Economia

Memecoin, Bitcoin e outras: afinal, o que são criptomoedas?

Donald Trump e sua esposa, Melania Trump, anunciaram o lançamento de suas próprias criptomoedas e movimentaram o mercado neste final de semana

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Gabriel Sponton
20/01/2025, 21:25 • Atualizado em 20/01/2025, 21:25
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Criptomoedas | Reprodução/X/Unsplash

Criptomoedas | Reprodução/X/Unsplash

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua esposa, Melania Trump, lançaram suas próprias criptomoedas na última sexta-feira (17) e no domingo (19), respectivamente. As novas moedas movimentaram o mercado no final de semana, com a "$TRUMP" amanhecendo nesta segunda-feira (20) com valor superior a US$ 10 bilhões, com cada uma comercializada em cerca de 50 dólares, mais de R$ 300, segundo o CoinMarketCap.

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Tanto a $TRUMP e a $MELANIA são conhecidas como "memecoins", isto é, criptomoedas que surgiram a partir de memes que fizeram sucesso na internet e nas redes sociais, como é o caso da Dogecoin (DOGE), inspirada no "meme do cachorro", e a YoosShi (YOOSHI), criada a partir do personagem Yoshi, do universo de Super Mario. As "memecoins" não têm o intuito de se tornarem "gigantes no mercado", circulam em um ecossistema mais simples e menos diversificado, com alta volatilidade de preço. São diferentes das criptomoedas mais famosas e valiosas, como o Bitcoin e o Ethereum.

Afinal, o que são criptomoedas?

"Criptomoeda" é o nome genérico dado para moedas que não existem fisicamente, apenas nos meios digitais, e são representadas por códigos alfanuméricos (que combina letras e números). Esse tipo de moeda digital utiliza a tecnologia de criptografia para garantir a segurança das transações, controle da criação e a verificação da transferência de ativos.

A maioria das criptomoedas atuais, incluindo o Bitcoin, também possui a característica de ser uma moeda descentralizada, isto é, que é gerenciada e utilizada de forma independente, sem o controle de uma instituição, como um governo ou um banco – diferente do dólar, do real, do euro e outras.

"Se a gente for fazer um paralelo com o nosso mercado financeiro tradicional, por exemplo, se eu sou o Banco Central do Brasil, posso emitir mais reais se eu achar necessário, como posso também segurar um pouco a impressão de dinheiro. No caso das criptomoedas, essa emissão não é feita por um agente central, mas pelas pessoas que estão atuando dentro dessa comunidade", conta Beto Fernandes, analista de criptomoedas da Foxbit.

As principais criptomoedas atualmente surgiram com um objetivo específico: o Bitcoin, por exemplo, criado em 2009, foi projetado para ser uma alternativa às moedas tradicionais e permitir transações digitais seguras e rápidas, sem o intermediários, com foco na liberdade econômica e na transparência – das transações, não dos usuários. Já a Ethereum, lançada em 2015, foi desenvolvida para permitir a criação de contratos inteligentes e aplicações descentralizadas.

Beto Fernandes explica que o "objetivo" e o "projeto" por trás das grandes criptomoedas é o que as diferencia das memecoins, que não têm um "fundamento". Assim como é possível transformar uma apólice de seguro, por exemplo, em uma espécie de criptomoeda, as memecoins são uma representatividade desses "memes" da internet.

"Eles pegam uma tecnologia das criptomoedas e incluem nela um meme, que pode ser uma foto, pode ser uma mensagem ou um logo. Essa moeda não tem nenhum projeto técnico relevante para se basear, é um 'vamos fazer uma brincadeira'. O mercado, a comunidade da internet, acabam abraçando isso tipo 'legal, vou comprar aqui só pra participar do jogo'".

A alta volatilidade das memecoins acontece justamente por sua natureza ser embasada em um meme, em um momento ou em algum acontecimento na internet. Se todo mundo "aproveita a onda", o valor dessa criptomoeda sobe muito, mas, se essa "onda" passa, o valor pode cair drasticamente. Esse movimento foi percebido nitidamente com a Dogecoin, cujo valor flutuava conforme comentários do bilionário Elon Musk nas redes sociais – a partir das falas de Musk, a comunidade especulava que essa moeda iria aumentar ou diminuir de preço, gerando uma alta oferta ou demanda.

Polêmica com as moedas de Trump e Melania

Por causa da natureza volátil das memecoins, as criptomoedas lançadas por Donald Trump e por Melania Trump causaram uma certa "desconfiança" no mercado de cripto, que, em grande parte, apoiou a eleição do republicano, como os donos de big techs dos Estados Unidos.

"Ao contrário de outras memecoins, que eram puramente a comunidade fazendo e sem qualquer suporte de alguma pessoa, de alguma figura muito importante, dessa vez, não. Então, Trump publicou o lançamento dessa cripto, a Melania publicou, ficou uma sensação de tipo, um 'cheiro' de manipulação de mercado. [...] Algo como 'tô querendo ganhar uma grana aqui, aproveitando o momento da minha eleição'", conta o analista da Foxbit.

Essa desconfiança do mercado de criptomoedas também está atrelada ao fato de que Trump afirmou que iria criar uma reserva nacional de Bitcoin, criando uma expectativa de crescimento neste setor após sua posse como presidente. A criação de duas memecoins coloca em xeque a "seriedade" do tema por parte do republicano.

Por que as criptomoedas são seguras?

O analista de criptomoedas da Foxbit, explica que quase todas as criptomoedas atuais estão ligadas às chamadas "blockchains" ou "cadeia de blocos", em tradução para o português. Essas cadeias de blocos são espécies de "livros-razão" digitais e de acesso público, que registram todas as movimentações dentro de cada bloco, que é composto por uma série de informações criptografadas — entre elas, as criptomoedas.

Cada um desses blocos que é inserido na "corrente" recebe um código, chamado "hash", que ocorre de forma cronológica e sequencial, "ou seja, um bloco, obrigatoriamente, está conectado com o bloco anterior e posterior. Então, para eu mudar uma informação de uma blockchain, precisaria alterar os dados de todos os blocos anteriores e posteriores".

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