Economia

Moody’s rebaixa nota do BRB e vê risco de calote

Agência cita perdas com Banco Master, falta de transparência e dúvida sobre aporte do GDF; banco pode sofrer novo corte na avaliação

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Caio Barcellos
02/04/2026, 16:37 • Atualizado em 02/04/2026, 16:37
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Prédio do Banco de Brasília (BRB) | Divulgação/BRB

Prédio do Banco de Brasília (BRB) | Divulgação/BRB

A Moody's rebaixou o rating do BRB (Banco de Brasília) de BBB- para CCC+ e manteve a nota em revisão para novo possível corte, em meio a incertezas sobre a saúde financeira da instituição e sua capacidade de recompor capital.

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"O patamar atual de rating reflete a nossa visão de que a qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de default, sem a concretização de um aporte de capital", diz a agência de classificação de risco.

O rebaixamento ocorre em meio à crise envolvendo operações com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, que passaram a ser investigadas após a deflagração pela Polícia Federal (PF) da operação Compliance Zero, em 2025.

De acordo com a Moody’s, "o rebaixamento dos ratings do BRB para CCC+.br reflete a provável necessidade de injeção de capital", agravada pela ausência de um plano claro de recomposição após perdas com ativos ligados ao Banco Master.

A agência também apontou falta de transparência recente. O banco não divulgou suas demonstrações financeiras dentro do prazo regulatório, o que, segundo o relatório, "aumenta incertezas relacionadas a sua saúde financeira e posição patrimonial".

Impacto do Banco Master

As operações com o Banco Master estão no centro da deterioração do risco de crédito do BRB. Segundo a Moody’s, ainda não há clareza sobre o tamanho das perdas, que seguem sob análise de auditoria forense contratada pelo próprio banco.

O relatório afirma que, com o reconhecimento dessas perdas e o aumento de provisões, o banco "deve necessitar de aportes de capital adicionais para manter sua solvência".

Questionamentos sobre a governança e controles internos do BRB também aparecem no documento da agência., que cita "indícios de fragilidades relevantes em sua estrutura de governança corporativa".

Pressão sobre o GDF

Controlado pelo Governo do Distrito Federal, o BRB depende de apoio público para recompor seu capital. Em fevereiro, o banco chegou a anunciar um plano que previa levantar até R$ 6,6 bilhões com garantias envolvendo ativos do próprio GDF.

A operação, no entanto, enfrenta entraves jurídicos, e a assembleia que discutiria o aumento de capital foi adiada. Para a Moody's, há incerteza sobre a capacidade do governo local de aportar os recursos necessários.

"A não observância do prazo estabelecido para 31 de março de 2026 referente à apresentação de um plano de recomposição de capital, somada às incertezas quanto à capacidade do controlador em realizar aportes na proporção necessária, exerce pressão extremamente negativa sobre o perfil de capital do banco", afirma.

A agência também ressalta que o BRB já opera com níveis de capital próximos ao mínimo regulatório e pode sofrer sanções caso haja descumprimento das exigências prudenciais.

"É provável que ocorra o desenquadramento dos índices regulatórios, situação que será analisada pelo órgão regulador e que poderá resultar em sanções regulatórias, além da possibilidade de intervenção nas operações caso seja constatada incapacidade de continuidade dos negócios", diz a avaliação.

Risco de liquidez e confiança

A crise também afeta a captação de recursos e a confiança dos investidores. Segundo a Moody's, há risco de saída de depósitos e aumento do custo de financiamento, à medida que a incerteza se prolonga.

Sem um plano claro de capitalização e com o resultado das investigações ainda indefinido, a Moody's avalia que o cenário segue aberto para novo rebaixamento ou, no limite, intervenção regulatória caso a situação se deteriore.

"Os ratings podem ser rebaixados caso as investigações resultem em um impacto financeiro negativo relevante para o BRB, sem a sinalização de que o controlador seja capaz de recapitalizar o banco de forma tempestiva, que impliquem em sanções regulatórias ou intervenção do regulador", afirma.

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