Economia

Gol encerra negociações de possível fusão com Azul: "Partes não progrediram"

Processo tinha começado em janeiro; decisão também decreta fim do acordo de compartilhamento de voos entre as companhias, chamado de codeshare

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O Grupo Abra, controlador da Gol, anunciou na noite dessa quinta-feira (25) encerramento das negociações para uma possível fusão com a Azul. A decisão também decreta fim do acordo de compartilhamento de voos entre as companhias aéreas, chamado de codeshare.

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Em nota, a empresa informou a acionistas e mercado em geral que "enviou comunicado à Azul Linhas Aéreas Brasileiras S.A. ('Azul') solicitando a rescisão dos acordos celebrados em maio de 2024, que tinham por objetivo estabelecer uma cooperação comercial via codeshare para conectar suas respectivas malhas aéreas no Brasil".

A Gol afirmou que "honrará" passagens comercializadas no âmbito da parceria entre as companhias e que "continua focada na excelência no atendimento de seus clientes". A Azul confirmou fim das negociações e também esclareceu que honrará bilhetes emitidos sob acordo de cooperação.

A empresa ainda reafirmou "comprometimento com processo de fortalecimento da sua estrutura de capital e informa que manterá os seus acionistas e o mercado em geral informados acerca de eventuais desdobramentos relevantes relacionados ao encerramento das discussões comerciais acerca da potencial combinação de negócios, bem como do acordo de cooperação comercial (codeshare)".

Falta de discussões significativas e foco da Azul em reestruturação internacional: entenda o que ocorreu

Em notificação comunicada à Azul, a Gol lembrou que tinha se colocado "à disposição para continuar avançando nas discussões rumo a uma combinação de negócios" desde a assinatura do Memorando de Entendimentos, em 15 de janeiro.

Reforçou, porém, que "as partes não tiveram discussões significativas ou progrediram em uma possível operação de combinação de negócios por vários meses como resultado do foco da Azul em seu processo de Chapter 11", como é chamado o processo de reestruturação internacional.

A Gol citou que a assinatura do memorando e pré-arquivamento junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) "ocorreram em outro cenário e em outro momento das empresas, que não é mais o mesmo".

"Como resultado, por boa ordem e de acordo com o Acordo de Confidencialidade, através da presente, a Abra apresenta notificação por escrito à Azul de que a Abra está encerrando as discussões com relação a uma Possível Transação", afirmou o Grupo Abra.

No fim do comunicado, a empresa ponderou que continua "acreditando no mérito de uma combinação de negócios entre a Azul e a Gol". "Como tal, a Abra está pronta, disposta e disponível para engajar com os stakeholders aplicáveis", finalizou.

O que diz o governo federal

O governo federal reagiu ainda na noite dessa quinta ao fim das negociações de fusão entre Gol e Azul. Em nota, o Ministério de Portos e Aeroportos disse que parceria entre companhias "visava ampliar a conectividade do mercado doméstico".

"O setor aéreo brasileiro continua em crescimento, com aumento na demanda por voos nacionais e internacionais, o que representa um número cada vez maior de passageiros voando pelo país. A Gol concluiu recentemente seu processo de reestruturação internacional (Chapter 11) e segue em expansão. A Azul também está em fase de reorganização", continuou.

O ministério também afirmou acompanhar a decisão e reforçou que o Brasil "continuará contando com três grandes companhias aéreas (Gol, Azul e Latam), o que garante competitividade e mais opções para os passageiros".

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, viu com otimismo o saldo do processo entre Gol e Azul, mesmo com fim das negociações.

"O resultado é fruto do fortalecimento das companhias aéreas e do crescimento da aviação no Brasil, impulsionando o turismo de negócios e lazer. O setor se consolida, gerando mais oportunidades e conectando o país", escreveu na rede social X (ex-Twitter).

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