Importação de vinhos cresce 20% em dois anos e movimenta US$ 561 milhões em 2025
Alta é impulsionada por maior consumo, avanço do público feminino e valorização de rótulos premium


Caio Aquino
O mercado brasileiro de vinhos importados segue em expansão consistente. Dados do Ministério da Agricultura mostram que o valor total das importações passou de 468,1 milhões de dólares em 2023 para US$ 525,8 milhões em 2024 e alcançou US$ 561,2 milhões em 2025, crescimento acumulado de US$ 93 milhões em dois anos, alta de aproximadamente 20%.
Para Claudio Adolfo, especialista no mercado de vinhos, o avanço não é pontual. “O crescimento de 20% nas importações pode ser atribuído a vários fatores. O Brasil vem ampliando sua cultura de consumo e isso aparece tanto em volume quanto em valor”, afirma.
O volume importado também subiu: saiu de 145,4 milhões de quilos em 2023 para 166,5 milhões de quilos em 2025, aumento de 21 milhões de quilos no período, alta de cerca de 14,5%.
Segundo o especialista, o crescimento está ligado a mudanças no perfil do consumidor. “As mulheres agora representam 53% dos consumidores de vinho no Brasil, e a faixa etária de 55 a 64 anos também está crescendo. Isso amplia o mercado e diversifica o tipo de consumo”, explica.
Ele também destaca uma transformação nas preferências. “Há uma tendência crescente de consumo de vinhos brancos e rosés em detrimento dos tintos”.
América do Sul lidera, Europa avança
O Chile segue como principal fornecedor ao Brasil, com US$ 213 milhões em 2025, cerca de 38% do total importado. A Argentina aparece na segunda posição, com US$ 101,4 milhões.
Entre os europeus, Portugal lidera com US$ 84,4 milhões. Já a França registrou crescimento expressivo em 2025, alcançando US$ 63,9 milhões, enquanto a Itália avançou de US$ 38,5 milhões em 2023 para US$ 49,4 milhões em 2025.
Adolfo avalia que esse movimento reflete maior sofisticação do mercado. “Os dados indicam que o crescimento está associado aos dois fatores, mas com forte peso qualitativo. Há aumento das importações acompanhado de maior diversificação de rótulos e sofisticação gradual do consumo”, afirma.
Segundo ele, o mercado brasileiro deixou de priorizar apenas preço. “O posicionamento atual prioriza identidade regional e qualidade mais do que competição por preço.”
Valorização e consumo maior
O especialista destaca que o avanço não se explica apenas pelo aumento no volume comprado. “O cenário aponta para uma combinação das duas tendências. O crescimento do consumo e a expansão da cultura do vinho indicam aumento de volume, enquanto a busca por diversidade, origem e qualidade demonstra uma migração gradual para rótulos de maior valor agregado”, diz.
Ele também observa que o mercado premium tem puxado parte desse crescimento. “Vinhos da Itália, França, Grécia e África do Sul apresentam desempenho acima da média, o que mostra que o consumidor brasileiro está disposto a investir mais.”
Os dados reforçam o Brasil como mercado estratégico para exportadores internacionais e indicam que o consumo da bebida no país passa por um processo de amadurecimento, com maior diversidade e valorização de qualidade.









