Dólar segue em queda e chega a R$ 5,12, menor nível em quase 2 anos
No acumulado de 2026, a queda do dólar frente ao real já é superior a 6%


Exame.com
O dólar encerrou a quarta-feira, 25, em queda de 0,60%, cotado a R$ 5,125, no menor patamar desde 21 de maio de 2024, quando a moeda havia sido vendida a R$ 5,1162. Foi a quinta sessão consecutiva de desvalorização frente ao real, consolidando o movimento de enfraquecimento que já vinha sendo observado ao longo do mês.
Durante o dia, o câmbio operou com volatilidade. Pela manhã, a moeda chegou a subir, mas perdeu força ao longo da tarde e aprofundou as perdas no fechamento. Na mínima da sessão, encostou em R$ 5,11, renovando o piso em quase dois anos.
No acumulado de 2026, a queda do dólar frente ao real já é superior a 6%. O movimento amplia a tendência vista em 2025, quando a moeda começou o ano acima de R$ 6 e encerrou o último pregão cotada a R$ 5,489, com desvalorização acumulada de 11,18%.
O que explica a queda
A dinâmica da sessão reforçou o protagonismo do fluxo para emergentes. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, descreve um dia de forte volatilidade, sem uma tendência clara ao longo do pregão. O dólar abriu em alta frente ao real, mas perdeu força no decorrer da tarde e encerrou novamente em queda, destoando do índice dólar, que se manteve relativamente estável.
Para ele, é difícil atribuir o movimento a um único fator, como pesquisas eleitorais ou exclusivamente ao cenário externo. Outras moedas emergentes, como peso colombiano, peso chileno e peso mexicano, também tiveram desempenho positivo, sugerindo um movimento mais amplo de fluxo para mercados emergentes.
"A gente viu outras moedas emergentes se valorizando no dia, como o peso colombiano, o peso chileno e o peso mexicano. Isso indica que o movimento não foi isolado do real, mas parte de um fluxo mais amplo para mercados emergentes. Parece ter sido mais um dia de entrada de recursos nessas economias, o que acabou pressionando o dólar para baixo frente a esse grupo de moedas", afirmou Castro Alves.
Segundo o estrategista, o pano de fundo é de menor aversão ao risco e maior disposição dos investidores para ativos mais voláteis. O mercado aguarda, após o fechamento, o balanço da Nvidia, visto como potencial catalisador para o setor de tecnologia — e, por tabela, para ativos de risco em geral, incluindo criptoativos.
Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que a queda do dólar reflete principalmente a melhora do ambiente internacional, com alta dos principais índices globais de ações e maior apetite por risco.
No Brasil, o pano de fundo segue favorável ao real, apesar de leve correção do Ibovespa. O ingresso de recursos estrangeiros na B3 já soma cerca de R$ 38 bilhões desde janeiro, atraído pelo diferencial de juros e pela rotação geográfica e setorial global. No campo político, a percepção de maior equilíbrio na disputa eleitoral contribui para reduzir prêmios de risco, sustentando o fluxo para ativos locais.
"No cenário externo, o mercado também assimilou de forma positiva a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos relacionada às tarifas comerciais, movimento que favorece economias exportadoras e amplia a pressão baixista sobre o dólar", disse Shahini.









