Ibovespa fecha em queda de 0,4% e dólar sobe com Fed cauteloso sobre juros
Durante coletiva, presidente do BC dos EUA reforçou que qualquer flexibilização da política monetária dependerá de sinais concretos de desaceleração da inflação


Exame.com
O Ibovespa perdeu fôlego ao longo da tarde desta quarta-feira (18) e encerrou o pregão em queda, refletindo a cautela dos investidores em um dia marcado pela chamada "super quarta", com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Durante a manhã, o índice chegou a oscilar entre leves perdas e ganhos, ganhando volatilidade com a disparada dos preços do petróleo após ameaças do Irã a instalações na região, em meio a ataques dos Estados Unidos e de Israel.
O movimento elevou a aversão ao risco global e reforçou preocupações com pressões inflacionárias, mas se intensificou com o tom de cautela do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell, sobre o futuro da política monetária americana. O Ibovespa caiu 0,43%, aos 179.639 pontos, interrompendo duas sessões consecutivas de alta.
No mercado de câmbio, o dólar à vista também ganhou força ao longo da tarde, acompanhando o movimento global de valorização da moeda americana. Após operar próximo da estabilidade durante boa parte do dia, o dólar passou a subir depois da decisão do Fed e intensificou a alta durante a coletiva de JPowell.
A moeda americana fechou em alta de 0,90%, cotada a R$ 5,2468, na máxima do dia. Na mínima, marcou R$ 5,1853. No exterior, o índice DXY voltou a subir e atingir mais de 100 pontos.
Powell diz que política monetária seguirá levemente restritiva
A valorização do dólar e a queda do Ibovespa refletiram o tom mais cauteloso de Powell, que sinalizou que o Fed pode não cortar os juros neste ano diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã e pelos efeitos inflacionários da alta do petróleo.
Mais cedo, o Fed manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% pela segunda reunião consecutiva, em decisão alinhada às expectativas do mercado.
Durante a coletiva, o presidente do BC dos EUA reforçou que qualquer flexibilização da política monetária dependerá de sinais concretos de desaceleração da inflação. "Se não virmos esse progresso, então vocês não verão o corte na taxa", afirmou.
O presidente do Fed também destacou que a autoridade monetária pretende manter a política monetária em nível levemente restritivo enquanto busca equilibrar os riscos de desaceleração do mercado de trabalho e de pressões inflacionárias. Segundo ele, a maioria dos dirigentes não vê uma alta de juros como o próximo passo.
No Brasil, os investidores seguem à espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para após o fechamento do mercado, às 18h30.









