Economia

O custo das tarifas de Trump ao mercado

Vai e vem entre 10% e 15% em tarifa global expõe incerteza jurídica, mas ativos reagem com ajustes pontuais e busca por proteção

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Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres a bordo do avião presidencial Força Aérea Um | 19/02/2026/Reuters/Kevin Lamarque

O ponto de virada veio do tribunal. A Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que Trump invocou de forma indevida a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) para impor tarifas amplas. Em seguida, a Casa Branca migrou a base legal para a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.

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Como resposta, Trump anunciou uma tarifa global de 10%, com entrada prevista para terça-feira (24). Menos de 24 horas depois, publicou que a alíquota subiria para 15% "com efeito imediato". A mudança teria surpreendido até parte de autoridades do governo, segundo jornais internacionais.

A Casa Branca também divulgou uma lista extensa de itens isentos da tarifa inicial de 10%. Não há ainda clareza se as exceções continuariam válidas sob a tarifa de 15%. A incerteza se ampliou porque documentos oficiais ainda indicavam 10%, enquanto o perfil de Trump no TruthSocial já apontava 15%.

A escolha da Seção 122 traz uma restrição e exige aplicação não discriminatória, o que empurra para uma tarifa uniforme "para o mundo todo". Nesse desenho, o texto afirma que Rússia e Coreia do Norte, citados como ausentes da rodada inicial, passam a ficar incluídos.

No mercado, o ajuste veio sem colapso.

O material registra queda de cerca de 0,5% em futuros europeus, recuo de 0,8% nos futuros do S&P 500 e de 1% nos do Nasdaq. O índice do dólar caiu perto de 0,3%, enquanto o ouro subiu entre 0,6% e 0,8%.

Em entrevista à CNBC, Ed Yardeni, da Yardeni Research, disse que "o mercado praticamente não reagiu à notícia" e que "isso já era amplamente esperado". Segundo ele, "a economia global é notavelmente resiliente" diante do que chamou de "turbulência tarifária de Trump".

Um relógio de 150 dias e a conta de US$ 170 bilhões

A autoridade da Seção 122 vale por até 150 dias antes de exigir extensão pelo Congresso. Parlamentares republicanos podem resistir a prolongar o mecanismo, dado o desgaste das tarifas em pesquisas de opinião.

Outra consequência é a disputa por reembolsos de cerca de US$ 170 bilhões em tarifas consideradas ilegais após a decisão, com mais de 1.800 ações na U.S. Court of International Trade. O dinheiro reembolsado tende a ficar com importadores, e não com consumidores.

Autoridades da Casa Branca afirmaram que as alíquotas efetivas não mudariam tanto e que acordos já fechados continuariam valendo, segundo a Reuters. Existe agora, para as autoridades, uma falta de clareza sobre como sustentar acordos negociados sob tarifas que deixaram de existir.

Quem sobe e quem desce no cálculo "ponderado"

O Global Trade Alert estima mudanças na tarifa média ponderada por comércio. O Reino Unido teria aumento de 2,1 pontos percentuais, e a União Europeia, de 0,8 ponto. Em contraste, o estudo aponta queda de 13,6 pontos para o Brasil e recuo de 7,1 pontos para a China.

A Comissão Europeia afirmou que buscaria "total clareza" e registrou que "acordo é acordo", sustentando que o entendimento anterior previa teto de 15% para exportações do bloco aos EUA.

Johannes Fritz, do St.Gallen Endowment for Prosperity through Trade e autor do relatório citado, disse à CNBC que a decisão derrubou não apenas tarifas recíprocas, mas também ordens ligadas a opioides e segurança de fronteira. Segundo ele, países com maior exposição à IEEPA receberam mais alívio.

Cripto reage mais; Nvidia entra no foco

Apesar de o mercado acionário não ter esboçado reação intensa, o impacto foi mais forte nas criptomoedas. O bitcoin caiu mais de 5% em um dos momentos da sessão e recuava 2,7%, a US$ 65.801. No acumulado do ano, a maior criptomoeda do mundo perde 26% e já caiu mais de 47% desde o pico registrado em outubro, quando superou US$ 125 mil.

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