Ibovespa cai após Fed reforçar combate à inflação
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,108


Painel de cotações da B3 | Germano Lüders/Exame
O Ibovespa perdeu força após a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) e fechou em queda nesta quarta-feira (17).
O índice chegou a subir mais de 1% ao longo da sessão, impulsionado pelo alívio com o petróleo e pela expectativa em torno das decisões de juros nos EUA e no Brasil, mas inverteu o sinal após o BC reforçar um tom mais hawkish de combate à inflação por meio do aumento dos juros.
No fechamento, o principal índice da B3 recuou 0,70%, aos 168.453 pontos, com giro financeiro de R$ 28,8 bilhões. No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,108.
A moeda americana também ganhou força após o Fed manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas sinalizar que parte relevante dos dirigentes da autoridade monetária ainda vê espaço para novas elevações dos juros neste ano.
Já o petróleo interrompeu a sequência de fortes quedas com investidores à espera da assinatura do acordo entre EUA e Irã, previsto inicialmente para esta sexta, 19, na Suíça. Fontes do governo americano cogitaram a possibilidade de antecipar a assinatura para esta quinta, 18, mas não há nada confirmado. A
Ao longo do dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer ameaças de ataque ao Irã, caso o país não “se comporte” e desrespeite os termos do acordo. Assim o Brent para agosto subiu 0,74%, a US$ 79,55, e o WTI para julho avançou 0,97%, a US$ 76,79 por barril.
A alta da commodity não impediu, no entanto, uma nova queda das ações da Petrobras. Os papéis preferenciais (PETR4) fecharam estáveis com ligeira queda de 0,08%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) cederam 0,90%.
A queda da estatal se somou ao desempenho negativo de outras empresas relevantes da bolsa. As ordinárias da Vale (VALE3) caíram 2,21%, enquanto parte das ações dos grandesbancos fecharam em direções opostas. As preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) subiram 0,87%, assim como as units do Santander (SANB11), que subiram 0,48%.
Já as preferenciais do Bradesco (BBDC4) e as units do BTG (BPAC11) recuaram 0,17% e 0,51%, respectivamente. As ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) fecharam em leve alta de 0,15%.
Entre as maiores altas e baixas, a Natura (NATU3) liderou as perdas do Ibovespa com queda de 8,74%, seguida de CSN (CSNA3) que recuou 6,48%; e Hapvida (HAPV3), que perdeu 6,07%. Do lado positivo, Cosan (CSAN3) subiu 6,12% após anunciar venda de 12% das propriedades da Radar, gestora de terras do grupo. A Embraer também subiu 3,24%, seguida pelo BB Seguridade (BBSE3), que avançou 2,72%.
Fed reforça discurso duro contra inflação
A atenção dos investidores esteve concentrada na primeira decisão de política monetária sob o comando de Kevin Warsh no Federal Reserve (Fed). Como esperado, o banco central americano manteve os juros inalterados. O que chamou atenção foi o chamado "dot plot", que mostrou nove dos 18 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) projetando novas altas de juros nos próximos meses.
Para Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da Stratton Capital, gestora americana sediada em Nova York, a decisão veio em linha com o esperado, mas com um viés claramente mais duro.
"O comunicado veio dentro do esperado em tom hawkish. O comitê decidiu de forma unânime manter a taxa de juros inalterada em 3,75%. O destaque, na minha visão, fica por conta do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, optar por não divulgar sua projeção de juros no dot plot, posição consistente com sua visão crítica sobre essa mecânica", afirma.
Segundo Flores, o gesto reforça a percepção de que o Fed passa por um processo de transformação institucional sob a nova liderança. "Acredito que o gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente".
Na avaliação do especialista, o comunicado deixou claro que o foco principal continua sendo a estabilidade dos preços. O resultado imediato foi uma reação negativa dos mercados globais.
O analista pondera que a desaceleração das tensões no Oriente Médio pode reduzir parte das pressões inflacionárias observadas recentemente e abrir espaço para uma leitura diferente nas próximas reuniões. "Mas, por enquanto, pelo que a gente viu aqui, o texto é hawkish".
Bolsas de Nova York fecham em queda após decisão do Fed
Os principais índices acionários dos Estados Unidos encerraram o pregão em queda depois que a decisão do Fed e o novo gráfico de projeções reforçaram a expectativa de juros elevados por mais tempo.
O índice Dow Jones caiu 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 recuou 1,21%, para 7.420,10 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1,34%, encerrando aos 26.021,66 pontos.















