Indústria lança manifesto por taxação de apostas online e defende criação da Cide-Bets
Setor argumenta que medida garantiria justiça tributária e mais recursos para saúde e educação; veja detalhes
Gabriela Tunes
28/10/2025, 11:01 • Atualizado em 28/10/2025, 11:02
compartilhar
Se aprovada ainda neste ano, a Cide-Bets poderia arrecadar R$ 8,5 bilhões em 2026, antes de ser substituída, em 2027, pelo imposto seletivo da reforma tributária | Divulgação/Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Fórum Nacional da Indústria, coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), lançou nesta terça-feira (28) um manifesto que promete acender o debate em torno das apostas online. Chamado de "Pela tributação das bets", o documento propõe a criação de um imposto seletivo específico para o setor, a Cide-Bets, com alíquota de 15% sobre o valor apostado, cobrada no ato da aposta.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A inspiração vem dos tributos já aplicados sobre produtos como cigarro e bebidas alcoólicas, com o objetivo de equilibrar a carga entre diferentes segmentos da economia.
A proposta vai além da arrecadação: parte dos recursos seria destinada a iniciativas em saúde e educação, reforçando o caráter social da medida. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a ideia é garantir "equilíbrio e justiça tributária para quem investe no futuro do Brasil".
"Enquanto o setor produtivo enfrenta uma carga tributária elevada, o mercado de apostas digitais paga muito menos impostos e ainda drena recursos da economia real", afirmou.
Se aprovada ainda neste ano, a Cide-Bets poderia arrecadar R$ 8,5 bilhões em 2026, antes de ser substituída, em 2027, pelo imposto seletivo da reforma tributária.
Descompasso tributário
A indústria brasileira carrega uma das maiores cargas tributárias do país: 46,2% para o setor de transformação, contra a média de 25,2% da economia.
Enquanto isso, as plataformas de apostas são tributadas como empresas comuns, com IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e ISS, além de uma taxa específica de 12% sobre a receita líquida das apostas, já descontados os prêmios pagos.
Na ponta do consumidor, os ganhos obtidos nas apostas pagam 15% de imposto, percentual menor que o aplicado a investimentos financeiros ou ganhos de capital, o que, segundo a CNI, revela um tratamento mais brando ao setor.
"A indústria de alimentos, por exemplo, produz 250 milhões de toneladas de comida por ano, gera mais de 2 milhões de empregos diretos e abastece o país. É um setor essencial que paga uma média de 24,4% em tributos", pontuou João Dornellas, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA).
Impacto sobre apostadores
O manifesto também prevê um efeito colateral positivo: o desestímulo ao vício.
Com a nova alíquota, uma aposta de R$ 10 custaria R$ 11,50 para quem tem saldo em conta nas plataformas digitais. A CNI estima que, com o aumento do custo imediato, o volume total de apostas cairia de R$ 70 bilhões para R$ 56,6 bilhões por ano.
O setor industrial conta com o respaldo da opinião pública.
Um levantamento do Instituto Locomotiva mostra que 81% dos brasileiros consideram injusto que os sites de apostas paguem menos impostos e 83% defendem a cobrança uniforme.
Os números também reforçam a preocupação social: 34 milhões de brasileiros já apostaram em cassinos ou sites, legais ou ilegais, e 59% dizem conhecer alguém endividadopor causa das apostas.
O mercado, somando plataformas formais e clandestinas, deve movimentar R$ 667 bilhões em 2025, segundo estimativas do IBJR, da LCA Consultoria e do Instituto Locomotiva.
Indústria lança manifesto por taxação de apostas online e defende criação da Cide-BetsSetor argumenta que medida garantiria justiça tributária e mais recursos para saúde e educação; veja detalhesEconomia2025-10-28T11:01:51.131ZO Fórum Nacional da Indústria, coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), lançou nesta terça-feira (28) um manifesto que promete acender o debate em torno das apostas online. Chamado de "Pela tributação das bets", o documento propõe a criação de um imposto seletivo específico para o setor, a Cide-Bets, com alíquota de 15% sobre o valor apostado, cobrada no ato da aposta. A inspiração vem dos tributos já aplicados sobre produtos como cigarro e bebidas alcoólicas, com o objetivo de equilibrar a carga entre diferentes segmentos da economia. A proposta vai além da arrecadação: parte dos recursos seria destinada a iniciativas em saúde e educação, reforçando o caráter social da medida. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a ideia é garantir "equilíbrio e justiça tributária para quem investe no futuro do Brasil". "Enquanto o setor produtivo enfrenta uma carga tributária elevada, o mercado de apostas digitais paga muito menos impostos e ainda drena recursos da economia real", afirmou. Se aprovada ainda neste ano, a Cide-Bets poderia arrecadar R$ 8,5 bilhões em 2026, antes de ser substituída, em 2027, pelo imposto seletivo da reforma tributária. Descompasso tributário A indústria brasileira carrega uma das maiores cargas tributárias do país: 46,2% para o setor de transformação, contra a média de 25,2% da economia. Enquanto isso, as plataformas de apostas são tributadas como empresas comuns, com IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e ISS, além de uma taxa específica de 12% sobre a receita líquida das apostas, já descontados os prêmios pagos. Na ponta do consumidor, os ganhos obtidos nas apostas pagam 15% de imposto, percentual menor que o aplicado a investimentos financeiros ou ganhos de capital, o que, segundo a CNI, revela um tratamento mais brando ao setor. "A indústria de alimentos, por exemplo, produz 250 milhões de toneladas de comida por ano, gera mais de 2 milhões de empregos diretos e abastece o país. É um setor essencial que paga uma média de 24,4% em tributos", pontuou João Dornellas, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). Impacto sobre apostadores O manifesto também prevê um efeito colateral positivo: o desestímulo ao vício. Com a nova alíquota, uma aposta de R$ 10 custaria R$ 11,50 para quem tem saldo em conta nas plataformas digitais. A CNI estima que, com o aumento do custo imediato, o volume total de apostas cairia de R$ 70 bilhões para R$ 56,6 bilhões por ano. Apoio popular O setor industrial conta com o respaldo da opinião pública. Um levantamento do Instituto Locomotiva mostra que 81% dos brasileiros consideram injusto que os sites de apostas paguem menos impostos e 83% defendem a cobrança uniforme. Os números também reforçam a preocupação social: 34 milhões de brasileiros já apostaram em cassinos ou sites, legais ou ilegais, e 59% dizem conhecer alguém endividado por causa das apostas. O mercado, somando plataformas formais e clandestinas, deve movimentar R$ 667 bilhões em 2025, segundo estimativas do IBJR, da LCA Consultoria e do Instituto Locomotiva.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/industria-lanca-manifesto-por-taxacao-de-apostas-online-e-defende-criacao-da-cide-bets