Economia

Inadimplência dispara para 4,2% e acende alerta nas empresas e no sistema financeiro

Juros a 15%, famílias endividadas e mudança regulatória empurram índice ao maior nível da história

Imagem da noticia Inadimplência dispara para 4,2% e acende alerta nas empresas e no sistema financeiro
Atividade do Comércio

O brasileiro está sentindo no bolso, e os números confirmam isso. A inadimplência média das operações de crédito bancário chegou a 4,2% em janeiro, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. Estamos falando de atrasos superiores a 90 dias. Para efeito de comparação, 2024 terminou com o índice em 3%. No fim de 2025 já havia encostado em 4%. Agora, o recorde foi oficialmente superado.

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É importante entender que parte dessa alta não é apenas reflexo de desorganização financeira das famílias. Houve também uma mudança técnica relevante. A resolução 4.966 do Banco Central alterou a metodologia de provisão para perdas dos bancos, substituindo o modelo de perda incorrida pelo de perda esperada. Na prática, os créditos problemáticos permanecem mais tempo nas carteiras. O próprio BC estima que cerca de 70% da elevação registrada no ano passado tenha relação com esse ajuste regulatório.

Mas não é só contabilidade. O cenário econômico pesa. O endividamento das famílias atingiu 49,7% da renda em dezembro, muito próximo do pico da série. Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas. Crédito caro reduz margem de manobra e empurra muitos consumidores para linhas mais arriscadas, como cheque especial e rotativo do cartão.

O reflexo aparece na qualidade das carteiras, principalmente no crédito com recursos livres, onde a inadimplência já alcança 5,5%. Isso significa mais risco para os bancos e menos espaço para expansão saudável do crédito. É um ciclo delicado. Juros altos encarecem o crédito. Crédito caro aumenta o risco. Risco maior pressiona ainda mais o sistema.

Para pequenos e médios negócios, esse número não deve gerar pânico, mas sim estratégia. Em um ambiente de inadimplência recorde e juros elevados, o foco precisa estar em gestão de caixa, controle rigoroso de crédito concedido a clientes, revisão de prazos e fortalecimento de capital de giro. É hora de priorizar previsibilidade, renegociar passivos caros, evitar alavancagem desnecessária e acompanhar de perto a qualidade da própria carteira. Quem tiver disciplina financeira agora atravessa o ciclo mais forte. Quem ignorar o cenário pode transformar um atraso pontual em problema estrutural.

O setor bancário projeta uma possível estabilização ao longo de 2026, especialmente se houver queda da Selic. Mas o alívio tende a ser gradual. Vai depender de renegociação de dívidas, disciplina financeira e melhora consistente das condições econômicas.

O dado de 4,2% não é apenas um número estatístico. Ele é um termômetro da tensão financeira que atravessa famílias, empresas e o próprio sistema financeiro. Em um ambiente de juros elevados, organização, planejamento e uso estratégico do crédito deixam de ser opção e passam a ser necessidade.

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