Economia

Fim da escala 6x1 pode encolher PIB em até 16%, diz estudo

Pesquisa aponta possível aumento de desemprego e informalidade; Fiemg defende investimento em capacitação profissional e ambiente de negócios mais eficiente

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SBT News
18/04/2025, 16:00 • Atualizado em 18/04/2025, 16:03
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Protesto pelo fim da escala 6x1 | Divulgação/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Protesto pelo fim da escala 6x1 | Divulgação/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um novo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que a proposta de acabar com a jornada 6x1 pode trazer impactos negativos para a economia brasileira. O levantamento aponta que a mudança poderia reduzir entre 14,2% e 16% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, além de causar aumento no desemprego, queda na renda dos trabalhadores e mais informalidade.

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A pesquisa foi divulgada após a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema ser protocolada na Câmara dos Deputados. Na prática, a mudança propõe reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, com descanso maior entre os dias trabalhados.

De acordo com o estudo da Fiemg, se a jornada for reduzida sem aumento de produtividade, o impacto pode ser de até R$ 2,9 trilhões no faturamento das empresas.

"Antes de discutir a redução da jornada de trabalho, o Brasil precisa enfrentar o seu maior desafio: a baixa produtividade. O trabalhador brasileiro produz, em média, apenas 23% do que um trabalhador dos Estados Unidos. Reduzir o tempo de trabalho sem elevar a produtividade é uma conta que não fecha e coloca em risco milhões de empregos", explicou o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio.

No cenário mais crítico analisado, o Brasil poderia perder até 18 milhões de empregos e registrar uma queda de até R$ 480 bilhões na massa salarial. Já em uma situação intermediária, com aumento de apenas 1% na produtividade, ainda haveria perdas: 16 milhões de postos de trabalho a menos e R$ 428 bilhões de impacto negativo na renda dos trabalhadores.

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, afirma que os custos adicionais para as empresas serão repassados para os consumidores, afetando a inflação e o custo de vida.

"Imagine um restaurante que funciona com dois garçons. Se a jornada for reduzida, o dono do estabelecimento precisará contratar mais um garçom para manter o funcionamento. Esse custo a mais inevitavelmente será repassado para o preço da comida que chega à mesa do cliente", exemplificou o presidente da Fiemg.

Outro alerta feito pelo estudo é o aumento da informalidade no mercado de trabalho, que hoje já atinge 38,3% dos trabalhadores brasileiros. Segundo a Fiemg, pequenas e médias empresas podem ter dificuldades para arcar com os custos da mudança e, por isso, recorrer a contratações informais ou até mesmo reduzir operações.

Além disso, o levantamento mostra que a competitividade do Brasil no cenário global também pode ser afetada. Países como México, China, Índia e Vietnã têm jornadas mais longas e custos de produção mais baixos, o que pode atrair investimentos estrangeiros e desviar empregos da indústria brasileira.

"A experiência internacional mostra que a redução da jornada precisa ser acompanhada de ganhos reais de produtividade. Mesmo em países ricos, como a França, a redução da carga horária de 39 para 35 horas não trouxe os resultados esperados e gerou perda de competitividade", alertou Roscoe.

A Fiemg defende que o caminho para o desenvolvimento está no aumento da produtividade, com investimentos em educação, capacitação profissional, inovação e um ambiente de negócios mais eficiente, e não apenas na redução da jornada de trabalho.

Proposta no Congresso

A principal proposta em debate no Congresso Nacional foi apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A PEC sugere a redução da jornada para permitir a adoção de modelos como o de quatro dias de trabalho por semana. No entanto, a deputada já sinalizou que pode buscar um meio termo, com jornadas de cinco dias semanais.

A proposta tem como base argumentos como a necessidade de modernizar as relações de trabalho, adaptar o mercado a novas realidades e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

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