Mundo

Trump deve aceitar derrota no Irã, diz ex-assessor de Obama

Ben Rhodes afirma que programa nuclear iraniano está pior do que antes da guerra

Avatar de Duda Ventura
Duda Ventura
Ex-conselheiro de Obama sobre guerra no Irã: “Trump terá que aceitar derrota” | Reprodução -- Reuters

Ex-conselheiro de Obama sobre guerra no Irã: “Trump terá que aceitar derrota” | Reprodução -- Reuters

O ex-conselheiro de Segurança Nacional do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Ben Rhodes, criticou condução de Donald Trump sobre o conflito contra o Irã. Em entrevista ao podcast Talk Easy with Sam Fragoso, Rhodes defendeu que o presidente americano terá que “aceitar que os EUA perderam a guerra e seguir em frente”.

“Nós fracassamos em todos os nossos próprios critérios de avaliação. Simplesmente destruir um monte de coisas em um país não significa alcançar algum objetivo. (...) Trump vai simplesmente ter que aceitar a derrota e fazer um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, que permita ao Irã ter algum acesso às receitas geradas por isso, e seguir em frente.”

Ele ainda argumentou que o acordo de 2015, assinado durante o mandato de Obama para limitar o programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções econômicas, impactou muito mais o país do que os atuais bombardeios.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover
“Nós conseguimos causar muito mais impacto no programa nuclear iraniano por meio de um acordo diplomático do que bombardeando o país: em termos de retirar centrífugas, permitir a entrada de inspetores e retirar material nuclear.”

Rhodes também afirmou que os Estados Unidos foram convencidos por Israel a entrar no conflito e relacionou a decisão à situação política do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo ele, a sobrevivência política de Netanyahu estaria ligada à continuidade da guerra, enquanto Trump não precisaria do conflito para se manter no poder.

“No caso de Netanyahu, a sobrevivência política dele claramente está ligada à continuidade da guerra agora. (...) Trump não precisa da guerra para sobreviver politicamente. Ele não participará de outra eleição, ele já tem 80 anos.”

Na entrevista, o ex-conselheiro também disse não acreditar que o presidente americano conseguirá fechar um acordo de paz com Teerã, e que a resposta mais provável dos iranianos seria produzir uma arma nuclear própria “para sobreviver”.

Rhodes questionou a justificativa de que o conflito seria necessário para derrubar o regime iraniano e ajudar a população. Ele argumentou que o governo de Teerã “é mau e não se importa com o sofrimento do próprio povo”, mas defendeu que mudanças políticas devem partir dos próprios iranianos.

“Acredito que o povo iraniano será mais capaz de mudar seu próprio governo se nós simplesmente o deixarmos em paz. (...) Não acredito que as forças armadas dos Estados Unidos sejam um instrumento para influenciar resultados políticos internos (de outros países).”

Rhodes era conselheiro de Barack Obama quando os EUA lideraram uma intervenção militar da OTAN na Líbia, em 2011. Na época, a medida foi implementada com a promessa de proteger civis contra o regime de Muammar al-Gaddafi – que acabou capturado e morto pelos rebeldes. O ex-conselheiro afirmou que, 15 anos depois, mudou de ideia sobre a necessidade de ações deste tipo.

“(Depois que os EUA deixaram o país,) a Líbia mergulhou numa guerra civil na qual dezenas de milhares de pessoas morreram. Todo norte da África foi inundado por armamentos devido ao tipo de fronteira aberta da Líbia e ao comércio de armas em torno de diferentes grupos extremistas, que ganhou terreno (...) Mas acho que Obama provavelmente discordaria de mim.”

Últimas notícias