Economia

Produção de petróleo se recupera, mas guerra derruba demanda

Relatório da IEA aponta alta da produção mundial em junho com retomada parcial das exportações, enquanto consumo global deve recuar com guerra no Irã

Avatar de Exame.com
Exame.com
10/07/2026, 15:18 • Atualizado em 10/07/2026, 15:57
compartilhar
Produção de petróleo se recupera, apesar de guerra dos EUA contra Irã | Reuters/Eli Hartman/File Photo

Produção de petróleo se recupera, apesar de guerra dos EUA contra Irã | Reuters/Eli Hartman/File Photo

A produção mundial de petróleo aumentou 4,1 milhões de barris por dia em junho, alcançando 98,8 milhões de barris diários, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 10, pela Agência Internacional de Energia (IEA).

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

O avanço foi impulsionado pela retomada parcial das exportações pelo Golfo Pérsico, mas a produção global ainda está cerca de 9,4 milhões de barris por dia abaixo do patamar registrado antes da guerra entre Estados Unidos e Irã.

No mesmo relatório, a IEA estima que a demanda global de petróleo deve registrar sua primeira queda anual desde a pandemia de Covid-19. A entidade projeta um recuo médio de 1 milhão de barris por dia em 2026, após o consumo atingir seu ponto mais baixo em maio.

Apesar da retração anual, a agência afirma que a demanda começou a se recuperar nas últimas semanas, impulsionada pelo aumento sazonal do consumo durante o verão no hemisfério norte. Outro fator foi a liberação da demanda reprimida à medida que o abastecimento de combustíveis foi normalizado durante a trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no meio de junho e suspensa nesta semana.

As projeções indicam que a contração anual da demanda diminuirá de 4,8 milhões de barris por dia no segundo trimestre para 1,7 milhão no terceiro trimestre. No último trimestre de 2026, o consumo deverá voltar a crescer, avançando 1,2 milhão de barris por dia em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a IEA, o mercado deve recuperar o ritmo apenas em 2027, quando a demanda global deverá aumentar 2 milhões de barris por dia. Ainda assim, o crescimento acumulado dos dois anos ficará abaixo da média histórica.

Mercado segue pressionado pela guerra

A IEA atribui boa parte da volatilidade do mercado ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e outros países do Oriente Médio.

O cessar-fogo temporário firmado em junho entre Irã e EUA permitiu a retomada parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, provocando uma queda acentuada dos preços do petróleo bruto durante o mês. Agora, porém, os ataques voltaram a ocorrer no país asiático e Donald Trump afirmou que não tem mais interesse em um acordo com Teerã, mas que irá "terminar o trabalho".

O barril de referência do Mar do Norte chegou a cair para cerca de US$ 68, abaixo do nível registrado antes da guerra. No entanto, a retomada dos confrontos nos dias 7 e 8 de julho elevou novamente as cotações para aproximadamente US$ 77 por barril.

Segundo a agência, a continuidade da recuperação do mercado depende da normalização definitiva do tráfego marítimo na região de Ormuz. Caso isso não ocorra, o cenário previsto de superávit de petróleo a partir do fim de 2026 poderá não se concretizar.

Oferta cresce, mas combustíveis seguem escassos

Enquanto o petróleo bruto voltou a circular com mais intensidade, os combustíveis refinados continuam enfrentando restrições. Refinarias exportadoras do Oriente Médio ainda não retomaram plenamente suas operações, enquanto ataques ucranianos à infraestrutura russa reduziram a capacidade de refino e agravaram a escassez de diesel e gasolina.

Como consequência, as margens de refino atingiram os maiores níveis em quatro anos no início de julho.

A IEA também informou que os estoques globais de petróleo cresceram pela primeira vez em quatro meses durante junho, impulsionados principalmente pelo aumento do volume transportado por navios, embora os estoques em terra tenham continuado em queda.

Segundo a agência, a estabilização do mercado dependerá de uma redução duradoura das tensões no Golfo. Sem um acordo de paz permanente, o processo de normalização da oferta e da demanda continuará sujeito a riscos elevados.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Copa: o que esperar do confronto entre Espanha e Bélgica?

Copa: o que esperar do confronto entre Espanha e Bélgica?

Imagem da notícia: Equipes brasileiras retornam de missão na Venezuela

Equipes brasileiras retornam de missão na Venezuela

Imagem da notícia: Veja quais deputados assumem vagas na Câmara após recontagem

Veja quais deputados assumem vagas na Câmara após recontagem

Imagem da notícia: Valdemar tem R$ 119 mi bloqueados por emendas irregulares

Valdemar tem R$ 119 mi bloqueados por emendas irregulares

Imagem da notícia: Copa: o que esperar do confronto entre Espanha e Bélgica?

Copa: o que esperar do confronto entre Espanha e Bélgica?

Imagem da notícia: Equipes brasileiras retornam de missão na Venezuela

Equipes brasileiras retornam de missão na Venezuela

Imagem da notícia: Veja quais deputados assumem vagas na Câmara após recontagem

Veja quais deputados assumem vagas na Câmara após recontagem

Imagem da notícia: Valdemar tem R$ 119 mi bloqueados por emendas irregulares

Valdemar tem R$ 119 mi bloqueados por emendas irregulares

Últimas notícias

Irã quer manter negociação e EUA concordam, diz Trump

Apesar de acordo, presidente dos Estados Unidos reafirma que o cessar-fogo entre os países "acabou"

Comércio faz saldão após queda do Brasil na Copa do Mundo

Com a baixa procura após a eliminação, vendedores tiveram de reduzir os preços de camisas, bandeiras e outros itens temáticos

UE acusa Meta de descumprir regras contra vício em redes

Empresa poderá ser multada se não alterar recursos do Facebook e do Instagram

Uso de vape entre estudantes sobe e preocupa especialistas

Cigarro eletrônico, associado a lesões pulmonares e dependência, está longe de ser alternativa segura ao cigarro, afirma pneumologista

Michelle Bolsonaro cria ‘Imparáveis’ após saída do PL Mulher

Movimento liderado pela ex-primeira-dama foi anunciado dias após sua saída da presidência do PL Mulher e marca a migração de apoiadores para uma nova plataforma

Câmara decreta perda dos mandatos de Paulão e Dayany

Decisão decorre da retotalização dos votos das eleições de 2022 em Alagoas e no Ceará, determinada pela Justiça Eleitoral