Economia

Inflação sobe 0,48% em setembro, diz IBGE

No acumulado de 12 meses até setembro, o IPCA teve alta de 5,17 por cento

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SBT News, com informações da Reuters
09/10/2025, 12:06 • Atualizado em 10/10/2025, 02:08
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A inflação no Brasil voltou a subir em setembro diante do aumento dos preços da energia elétrica e mesmo com a queda de alimentos, com a taxa em 12 meses acelerando em meio à busca pelo Banco Central pela meta, embora os resultados tenham ficado levemente abaixo do esperado.

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Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,48%, após queda de 0,11% em agosto, resultado mais alto desde março (+0,56%) informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Com isso a alta acumulada em 12 meses passou a 5,17%, de 5,13% em agosto, afastando-se do teto da meta contínua -- 3,0% medida pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Os resultados, entretanto, ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de avanços de 0,52% no mês e de 5,22% em 12 meses.

A maior influência sobre o resultado do IPCA de setembro foi exercida pela energia elétrica, com o fim dos descontos com o Bônus de Itaipu, valor distribuído aos consumidores todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.

Sob o peso ainda da bandeira tarifária vermelha patamar 2, com cobrança adicional aos consumidores de R$7,87 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, a energia elétrica teve em setembro alta de 10,31%, depois de recuar 4,21% no mês anterior.

Para outubro, a bandeira tarifária para a conta de energia será vermelha patamar 1, com cobrança adicional de R$4,46 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

De acordo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, sem a energia a taxa do IPCA de setembro seria de 0,08%. No ano, a energia elétrica residencial acumula avanço de 16,42%, chegando em 12 meses a uma taxa de 10,64%.

Com a disparada da energia, o grupo Habitação registrou a maior variação no mês ao subir 2,97%, de recuo de 0,90% em agosto, marcando o resultado mais elevado para o grupo desde fevereiro de 2025 (4,44%).

"Considerando os meses de setembro, a alta do grupo foi a maior desde 1995, quando subiu 4,51%”, disse Gonçalves.

O grupo Transportes teve variação positiva de 0,01% em setembro, após recuo de 0,27% em agosto, com alta de 0,87% dos combustíveis.

Os preços de gás veicular recuaram 1,24% no mês, mas os demais combustíveis apresentaram altas: etanol (2,25%), gasolina (0,75%) e óleo diesel (0,38%). A passagem aérea teve deflação de 2,83% em setembro.

Alimentos

Na outra ponta, o grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,26%, registrando taxa negativa pelo quarto mês consecutivo. Os custos da alimentação no domicílio caíram 0,41%, após redução de 0,83% de agosto, com destaque para as quedas do tomate (-11,52%), da cebola (-10,16%), do alho (-8,70%), da batata-inglesa (-8,55%) e do arroz (-2,14%).

“O grupamento dos alimentos para consumo em casa segue com variações negativas, dada a maior oferta dos produtos, o que possivelmente já reflete na alimentação fora, com a queda nos preços na refeição”, disse Gonçalves.

A inflação de serviços desacelerou a alta a 0,13% em setembro, de 0,39% em agosto. Mas em 12 meses o grupamento acumula alta de 6,14%, em meio à resiliência do mercado de trabalho no Brasil e a renda elevada, pontos de atenção do Banco Central.

"Os serviços permanecem relativamente pressionados, mas em patamar bem inferior ao observado no início do ano, sugerindo perda de fôlego gradual da inflação subjacente", disse em nota Leonardo Costa, economista do ASA, calculando a média das medidas de núcleos em uma alta de 0,19%.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, caiu de 57% em agosto para 52% em setembro.

O Banco Central decidiu no mês passado manter a taxa básica de juros Selic em 15% ao ano, e destacou na ata desse encontro que entrou agora em um novo estágio da política monetária que prevê taxa Selic inalterada por longo período para buscar a meta de inflação. O BC prevê que a inflação irá se aproximar do centro da meta no primeiro trimestre de 2028.

"O resultado (do IPCA) ... não deve alterar a condução da política monetária no curto prazo. O Copom ainda se mostra cauteloso com os ganhos na inflação e deverá optar por uma abordagem restritiva por mais tempo até ganhar ainda mais confiança de que o aperto monetário esteja sendo transmitido à economia, especialmente nos dados de atividade", avaliou André Valério, economista sênior do Inter, vendo o início do ciclo de cortes em janeiro.

A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a expectativa do mercado para a inflação vem diminuindo, com projeção de que o IPCA encerre este ano com alta de 4,80%, com a Selic a 15,0%.

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