Petróleo acima de US$ 100 fortalece dólar e muda apostas de juros nos EUA
O dólar estava sendo cotado a R$ 5,1574 (praticamente estável, a -0,05%) no último pregão, da quarta-feira, dia 11


Exame.com
O aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelas tensões no Irã, mantém o dólar americano forte e influencia projeções sobre a política monetária nos Estados Unidos (EUA).
O Bloomberg Dollar Spot Index chegou a 1.205,11 pontos, registrando alta de 0,19% e caminhando para seu fechamento mais forte em quase dois meses.
O dólar estava sendo cotado a R$ 5,1574 (praticamente estável, a -0,05%) no pregão da quarta-feira, dia 11. A cotação é do Investing.com (USD/BRL).
Já o petróleo do tipo Brent ultrapassou novamente a marca de US$ 100 por barril após Omã esvaziar seu terminal de exportação próximo ao Estreito de Ormuz e dois navios terem sido atacados em águas do Iraque, gerando preocupação com a oferta global.
Essa escalada nos preços da energia tem efeito direto sobre a inflação americana, segundo fontes consultadas pela Bloomberg.
Brent entre US$ 71 a US$ 98 por barril
Economistas do Goldman Sachs, Manuel Abecasis e David Mericle, estimam que o Brent deve permanecer em média de US$ 98 em março e abril, antes de cair para cerca de US$ 71 até o quarto trimestre.
O impacto sobre a inflação deve adiar o primeiro corte de juros do Federal Reserve (Fed) de junho para setembro.
Preços mais altos do petróleo podem impedir que expectativas de cortes de juros se tornem rapidamente "dovish" — postura mais flexível do banco central, favorável a reduzir ou manter baixos os juros para estimular a economia.
O mercado de opções reflete essa confiança. O "one-month risk reversal", que mede a diferença entre apostas de alta e baixa do dólar em relação às principais moedas globais, atingiu 92 pontos-base, nível mais alto desde o final de 2022.
Juros e importações sustentam valorização
Analistas destacam que a combinação de juros mais elevados por mais tempo e a pressão sobre países importadores de energia sustenta a valorização do dólar.
Isso reforça o chamado comportamento "petrocurrency" da moeda americana, ou seja, a tendência do dólar de se valorizar quando os preços do petróleo sobem devido ao seu papel dominante nas transações globais de energia.
Essa dinâmica torna o dólar particularmente resistente frente a economias que enfrentam aumento de custos provocado pela alta do petróleo, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg.








