prever a responsabilização dos congressistas que indicam os recursos quando sua atuação ou omissão contribuir para prejuízos ou irregularidades. A emenda Pix, cujo nome técnico é transferência especial, foi criada em 2019 e permite que recursos indicados por congressistas sejam enviados diretamente a estados e municípios, sem a necessidade de convênio com o governo federal. Segundo o relatório, mais de R$ 26,5 bilhões foram efetivamente transferidos por essa modalidade de 2020 a 2025. O valor previsto para 2026 é de aproximadamente R$ 7 bilhões.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/tcu-aponta-falhas-em-82-das-emendas-pix-auditadas
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