Economia

"Havia brechas e foram fechadas", diz Haddad sobre decisão de suspender parte de aumento do IOF

Após congelar R$ 31,3 bi para cumprir meta, governo voltou atrás e manteve alíquotas sobre fundos no exterior e remessas internacionais para investimentos

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Victória Melo, Felipe Moraes
23/05/2025, 12:05 • Atualizado em 24/05/2025, 00:41
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou nesta sexta-feira (23) o motivo da decisão de suspender parte de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), como aplicações no exterior. Com a medida, a alíquota zero está mantida nesses casos.

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"No conjunto do que foi anunciado, está tudo mantido, mas este item foi revisto e eu penso que vai fazer bem revê-lo antes mesmo da abertura do mercado, pra evitar algum tipo de boataria e especulações em torno de objetivos que o governo não tem", afirmou Haddad, completando que "havia brechas" no imposto e que "foram fechadas".

A equipe econômica havia feito anúncio na tarde dessa quinta (22), congelando R$ 31,3 bilhões em despesas do Orçamento para cumprir meta fiscal. Na proposta de aumento do IOF, o tributo sobre aplicações nacionais de investimentos em fundos no exterior seria de 3,5%, o que repercutiu mal no mercado financeiro.

O segundo de dois pontos do recuo no imposto envolveu remessas enviadas do Brasil para o exterior destinadas a investimentos: essas permanecem com alíquota de 1,1%, em vez do reajuste para 3,5% definido antes da revisão.

"Esse item é muito residual", ponderou Haddad sobre IOF. "Nós entendemos que, pelas informações recebidas, valia a pena fazer revisão desse item. Revisão era justa e correta. Mandamos para Casa Civil e decreto de revisão foi processado e já está publicado no Diário Oficial da União [de hoje], em edição extraordinária", continuou.

Uma reunião ontem à noite no Palácio do Planalto reuniu integrantes do governo e técnicos da equipe econômica. Haddad viajou para São Paulo e participou virtualmente do encontro. Após tratativas, a publicação foi feita nas redes sociais.

"O ministro da Fazenda informa que, após diálogo e avaliação técnica, será restaurada a redação do inciso II do art. 15-B do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que previa a alíquota zero de IOF sobre aplicação de investimentos de fundos nacionais no exterior", disse o ministério.

Medidas que continuam em vigor

Outras mudanças no IOF seguem valendo a partir desta sexta-feira (23), como:

  • Aumento do IOF para compra de moeda estrangeira em espécie, que passou de 1,1% para 3,5%;
  • Para cartão de crédito e débito internacional, cartões pré-pagos e cheques-viagem: aumento da alíquota de 3,38% para 3,5% por operação;
  • Criação de alíquota de 5% para aportes elevados em planos de previdência complementar (VGBL).

A expectativa do governo é arrecadar R$ 20,5 bilhões com a padronização da alíquotas do IOF.

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