Meloni rompe silêncio e critica Trump por ataque ao Papa Leão: 'Inaceitável'
Primeira-ministra italiana se une a líderes políticos na defesa do pontífice após declarações e postagem polêmica de Donald Trump


Reuters
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou nesta segunda-feira (13) como "inaceitáveis" as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao papa Leão XIV, após o pontífice se manifestar contra a guerra no Oriente Médio.
A declaração representou uma repreensão pública extremamente rara de Meloni a Trump, com quem mantém relações particularmente próximas, destacando a ampla indignação na Itália diante das críticas do presidente americano ao papa.
Trump gerou a controvérsia ao chamar Leão de “terrível” em uma longa crítica no domingo. Em seguida, publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece como uma figura semelhante a Jesus, provocando ainda mais revolta entre cristãos, que consideraram a imagem blasfema.
O Papa Leão, líde católico respondeu rapidamente, dizendo a repórteres que não tem “nenhum medo” do governo Trump e prometendo continuar se manifestando contra a guerra liderada pelos Estados Unidos com o Irã e em defesa dos migrantes.
Meloni havia divulgado inicialmente uma nota apoiando o papa enquanto ele partia para uma ambiciosa viagem por quatro países da África, mas não mencionou diretamente Trump.
Políticos da oposição a acusaram de falta de coragem para confrontar o presidente americano, o que a levou a emitir uma segunda declaração mais tarde no mesmo dia para esclarecer sua posição.
“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e normal que ele peça paz e condene toda forma de guerra”, afirmou.
O perigo de atacar papas
Meloni foi a única líder europeia a comparecer à posse de Trump em 2025 e esperava que a amizade entre os dois fortalecesse sua posição política dentro e fora da Itália.
No entanto, Trump pode se tornar um fator negativo: 66% dos italianos têm uma visão desfavorável do presidente dos EUA. Pesquisas indicam que a proximidade de Meloni com a Casa Branca pode ter influenciado sua derrota no referendo do mês passado sobre reforma judicial.
O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, que também já demonstrou proximidade com Trump, se distanciou do líder americano nesta segunda-feira, evidenciando como a extrema-direita europeia tenta se afastar da órbita do movimento MAGA.
“O Papa Leão é um líder espiritual para bilhões de católicos, mas, além disso, se há alguém que busca a paz, é ele. Portanto, atacá-lo não parece nem sensato nem útil”, disse em comunicado.
O comentário ecoa um ditado italiano: “chi mangia papa crepa” (“quem tenta devorar o papa morre”), expressão que remonta a séculos de tensão entre o papado e governantes seculares.
“Trump cometeu o erro do século, porque ‘chi mangia papa crepa’ já se comprovou repetidamente”, afirmou o historiador da Igreja Alberto Melloni, citando a Casa de Saboia, que entrou em conflito com o Vaticano no século XIX e acabou desaparecendo, enquanto o papado permaneceu.
Antonio Spadaro, padre católico e subsecretário do Dicastério para a Cultura e Educação do Vaticano, afirmou que o ataque de Trump revela sua própria fraqueza.
“Se Leão fosse irrelevante, não mereceria comentários. Em vez disso, é citado, nomeado, combatido — sinal de que suas palavras importam”, escreveu Spadaro na rede X. “É aí que surge a força moral da Igreja — não como um contrapoder, mas como um espaço em que o poder é julgado por um padrão que ele não controla.”









