Economia

Criminosos movimentaram mais de U$ 40 bilhões em criptoativos em 2024

Relatório revela transações por criminosos em todo mundo; no Brasil, facções utilizam moedas digitais em atividades ilícitas

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SBT Brasil, Nathalia Fruet
20/03/2025, 01:48 • Atualizado em 20/03/2025, 01:48
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O relatório global Cripto Crime Report revelou que mais de 40 bilhões de dólares em criptoativos foram movimentados por criminosos no ano passado, em todo o mundo. No Brasil, essas moedas virtuais também são utilizadas por facções criminosas.

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Segundo investigações, os policiais militares acusados pelo assassinato do delator do PCC, Vinícius Gritzbach, receberam 3 milhões de reais como pagamento pela execução, parcialmente em dinheiro vivo e o restante em criptomoedas.

A criptomoeda é descrita pelos especialistas como "dinheiro digital", que não requer a mediação de bancos para transações. A investigação teve acesso a prints de movimentações vinculadas aos executores; contudo, os policiais ainda não conseguiram acessar as carteiras digitais, que são onde as criptomoedas são armazenadas.

As organizações criminosas estão utilizando criptoativos com crescente frequência. No entanto, as quadrilhas são muitas vezes descobertas no momento em que tentam converter essas moedas digitais em bens materiais, como carros de luxo ou imóveis.

"É nesse momento que a transição do 'cripto' para um bem material se transforma em uma vulnerabilidade para os criminosos", afirma o promotor de Justiça de São Paulo Richard Encimas.

O relatório global aponta que atividades ilícitas envolvendo criptomoedas crescem 25% ao ano.

O advogado Luiz Augusto D'Urso, especializado em crimes virtuais, ressalta que, embora a maioria das transações de criptomoedas seja legítima, as quadrilhas se valem de criptoativos para escapar do controle estatal, devido à dificuldade que as autoridades enfrentam em rastrear e bloquear essas operações.

Instituições como COAF, Banco Central, Polícia Federal e Polícia Civil têm desafios em controlar as transações de criptomoedas porque o sistema é descentralizado e as transações são registradas em um "blockchain". Esse "livro virtual" exibe todos os registros de transferência, mas não revela a identidade dos usuários. Para identificar os criminosos, as autoridades dependem do acesso a códigos alfanuméricos associados às transferências.

Desde 2021, o Ministério Público Federal mantém uma equipe dedicada a investigações relacionadas a criptoativos. O coordenador do grupo, Alexandre Senra, afirma que é possível rastrear criminosos, comparando o blockchain a uma novela onde todos os atores usam máscaras: as ações são visíveis, mas as identidades estão ocultas.

A expectativa é que a fiscalização se torne mais eficaz com a regulamentação das criptomoedas pelo Banco Central. Embora uma lei sobre o tema tenha entrado em vigor em junho de 2023, o Banco Central ainda não publicou as regulamentações necessárias, algo considerado urgente pelos especialistas da área.

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