Economia

Preço da Gasolina cai nas refinarias mas sobe nos postos; entenda por que desconto não chega ao consumidor

Em três anos, preço da gasolina caiu 16% nas refinarias, mas subiu 27% nas bombas; distribuição e margens explicam a diferença

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Mesmo com sucessivas reduções no preço da gasolina vendida às refinarias pela Petrobras, o consumidor brasileiro continua pagando mais caro nos postos. A gasolina ficou 16% mais barata na refinaria, enquanto o preço final subiu 27% nas bombas, uma diferença explicada principalmente pela cadeia de distribuição.

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Por que a gasolina fica mais barata na refinaria, mas não no posto?

Segundo especialistas, o principal fator está fora da Petrobras. A estatal vende combustível para distribuidoras, que repassam o produto aos postos. Nesse caminho, entram impostos, custos logísticos e margens comerciais.

Desde a privatização da BR Distribuidora, em 2019, hoje chamada Vibra Energia, a Petrobras deixou de atuar diretamente na distribuição, perdendo um instrumento de pressão competitiva sobre os preços finais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já afirmou que a estatal reduz os preços sempre que possível, mas não controla o valor cobrado ao consumidor. Segundo ela, após a privatização da BR, as distribuidoras passaram a ampliar margens, impedindo que os cortes chegassem à bomba.

A Petrobras também destaca que o contrato de venda da BR Distribuidora prevê uma cláusula de não competição até 2029, o que limita a atuação direta da estatal no segmento.

Para o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, a venda da BR foi um erro estratégico.

“Foi um erro para o consumidor, porque a Petrobras perdeu um instrumento importante de referência e disciplina de preços”, afirmou.

Segundo ele, sem uma distribuidora estatal forte, o mercado ficou mais fragmentado, com baixa concorrência em várias regiões, o que facilita a retenção de ganhos na cadeia intermediária.

Distribuição concentra ganhos, dizem especialistas

Estudos da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) indicam que a privatização da BR reduziu a competição no setor de distribuição, resultando em margens mais altas e preços finais maiores para o consumidor.

O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) também aponta que falhas regulatórias e assimetrias regionais dificultam o repasse das reduções.

Desde dezembro de 2022, a Petrobras promoveu diversos cortes no preço da gasolina, incluindo reduções de dois dígitos em 2023 e novos ajustes em 2025 e 2026. O diesel e o gás de cozinha também tiveram quedas relevantes no período.

Mesmo assim, o impacto no bolso do consumidor foi limitado, especialmente em regiões com pouca concorrência entre distribuidoras e postos.

Nas redes sociais, cresce a pressão para que o governo recompre a BR Distribuidora, hoje Vibra Energia. Especialistas afirmam, porém, que qualquer mudança dependerá de negociação complexa, revisão contratual e discussão sobre o papel do Estado no setor.

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