Economia

Haddad diz que ajustes do Congresso no pacote fiscal "não afetam o resultado final"

Em café da manhã com jornalistas, Fernando Haddad disse que não se vê como candidato à presidência em 2026, caso o presidente Lula não concorra à reeleição

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Murilo Fagundes
20/12/2024, 16:31 • Atualizado em 20/12/2024, 16:31
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tomou café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (20) | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tomou café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (20) | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira (20), que o pacote fiscal enviado ao Congresso foi necessário para garantir um equilíbrio nas finanças do país, mesmo com as críticas de setores que consideraram as ações insuficientes. A declaração foi feita durante café da manhã com jornalistas, em Brasília.

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"A aprovação das medidas foi dentro das possibilidades e em um prazo muito curto. Não houve alterações significativas que afetassem o resultado final", explicou, destacando que o governo teve que honrar compromissos herdados, como o Fundeb e a PEC Kamikaze.

O ministro também abordou a alta do dólar e a política monetária. Segundo ele, a valorização da moeda americana foi um reflexo de falhas na comunicação, que geraram um efeito indesejado no mercado cambial. Haddad afirmou que o Banco Central deve buscar um equilíbrio, e não um nível fixo, para o câmbio. Para 2025, ele acredita que a situação pode se estabilizar, embora reconheça que o cenário externo e a eleição nos Estados Unidos influenciem a economia global, incluindo a brasileira.

Corte de gastos

Em relação ao pacote fiscal, Haddad ressaltou que o Congresso fez ajustes que resultaram em um impacto de cerca de R$1 bilhão nos próximos dois anos. Apesar disso, o ministro acredita que a revisão de gastos se tornará uma prática rotineira do Executivo. Ele também destacou que a mudança na metodologia da meta de inflação vai trazer melhores resultados nos próximos anos.

"Não deveria ser algo extraordinário. O governo precisa continuar revisando suas despesas para garantir equilíbrio fiscal", afirmou.

Reforma tributária

Sobre a reforma tributária, Haddad falou da importância de evitar vinculações orçamentárias que atrapalhem a flexibilidade do governo para administrar as finanças. Além disso, mencionou que, se o governo tivesse conseguido aprovar uma Medida Provisória no ano passado, o Brasil teria registrado um superávit mesmo com a situação difícil de 2024.

Perguntado sobre as tensões políticas que envolvem as discussões sobre a reforma tributária e os cortes de despesas, Haddad explicou que, em um ambiente político instável como o brasileiro, é difícil prever o cenário de 2026. "Ainda é cedo para antecipar qualquer situação. A política tem suas dificuldades, e o governo precisa estar atento para chegar competitivo nas próximas eleições", afirmou. Para Haddad, a estabilidade econômica dependerá da capacidade do governo de manter os ajustes fiscais e cumprir as promessas feitas durante o mandato.

"Não me entendo como candidato em 2026", respondeu quando perguntado sobre eventual candidatura.

Futuro da economia

Sobre o futuro da economia, Haddad atrelou a recuperação do país a capacidade de implementação das reformas, incluindo a reforma administrativa. Ele acredita que o Brasil deve se preparar para um ciclo de crescimento modesto em 2025, com a previsão de 2,5% de expansão do PIB, índice inferior ao deste ano. Quanto aos juros, o ministro assegurou que o Banco Central continuará sua política de juros altos, priorizando o controle da inflação.

Embora Haddad tenha sido enfático em relação à necessidade de cortes e ajustes fiscais, ele também abordou a reforma do Imposto de Renda, afirmando que será debatida ao longo de 2025. O foco do governo, segundo ele, será corrigir as distorções no sistema tributário e garantir que a carga tributária permaneça equilibrada entre pessoas físicas e jurídicas, sem sobrecarregar a população.

“Sei que discurso que acabo de fazer desagrada esquerda e direita. A direita não quer pagar impostos que deve. A esquerda não quer ter corte de gastos. Aí é difícil, como a conta fecha?”, completou.

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