Economia

CNI pede redução mais forte da taxa de juros

Entidade afirma que queda de 0,25 ponto percentual nos juros é insuficiente para estimular investimentos

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Antonio Souza
Foto: Reprodução/CNI

Foto: Reprodução/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a decisão desta quarta-feira (17) do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em apenas 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Para a entidade, o corte é insuficiente para reverter o cenário de crédito caro, baixo investimento e elevado endividamento da economia brasileira.

Segundo a entidade, o atual patamar da Selic permanece cerca de 3,1 pontos percentuais acima da taxa considerada de equilíbrio para a economia, estimada pela entidade em 11,1% ao ano.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que os juros reais continuam entre os mais elevados do mundo e seguem favorecendo aplicações financeiras em detrimento da produção e do investimento.

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“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”, diz Ricardo Alban.

CNI questiona eficácia dos juros contra choques de oferta

A entidade avalia que parte relevante da inflação atual está relacionada a fatores externos e choques de oferta, como oscilações nos preços do petróleo e eventos climáticos que afetam a produção agrícola.

Nesse contexto, a CNI afirma que a política monetária possui capacidade limitada para combater diretamente essas pressões inflacionárias. Segundo a confederação, aumentos ou manutenção excessiva dos juros podem gerar custos econômicos elevados sem impacto proporcional sobre os preços.

A avaliação é de que os efeitos da política monetária demoram entre seis e 18 meses para atingir plenamente a atividade econômica e a inflação, tornando inadequadas respostas consideradas excessivamente restritivas diante de choques temporários.

Endividamento e inadimplência preocupam setor produtivo

A CNI também destaca o aumento do endividamento de empresas e famílias. Dados citados pela entidade apontam que o Brasil alcançou cerca de 9 milhões de empresas negativadas em abril, com dívidas que somam R$ 221 bilhões.

Entre os empresários, a percepção continua negativa. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) permanece abaixo dos 50 pontos há 18 meses, indicando falta de confiança do setor.

Nas famílias, o comprometimento da renda com dívidas segue elevado. Segundo a entidade, o endividamento se aproxima de 50% da renda acumulada, enquanto a inadimplência das pessoas físicas atingiu 7,2% em abril.

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